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	<title>CIEAM | Portal Institucional | </title>
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	<description>Centro da Indústria do Estado do Amazonas</description>
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		<title>A Amazônia entre duas economias: a floresta em pé e a floresta nas sombras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jan 2026 18:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna do Cieam]]></category>
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					<description><![CDATA[30/01/2026 14:05 A Amazônia Ocidental costuma ser descrita como uma grande paisagem. Mas, no cotidiano, ela é sobretudo uma grande economia — feita de infraestruturas, decisões, fricções e escolhas difíceis. Em Manaus, isso se traduz em portos, contêineres, turnos, inspeções, exigências de padrão, metas de...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>30/01/2026 14:05</p>
<p><span style="font-size: 12px">A Amazônia Ocidental costuma ser descrita como uma grande paisagem. Mas, no cotidiano, ela é sobretudo uma grande economia — feita de infraestruturas, decisões, fricções e escolhas difíceis. Em Manaus, isso se traduz em portos, contêineres, turnos, inspeções, exigências de padrão, metas de produtividade e uma engrenagem industrial que, por mais que seja atacada por caricaturas, é hoje uma das principais formas de a floresta permanecer de pé. <strong>No interior, o mesmo cotidiano se traduz em distâncias, custos, risco, falta de presença pública contínua — e uma vulnerabilidade que pode ser capturada por mercados ilegais.</strong></span></p>
<p><span style="font-size: 12px">Não há romantismo nesse retrato. Há apenas o reconhecimento de que a Amazônia vive, simultaneamente, dois regimes econômicos: um regime formal, que depende de contrato, tecnologia e estabilidade; e um regime clandestino, que depende de liquidez, captura de rotas e ausência de Estado. <strong>O desafio é entender essa convivência sem mistificação e sem pânico — com a sobriedade de quem olha o território como ele é.</strong></span></p>
<h2>CNPJ na floresta: a economia do prazo longo</h2>
<p><span style="font-size: 12px">O Brasil gosta de falar da Amazônia como “fronteira natural”. Mas a sustentabilidade amazônica, na prática, é uma construção institucional — artificial no melhor sentido da palavra: um <strong>parque industrial de alta complexidade operando no coração da floresta, com cadeias integradas, logística fluvial desafiadora e contrapartidas que consolidam uma infraestrutura social.</strong></span></p>
<p><span style="font-size: 12px">No Amazonas, a chamada “indústria da floresta em pé” não é um slogan. O Polo Industrial de Manaus reúne 552 indústrias e 127 empresas de bioindústria, combinando manufatura, automação, controle de qualidade e engenharia de processo — uma cadeia técnica que desmente a caricatura do “ventilador no meio da selva”.</span></p>
<h2>Engenharia e padrão internacional: a indústria sem caricatura</h2>
<p><span style="font-size: 12px">Esse tecido industrial sustenta o Estado. A síntese publicada pelo BAA/JCAM aponta mais de 85% das receitas estaduais e mais de 60% das receitas tributárias vinculadas ao PIM. Essa não é uma defesa retórica: é a descrição de uma base econômica real que financia serviços públicos, capacidade administrativa e, quando bem orientada, instrumentos de interiorização do desenvolvimento.</span></p>
<p><span style="font-size: 12px">A economia da floresta em pé é, por definição, uma economia de prazo longo. Ela exige investimento contínuo, qualificação, logística estável, pesquisa, financiamento paciente e, sobretudo, capacidade de fazer a prosperidade chegar aos rios, às estradas e aos municípios distantes — onde o custo de produzir legalmente ainda é alto demais para muita gente.</span></p>
<h2>Tecnologia que cobra responsabilidade: competitividade com agenda ambiental</h2>
<p><span style="font-size: 12px">Há um ponto que quase nunca entra no debate nacional: alto padrão tecnológico hoje é também padrão ambiental. nesta Follow Up do BAA, o Polo Eletrônico é descrito como plataforma capaz de liderar economia circular e logística reversa num mundo que gerou 62 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2022, com apenas 22,3% documentado como coletado e reciclado formalmente. <strong>É o tipo de agenda que transforma obrigação legal em vantagem competitiva — e projeta soberania produtiva a partir da Amazônia.</strong></span></p>
<p><span style="font-size: 12px"><strong>Nada disso acontece por inércia.</strong> Requer regras, metas, rastreabilidade e pressão de mercado — e, ao mesmo tempo, políticas públicas que enxerguem a complexidade do território amazônico.</span></p>
<h2>A régua errada: quando a contabilidade tenta matar a política pública</h2>
<p><span style="font-size: 12px">Essa potência, porém, costuma ser julgada por uma métrica que não consegue enxergar a realidade amazônica. A “régua dos bacanas” &#8211; expressão usada para descrever os interesses inconfessos que tratam a ZFM como privilégio &#8211; expõe o vício do Demonstrativo de Gastos Tributários: tratar incentivo constitucional como “perda” sem admitir efeitos compensatórios nem os avanços civilizatórios visto por observadores sensatos.</span></p>
<p><span style="font-size: 12px">A contabilidade pública registra no primeiro semestre de 2025 um relato dos números que falam por si.</span></p>
<p><strong><span style="font-size: 12px">• R$ 1,2 bilhão recolhidos ao Fundo de Turismo, Infraestrutura e Interiorização (FTI);<br />• R$ 469 milhões destinados à Contribuição para o Ensino Superior, que financia a Universidade do Estado do Amazonas (UEA);<br />• R$ 198 milhões ao Fundo de Fomento às Micro e Pequenas Empresas (FMPES);<br />• R$ 728 milhões pagos em ICMS, tornando a indústria o maior contribuinte isolado do Estado;<br />• e, ainda, R$ 2,36 bilhões investidos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&amp;I) pelas empresas de bens </span></strong></p>
<p><span style="font-size: 12px"> Esse é um desafio do cotidiano: a estabilidade institucional de um modelo que depende de previsibilidade para continuar gerando emprego, arrecadação e capacidade pública.</span></p>
<h2>Interiorização: o custo invisível do desenvolvimento</h2>
<p><span style="font-size: 12px">Interiorizar desenvolvimento sem transformar o interior em “fronteira de saque” custa caro: energia, internet, transporte, assistência técnica, crédito e compra garantida. É aqui que a economia legal revela sua fragilidade: <strong>onde o Estado demora, o crédito não chega e o custo de fazer certo é alto, a alternativa ilegal aparece como atalho.</strong></span></p>
<p><span style="font-size: 12px">Por isso, a floresta em pé não se sustenta apenas com discurso ambiental. Ela precisa reduzir o custo do legal, ampliar a escala do que funciona, criar segurança econômica para cadeias produtivas e manter presença pública contínua — não episódica.</span></p>
<h2>A economia das sombras: o território como mercado</h2>
<p><span style="font-size: 12px">É nesse intervalo que cresce a economia clandestina. Ela não precisa de laboratório científico e de inovação; precisa de rota. Não precisa de contrato; precisa de imposição. Não precisa de prazo; precisa de liquidez.</span></p>
<p><span style="font-size: 12px">A pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, repercutida pelo Correio Braziliense, estima que 44,6% dos municípios da Amazônia Legal já têm sinais de facções em 2025 (344 de 772), com 258 sob controle e 86 em disputa. O mesmo recorte informa que o Comando Vermelho se espalhou para 286 cidades e mantém hegemonia em 202 delas.</span></p>
<p><span style="font-size: 12px"><strong>A mudança não é só territorial: é econômica. O crime organizado passou a “precificar” a floresta — e a se associar a crimes ambientais.</strong> O garimpo vira plataforma logística; e o narcotráfico se encaixa na extração mineral, na grilagem e na madeira. A Revista Pesquisa Fapesp descreve esse mecanismo como narcogarimpo: facções usando infraestrutura do garimpo — aeronaves, pilotos, pistas e rotas — para ampliar o tráfico, além de atuar como segurança armada e impor “regras” onde o Estado não chega.</span></p>
<h2>Do contrato ao medo: dois regimes disputando o mesmo mapa</h2>
<p><span style="font-size: 12px">E há uma engrenagem ainda mais silenciosa, mas central: a capacidade de maquiar o ilegal como legal. É aqui que entra a Revista Piauí: um estudo do Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG, citado em material associado à publicação, estimou que, entre 2021 e 2022, quase 30% do ouro extraído e registrado na ANM tinha origem irregular; o mesmo material aponta que, em oito meses de 2023, a mineração desmatou 76 km² na Amazônia e que a área de garimpo de ouro dobrou entre 2016 e 2022.</span></p>
<p><span style="font-size: 12px">O resultado é uma economia de curto-circuito: <strong>a devastação gera caixa; o caixa compra armas, corrupção e silêncio; e o medo vira ativo econômico.</strong> Não é que o crime “apareça” de repente — ele se instala como um mercado onde faltam alternativas confiáveis.</span></p>
<p><span style="font-size: 12px">Por isso, o debate amazônico mais sério não é um duelo moral entre “bons” e “maus”. <strong>É uma disputa de modelos econômicos: um modelo que transforma tecnologia e arrecadação em escola, saúde, universidade, pesquisa e cadeias legais; e outro que transforma rota em pedágio e floresta em ativo clandestino. </strong>A saída, portanto, também não é retórica. É método: reduzir o custo do legal e aumentar o custo do ilegal. Fortalecer interiorização com financiamento paciente, compras públicas inteligentes e programas estruturantes. Blindar rastreabilidade e inteligência financeira. Proteger cadeias produtivas e territórios com presença pública contínua. E, sobretudo, parar de tratar o desenvolvimento amazônico como “gasto” — porque, na Amazônia, o vácuo não fica vazio: ele é ocupado.</span></p>
<p><i><span style="font-size: 12px">(*) Follow Up é publicada pelo Jornal do Comércio do Amazonas às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, editor geral do portal </span></i></p>
<p><span style="font-size: 12px"><a data-auth="NotApplicable" href="https://brasilamazoniaagora.com.br/" data-linkindex="9" title="https://brasilamazoniaagora.com.br" data-ogsc=""><i></i></a><i><a href="https://brasilamazoniaagora.com.br">https://brasilamazoniaagora.com.br</a></i>. </span></p>
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		<title>III Fórum ESG Amazônia: o ensaio geral do Acordo UE–Mercosul — e a chance de o PIM chegar primeiro</title>
		<link>https://cieam1.websiteseguro.com/iii-forum-esg-amazonia-o-ensaio-geral-do-acordo-ue-mercosul-e-a-chance-de-o-pim-chegar-primeiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Jan 2026 15:02:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna do Cieam]]></category>
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					<description><![CDATA[21/01/2026 11:02 Há momentos em que um evento deixa de ser evento e vira instrumento com metodologia. A preparação do III Fórum ESG Amazônia, conduzida por CIEAM e Suframa, pode ser esse raro intervalo em que o Polo Industrial de Manaus decide fazer o que...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>21/01/2026 11:02</p>
<p><i>Há momentos em que um evento deixa de ser evento e vira instrumento com metodologia. A preparação do III Fórum ESG Amazônia, conduzida por CIEAM e Suframa, pode ser esse raro intervalo em que o Polo Industrial de Manaus decide fazer o que o Brasil costuma adiar: antecipar-se. <strong>E antecipar-se, agora, não é virtude abstrata. É estratégia de sobrevivência e de disputa</strong>.</i></p>
<p>Por <strong>Alfredo Lopes</strong> &#8211; BrasilAmazoniaAgora  &#8211; Follow Up 20.01.2026</p>
<p>O Acordo UE–Mercosul, assinado em 17 de janeiro de 2026, abriu uma nova etapa política e econômica, mas, sobretudo, instituiu uma nova gramática de mercado: a Europa não compra apenas mercadoria; compra evidência. Compra rastreabilidade. Compra credibilidade. <strong>Compra o que pode ser auditado sem pedir licença à retórica.</strong></p>
<p>É por isso que a preparação do Fórum pode ser um momento privilegiado para matizar os desafios do Acordo — matizar no sentido forte, civilizado, que nos interessa. Não se trata de celebrar ou temer. <strong>Trata-se de olhar por dentro, ver onde o Acordo aperta, onde ele libera, onde ele exige, e onde ele premia quem se organiza primeiro.</strong></p>
<h3>O carbono virou alfândega</h3>
<p>O primeiro aperto tem nome e calendário. O carbono está deixando de ser discurso e virando alfândega. O CBAM, mecanismo europeu de ajuste de carbono na fronteira, sai do regime de transição e entra em fase operacional plena a partir de 2026, e isso desloca o eixo competitivo: o preço do produto passa a carregar com mais nitidez o preço das emissões.  O que era reputação começa a virar custo. O que era promessa passa a virar documentação. E, nesse ponto, o PIM precisa se perguntar, com frieza industrial: <strong>qual é o nosso passaporte de emissões por cadeia, por produto, por setor? </strong>Porque, se não houver resposta técnica, o mercado europeu fará a pergunta com a linguagem que ele domina: tarifa, exigência, barreira não-tarifária, tempo perdido.</p>
<h3>Rastreabilidade não é pauta ambiental; é requisito comercial</h3>
<p>Daí a ponte natural para o segundo aperto, que é rastreabilidade. A União Europeia está reforçando seus instrumentos contra o desmatamento e elevando as obrigações de diligência das cadeias, com prazos que foram ajustados, mas sem recuo no princípio. O relógio da implementação do regulamento anti-desmatamento foi empurrado para dezembro de 2026, mas o rumo segue o mesmo: <strong>quem não rastreia, não entra; quem não prova, não passa</strong>.  Isso empurra a Amazônia para um dilema que é também uma chance: ou ser tratada como território suspeito, ou converter-se em território premium pela capacidade de provar conformidade e impacto positivo.</p>
<p><strong>A indústria como guarda-chuva da floresta em pé.</strong></p>
<p>E é justamente aqui que o III Fórum ajuda a construir a virada narrativa que vale: a indústria como guarda-chuva da floresta em pé. Só que, para essa frase não virar apenas uma bela metáfora, ela precisa ganhar ossatura. Precisa virar argumento verificável, com indicadores, com governança, com trilhas de implementação, com um mínimo de padrão comum que permita ao PIM dizer ao mundo, sem tremor: nossa presença reduz pressão sobre a floresta, eleva produtividade por hectare inexistente, desloca a economia da devastação para a economia do valor, e faz isso de modo mensurável. Não se pede “compreensão”; oferece-se prova.</p>
<h3>ESG sem métrica é folclore corporativo</h3>
<p>Nesse sentido, o Fórum não pode ser apenas palco. Ele precisa funcionar como canteiro de obra. A Suframa já lançou a iniciativa ZFM+ESG, o que significa que existe base institucional para transformar intenção em programa.  O desafio agora é deixar de tratar ESG como ensaio e passar a tratá-lo como infraestrutura de mercado. Isso exige rotina, exige protocolo, exige metas. Exige, principalmente, um acordo dentro do próprio PIM sobre o que será considerado “mínimo aceitável” de mensuração e transparência, para que cada empresa possa avançar com sua estratégia, mas sem que o conjunto fique vulnerável por falta de padrão.</p>
<h3>Neutralização de carbono: oportunidade — desde que não vire atalho retórico</h3>
<p>Aí entra o ponto mais delicado — e também o mais promissor. Certificação, neutralidade, inventário, auditoria: tudo isso pode ser vantagem comparativa real, desde que não vire atalho retórico. A própria discussão sobre neutralização do carbono do PIM, apresentada no ambiente CIEAM/Suframa, aponta uma direção potente ao colocar a floresta não como paisagem, mas como infraestrutura climática.  Só que a Europa não compra poesia ambiental. Ela compra método. Portanto, a pergunta decisiva não é “vamos neutralizar?”, mas “qual metodologia, qual governança, qual auditoria, qual cronograma, e quais setores começam primeiro?”.</p>
<h3>O Acordo também traz riscos — e “matizar” é olhar para eles de frente</h3>
<p>Quando essa engrenagem se encaixa, uma consequência econômica emerge com naturalidade. Se o PIM se apresenta como plataforma industrial capaz de entregar conformidade, rastreabilidade e desempenho ambiental, ele vira também ímã. Ímã de investimento europeu, não por filantropia, mas por racionalidade: fabricar em Manaus para acessar Mercosul e outras rotas regionais, com um “selo territorial” que conversa com a nova régua europeia. O que hoje é desafio pode virar diferencial, desde que se trate ESG como produtividade aplicada.</p>
<p>Claro, tudo isso acontece sob tensão política. O Acordo ainda atravessa resistências e disputas, especialmente na ratificação europeia, e isso recomenda prudência.  Mas prudência não é paralisia. Pelo contrário: quando o cenário é incerto, quem se antecipa não perde tempo discutindo o vento; constrói o barco. E a preparação do III Fórum pode ser justamente esse momento de construção.</p>
<h2>O que o III Fórum pode produzir além dos debates</h2>
<p>Se quisermos que o Acordo UE–Mercosul seja oportunidade e mais do que manchete, o III Fórum precisa sair do formato “evento” e entrar no formato “entrega”. Um mapa claro das exigências europeias que realmente importam para as cadeias do PIM, trilhas setoriais com metas de 12 meses, um protocolo mínimo de inventário e auditoria, e uma carta de posicionamento que transforme a frase “indústria como guarda-chuva da floresta em pé” em compromisso mensurável.</p>
<p><strong>Porque, no mundo que está nascendo, sustentabilidade não é medalha. É senha de acesso.</p>
<p></strong></p>
<p><i>(*) Follow Up é publicada no Jornal do Comércio do Amazonas, às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, editor do portal</i></p>
<p><a data-auth="NotApplicable" href="https://brasilamazoniaagora.com.br/" data-linkindex="9" title="https://brasilamazoniaagora.com.br" data-ogsc=""><i></i></a><i><a href="https://brasilamazoniaagora.com.br/">https://brasilamazoniaagora.com.br</a></i></p>
<p><strong><br /></strong></p>
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		<title>Honda da Amazônia: o cartão de visitas da indústria da floresta</title>
		<link>https://cieam1.websiteseguro.com/honda-da-amazonia-o-cartao-de-visitas-da-industria-da-floresta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 18:14:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna do Cieam]]></category>
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					<description><![CDATA[Há dois tipos de sustentabilidade. A primeira vive de adjetivos.A segunda vive de engenharia. A primeira mora no palco.A segunda mora no cano, no chão, na estação de tratamento, no relatório que aguenta luz forte. 15/01/2026 14:14 Há dois tipos de sustentabilidade. A primeira vive...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Há dois tipos de sustentabilidade. A primeira vive de adjetivos.A segunda vive de engenharia. A primeira mora no palco.A segunda mora no cano, no chão, na estação de tratamento, no relatório que aguenta luz forte.</em></p>
<p>15/01/2026 14:14</p>
<p><em>Há dois tipos de sustentabilidade. A primeira vive de adjetivos.<br />A segunda vive de engenharia. A primeira mora no palco.<br />A segunda mora no cano, no chão, na estação de tratamento, no relatório que aguenta luz forte.</em></p>
<p><strong>Por Alfredo Lopes BrasilAmazoniaAgora &#8211; Follow Up 14.01.2025</strong></p>
<p>O Relatório de Sustentabilidade 2024 da Honda South America &#8211; um documento admirável- desce ao nível em que a verdade costuma morar: o nível do processo. E quando desce, Manaus aparece não como caricatura, mas como fato — e como uma peça que o Brasil precisa enxergar com maturidade: a indústria organizada como forma concreta de proteger território, ordenar trabalho, educar técnica, reduzir risco e, sim, sustentar a floresta em pé com economia legal e verificável.</p>
<p>A Moto Honda da Amazônia, ali, não é coadjuvante. É vitrine.</p>
<p>E vitrine de verdade não mostra maquiagem: mostra estrutura.</p>
<p>A seguir, três destaques que transformam a Honda em Manaus numa referência fabril avançada — um cartão de visitas daquilo que chamamos, sem poesia barata, de indústria da floresta.</p>
<h2>Manaus além da montagem: a fábrica que fabrica a própria fábrica</h2>
<p>O primeiro destaque não é “ambiental”. É industrial.</p>
<p>E por isso é decisivo.</p>
<p>O relatório descreve a unidade de Manaus como um complexo que vai além da montagem e a define como a mais verticalizada do mundo na produção de motos Honda. Um lugar onde se fabricam não apenas produtos, mas partes da própria infraestrutura produtiva: embalagens metálicas, moldes, tubos, escapamentos, rodas, guidões, chassis — e outros componentes e estruturas de fabricação.</p>
<p>Isso significa densidade. Significa conhecimento aplicado.</p>
<p>Significa controle. Significa cadeia.</p>
<p>E, sobretudo, significa uma coisa que Brasília e São Paulo entendem quando querem: previsibilidade é investimento.</p>
<h2>Energia limpa com prova: neutralização total e impacto regional</h2>
<p>O segundo destaque é o tipo de fato que derruba conversa fiada.</p>
<p>O relatório afirma que, desde abril de 2023, a Moto Honda da Amazônia vem alcançando a neutralização de 100% do consumo de energia elétrica, combinando I-REC e aquisição de energia renovável no mercado livre.</p>
<p>E o efeito não para no portão da fábrica.</p>
<p>O texto sustenta um impacto sistêmico: por iniciativas como as da Moto Honda da Amazônia, a Honda South America registra cerca de 99% da energia elétrica proveniente de fontes limpas.</p>
<p>Aqui está a linha que deveria virar manchete:</p>
<p>energia limpa não é enfeite moral — é atributo de competitividade e reputação.</p>
<p>Num mundo de barreiras climáticas, a energia virou passaporte.</p>
<h2>ESG de verdade mora na água: efluente tratado, devolução responsável e disciplina industrial</h2>
<p>O terceiro destaque é o mais simbólico, porque é o mais concreto.</p>
<p>A Moto Honda da Amazônia opera uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) capaz de tratar 1.449 m³ por dia, com capacidade de até 2.500 m³ por dia, com purificação antes de devolução ao meio ambiente.</p>
<p>Esse é o ponto.</p>
<p>A fábrica não terceiriza impacto.</p>
<p>Ela trata. Ela mede. Ela devolve com método.</p>
<p>E a mesma lógica aparece na circularidade: o relatório reforça que a Moto Honda da Amazônia e unidades de automóveis no Brasil já são “aterro zero” e registra elevação da taxa de reciclagem em 2024 para 82,1%.</p>
<p>Quando a sustentabilidade é real, ela não pede aplauso.</p>
<p>Ela pede auditoria — e entrega.</p>
<h2>A Honda em Manaus e a narrativa que o Brasil precisa conhecer</h2>
<p>O Brasil tem o hábito de depreciar o que deveria defender.</p>
<p>E, às vezes, faz isso por ignorância. Outras vezes, por conveniência.</p>
<p>O caso de Manaus — como aparece neste relatório — é um convite à sobriedade:</p>
<p>a indústria incentivada pode ser densa, pode ser limpa com evidência, pode ser responsável no processo, e pode ser, por isso, um instrumento indireto de política climática e de coesão territorial.</p>
<p>Não é romantismo.</p>
<p>É contabilidade do real.</p>
<p><i>(*) Follow Up é publicada no Jornal do Comércio do Amazonas, às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, editor do portal </i></p>
<p><a data-auth="NotApplicable" href="https://brasilamazoniaagora.com.br/" data-linkindex="9" title="https://brasilamazoniaagora.com.br" data-ogsc=""><i></i></a><i><a href="https://brasilamazoniaagora.com.br">https://brasilamazoniaagora.com.br</a></i></p>
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		<title>Polo industrial de Manaus: O estudo que o Brasil ignorou &#8211; Parte II</title>
		<link>https://cieam1.websiteseguro.com/polo-industrial-de-manaus-o-estudo-que-o-brasil-ignorou-parte-ii/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Jan 2026 14:02:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna do Cieam]]></category>
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					<description><![CDATA[09/01/2026 10:02 E já provou que reduz o desmatamento – e evita emissões bilionárias de carbono Por Alfredo Lopes &#8211; BrasilAmazoniaAgora- Follow-up 08.01.2026 Há uma crença recorrente — quase um vício analítico — na discussão nacional sobre desenvolvimento e meio ambiente: a de que a...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>09/01/2026 10:02</p>
<p>E já provou que reduz o desmatamento – e evita emissões bilionárias de carbono</p>
<p>Por <strong>Alfredo Lopes</strong> &#8211; BrasilAmazoniaAgora- Follow-up 08.01.2026</p>
<p><i>Há uma crença recorrente — quase um vício analítico — na discussão nacional sobre desenvolvimento e meio ambiente: a de que a Zona Franca de Manaus é apenas um arranjo fiscal, uma renúncia localizada, uma política regional compensatória. Mas essa leitura, além de rasa, omite o que a ciência brasileira já demonstrou, com dados, modelos e rigor internacional</i>:</p>
<blockquote><p>o Polo Industrial de Manaus é uma das políticas ambientais mais efetivas da história do país — mesmo sem nunca ter sido reconhecido como tal.</p></blockquote>
<p>E não se trata de opinião. Trata-se de evidência econométrica revisada por pares, exposta no estudo  financiado pela SUFRAMA e pela Nokia, e desenvolvido por alguns dos maiores pesquisadores da região. I n s t r u m e n t o s E c o n ô m i c o s para a Proteção da Amazônia &#8211; A experiência do PÓLO INDUSTRIAL DE MANAUS, José Alberto Costa Machado, José A.Mota, Alexandre Rivas e Denis Minev.</p>
<h3>1. O resultado que ninguém quis ver: o PIM reduz entre 70% e 84% do desmatamento potencial no Amazonas</h3>
<p>O estudo construiu três modelos econométricos independentes. O terceiro — o mais robusto — estimou diretamente o “Efeito PIM”, isto é, a capacidade do Polo de reduzir o desmatamento em comparação com um cenário sem PIM.</p>
<p>E o resultado foi monumental:</p>
<ul>
<li>70% a 77% de redução do desmatamento segundo a r modelagem econométrica;</li>
<li>chegando a 84% dependendo da configuração do modelo.(Resultados descritos no estudo: linhas L5–L14 do trecho )</li>
</ul>
<p>Esse percentual não é inferência política — é cálculo, com base em dados de 2000 a 2006, utilizando painel econométrico e análises contrafactuais.</p>
<p>O que isso significa?</p>
<blockquote><p>Significa que, sem o Polo Industrial, o Amazonas teria desmatado ate cinco vezes mais.</p></blockquote>
<p>E se o Amazonas tivesse seguido a trajetória do Pará no mesmo período, como o próprio estudo compara, a perda florestal seria ecologicamente catastrófica e politicamente irreversível.</p>
<h3>2. A evidência do carbono: bilhões de dólares em emissões evitadas</h3>
<p>O estudo avançou além da redução do desmatamento. Ele estimou a quantidade de carbono cuja emissão foi evitada graças à floresta que deixou de ser derrubada pela presença do PIM.</p>
<p>Resultado:</p>
<ul>
<li>Entre 1,1 bilhão e 10 bilhões de dólares em emissões evitadas no período analisado (2000–2006).</li>
<li>Um benefício anual entre US$ 160 milhões e US$ 1,4 bilhão.</li>
</ul>
<p>Esses valores consideram apenas o carbono estocado, sem incluir serviços ecossistêmicos adicionais, como:</p>
<ul>
<li>ciclagem da água, que viabiliza o agronegócio do Centro-Oeste, prevenção de incêndios, proteção da biodiversidade e sua expansão, oferta de bioativos e respectiva bioprospecção.</li>
</ul>
<p>O estudo reconhece explicitamente que, se esses fatores fossem incluídos, o valor seria muito maior. </p>
<h3>3. O que o estudo conclui — e o País não quis acolher…</h3>
<blockquote><p>O PIM cria uma “contraforça” ao desmatamento, sustentando um modelo de desenvolvimento urbano-industrial que impede a migração rural predatória, reduz a pressão sobre a floresta e estabiliza o território.</p></blockquote>
<blockquote><p>(Síntese do capítulo contrafactual e conclusões gerais)</p></blockquote>
<p>O estudo chega a afirmar que uma eventual extinção do Polo:</p>
<p>    *   aumentaria o desmatamento,</p>
<ul>
<li>criaria novos vetores de degradação em áreas hoje estáveis,</li>
<li>e poderia até comprometer a soberania nacional sobre regiões remotas.</li>
</ul>
<p>Em outras palavras:</p>
<blockquote><p>O Brasil sabe, há quase 20 anos, que a Zona Franca de Manaus é uma política ambiental.</p></blockquote>
<blockquote><p>Mas decidiu ignorar.</p></blockquote>
<h3>4. Por que ignorar uma verdade tão poderosa?</h3>
<p>Porque reconhecer a ZFM como política ambiental obrigaria o país a reescrever seu próprio debate climático:</p>
<ul>
<li>Não se trata apenas de incentivos fiscais;</li>
<li>Não se trata apenas de desenvolvimento regional;</li>
<li>Não se trata apenas da Amazônia.</li>
</ul>
<p><strong>Trata-se de um modelo único no planeta, onde atividade industrial reduz desmatamento, o inverso do que ocorre em todos os outros biomas tropicais industrializados.</strong></p>
<p>E isso incomoda.</p>
<p>Incomoda porque desmonta a narrativa simplista de que a Amazônia só pode ser preservada através da contenção da economia.</p>
<p>A ciência mostra o contrário:</p>
<blockquote><p>Quando a economia é legal, complexa e urbana, a floresta respira.</p></blockquote>
<h3>5. O que a Follow Up propõe agora</h3>
<p>Se a ciência já demonstrou, por que o debate público continua agachado?</p>
<p>A partir de 2026, o desafio é outro:</p>
<ul>
<li>Atualizar o estudo com dados de 2007–2025.</li>
<li>Recalcular o Efeito PIM em um período de expansão industrial e transformações climáticas.</li>
<li>Incorporar métricas de emissões reais e potenciais pela metodologia do IPCC.</li>
<li>Construir um sistema de MRV (Monitoramento, Relato e Verificação) que permita certificar o PIM como política ambiental de preservação indireta — algo já sugerido pela literatura desde 2008.</li>
</ul>
<p>E, sobretudo:</p>
<blockquote><p>Tornar impossível para o Brasil continuar fingindo que não sabe o que a ciência já provou.</p></blockquote>
<hr>
<h2>E assim, a pergunta pede passagem…</h2>
<p>A pergunta que abriu esta reflexão —</p>
<p>“O que significaria demonstrar com ciência e transparência, que o PIM neutraliza — por preservação indireta — o carbono que emite?”</p>
<p>— já tem resposta:</p>
<blockquote><p><strong>Significaria reconhecer que o Polo Industrial de Manaus é um ativo climático global.</strong></p></blockquote>
<blockquote><p><strong>E que, sem ele, a Amazônia estaria menor, mais vulnerável e mais distante do Brasil.</strong></p></blockquote>
<p>O estudo existe. Os números existem. A ciência existe. Falta apenas coragem para admitir o óbvio.</p>
<p>A propósito, </p>
<p><strong>O Brasil prometeu ao mundo &#8211; no Acordo de Paris de 2015 &#8211; reconstruir 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030.</strong> A Amazônia — por um caminho menos celebrado — já oferece uma “obra” paralela: a <strong>floresta que não caiu</strong>. E aqui emerge a tese que incomoda os mapas mentais fáceis: o Polo Industrial de Manaus, ao concentrar emprego, renda e cadeia urbana numa economia de baixa dependência direta da derrubada, pode operar como infraestrutura econômica de contenção do desmatamento.</p>
<p> No recorte 2000–2006, o “efeito PIM” é traduzido como desmatamento evitado entre 1,53 e 2,19 milhões de hectares no Estado do Amazonas — o que recoloca a ZFM no lugar que falta na política climática: <strong>não apenas indústria na floresta, mas floresta preservada por uma engenharia <i>econômica</i></strong><i><br /></i></p>
<p><i>(*) Follow Up é publicada no Jornal do Comércio do Amazonas, às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes editor geral do portal </i></p>
<p><i><a data-auth="NotApplicable" href="https://brasilamazoniaagora.com.br/" data-linkindex="9" title="https://brasilamazoniaagora.com.br" data-ogsc="">https://brasilamazoniaagora.com.br</a>. </i></p>
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		<item>
		<title>Polo Industrial de Manaus: a política ambiental que o Brasil não enxergou</title>
		<link>https://cieam1.websiteseguro.com/polo-industrial-de-manaus-a-politica-ambiental-que-o-brasil-nao-enxergou/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Jan 2026 17:43:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna do Cieam]]></category>
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					<description><![CDATA[08/01/2026 13:43 “o que significaria demonstrar, com ciência e transparência, que o PIM neutraliza — por preservação indireta — o carbono que emite?” Por Alfredo Lopes &#8211; BrasilAmazoniaAgora &#8211; Follow Up 07.01.2026 Há um equívoco elegante — e perigoso — rondando o debate nacional: tratar...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>08/01/2026 13:43</p>
<h2></h2>
<p><i>“o que significaria demonstrar, com ciência e transparência, que o PIM neutraliza — por preservação indireta — o carbono que emite?”</i></p>
<p>Por <strong>Alfredo Lopes</strong> &#8211; BrasilAmazoniaAgora &#8211; Follow Up 07.01.2026</p>
<p>Há um equívoco elegante — e perigoso — rondando o debate nacional: tratar o Polo Industrial de Manaus (PIM) como simples política de compensação regional, um arranjo fiscal para “reduzir desigualdades”. Sim, essa é uma de suas finalidades constitucionais e históricas. Mas ela não esgota o que o PIM é, nem explica o que o PIM faz, em silêncio, todos os dias, para o Brasil.</p>
<p>O PIM é, adicionalmente, uma política pública ambiental — extra, de valor inestimável — porque sustenta uma evidência intuitiva que o País ainda não teve coragem de medir com rigor: quando a economia legal se mantém de pé no coração da Amazônia, a floresta tende a permanecer de pé ao redor dela.</p>
<p>E é aqui que entra o mote que deve orientar a próxima etapa da inteligência institucional amazônica:</p>
<blockquote><p>“O que significaria demonstrar cientificamente que as indústrias do Polo Industrial de Manaus, ao ajudar indiretamente a proteger a floresta, neutralizam o carbono emitido em suas instalações?”</p></blockquote>
<h3> Neutralizar não é “zerar fumaça”: é provar balanço climático</h3>
<p>A palavra “neutralizam” é forte — e precisa ser tratada com honestidade científica.</p>
<p>Neutralização, neste contexto, não pode ser marketing, nem slogan. Ela só pode significar uma coisa: um balanço verificável, em que o carbono emitido pelas instalações industriais (escopos 1 e 2, e, quando possível, partes relevantes do escopo 3) seja compensado por emissões evitadas, atribuíveis de modo robusto à existência e ao efeito territorial do PIM.</p>
<p>Em português direto: se o PIM ajuda a evitar desmatamento que ocorreria sem ele, o carbono que deixamos de lançar na atmosfera por manter a floresta em pé pode ser comparado — com método — ao carbono que as fábricas emitem.</p>
<p>Não é magia. É contabilidade climática aplicada a um território.</p>
<h3> A tese central: o PIM como “infraestrutura econômica de contenção”</h3>
<p>O PIM opera como um tipo raro de infraestrutura: uma barreira econômica contra a fronteira predatória.</p>
<p>Ele faz isso por mecanismos que o Brasil conhece, mas raramente conecta:</p>
<p>Emprego urbano e formal reduz incentivo à economia de derrubada (onde a renda nasce do fogo e da grilagem). Cadeias produtivas e serviços geram alternativas ao “empreendedorismo” da ilegalidade. Arrecadação e massa salarial aumentam densidade institucional do Estado (presença fiscal, serviços, educação, tecnologia). Economia de cidade concentra demanda, reduzindo a dispersão populacional que empurra a ocupação desordenada.</p>
<p>Essa não é uma defesa romântica da indústria. É um argumento duro: sem uma economia robusta e lícita, a Amazônia vira contabilidade criminal.</p>
<h3>Como demonstrar cientificamente: o caminho das “emissões evitadas atribuíveis”</h3>
<p>Para sair da intuição e entrar na prova, é preciso encarar a pergunta que separa ciência de opinião:</p>
<p>Qual é o desmatamento que teria ocorrido na Amazônia Ocidental se o PIM não existisse?</p>
<p>Isso exige um desenho técnico em três camadas:</p>
<p>Camada A — O contrafactual (o “mundo sem o PIM”)</p>
<p>Criar cenários comparáveis usando:</p>
<ul>
<li>modelos econométricos (diferenças-em-diferenças; controles sintéticos)</li>
<li>séries históricas de emprego, renda, migração, ocupação territorial</li>
<li>comparação com regiões semelhantes sem um polo industrial equivalente</li>
</ul>
<p>Camada B — A evidência física (o que a floresta mostra do espaço)</p>
<p>Usar sensoriamento remoto (desmatamento, degradação, queimadas), integrando:</p>
<ul>
<li>padrões temporais</li>
<li>pressão de estradas e ramais</li>
<li>dinâmica de expansão agropecuária e ocupação irregular</li>
</ul>
<p>Camada C — A tradução climática (hectare → carbono)</p>
<p>Converter floresta preservada em CO₂ equivalente com metodologias reconhecidas, separando:</p>
<ul>
<li>desmatamento evitado</li>
<li>degradação evitada</li>
<li>incêndios evitados (quando houver robustez)</li>
</ul>
<p>O coração ético disso é a palavra que mais incomoda: atribuição.</p>
<p><strong>Não basta dizer “a floresta ficou”. É preciso provar quanto ficou por causa de uma arquitetura econômica específica.</strong></p>
<h3>O encontro decisivo: emissões industriais vs. “crédito territorial” de preservação</h3>
<p>Uma vez estimadas as emissões evitadas atribuíveis ao PIM, vem o confronto que muda o jogo:</p>
<ul>
<li>Emissões do PIM (energia, combustíveis, processos)versus</li>
<li>Emissões evitadas pela floresta preservada por efeito indireto do PIM</li>
</ul>
<p>Se — e somente se — as emissões evitadas superarem as emissões geradas, abre-se a hipótese pública:</p>
<p>o PIM não apenas “reduz desigualdade”: ele pode operar como um mecanismo líquido de proteção climática.</p>
<p>E isso tem uma consequência brutal para o debate nacional:</p>
<p><strong>o Polo Industrial deixaria de ser tratado como “custo fiscal” e passaria a ser reconhecido como ativo climático estratégico do Brasil.</strong></p>
<h3> O antídoto contra o greenwashing: governança, auditoria e transparência</h3>
<p>Se o PIM quiser falar em neutralização, precisa fazer do rigor sua linguagem. Isso implica:</p>
<ul>
<li>um consórcio técnico independente (academia, institutos, auditorias climáticas)</li>
<li>protocolos públicos de cálculo e revisão</li>
<li>critérios explícitos de:
<ul>
<li>adicionalidade (só conta o que não ocorreria sem o PIM)</li>
<li>vazamento (se o desmatamento “migra”, o crédito diminui)</li>
<li>permanência (o que se preserva precisa permanecer)</li>
<li>incerteza (intervalos, margens, prudência)</li>
</ul>
</li>
</ul>
<p><strong>O PIM não precisa de propaganda. Ele precisa de uma contabilidade moral e científica.</strong></p>
<h3>O horizonte: do “PIM econômico” ao “PIM climático”</h3>
<p>Se o Amazonas — e suas entidades, universidades, centros de pesquisa, instituições de inovação — construírem essa demonstração, o Brasil ganhará algo que hoje não tem:</p>
<ul>
<li>um caso real de industrialização amazônica com racionalidade climática</li>
<li>uma narrativa internacional baseada em método, não em retórica</li>
<li>um caminho para financiamento climático sério, com credibilidade e lastro</li>
</ul>
<p>E, internamente, o País será obrigado a encarar a pergunta que sempre evitou:</p>
<p>quanto custa desindustrializar a Amazônia — em desmatamento, carbono e violência econômica?</p>
<h3>Em outras palavras: </h3>
<h3>a pergunta que reorganiza o mapa mental do Brasil<br /></h3>
<p>O Brasil está acostumado a medir fábricas pelo que emitem.</p>
<p>Talvez esteja na hora — com coragem técnica — de medir fábricas também pelo que evitam.</p>
<p>Porque, no fundo, a Amazônia não precisa apenas de guardiões armados.</p>
<p>Ela precisa de alternativas econômicas lícitas tão fortes que tornem a derrubada um mau negócio.</p>
<p>E então o mote volta — não como provocação, mas como agenda nacional:</p>
<p><strong>o que significaria demonstrar, com ciência e transparência, que o PIM neutraliza — por preservação indireta — o carbono que emite?</strong></p>
<p>Significaria isto:</p>
<p><strong>que, no coração da floresta, o Brasil já possui uma política ambiental de alto impacto — e ainda não a tratou como tal.</strong></p>
<p><strong><br /></strong></p>
<p><strong>(</strong><i>*) Follow Up é publicada no Jornal do Comércio do Amazonas às quartas, quintas e sextas feiras sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, editor do portal  </i></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A ciência anuncia as “secas quentes” e sugere logística da sobrevivência na Amazônia</title>
		<link>https://cieam1.websiteseguro.com/a-ciencia-anuncia-as-secas-quentes-e-sugere-logistica-da-sobrevivencia-na-amazonia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Jan 2026 19:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna do Cieam]]></category>
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					<description><![CDATA[Um artigo recém-publicado na Nature cruza três camadas de evidência — décadas de monitoramento florestal, medições ecofisiológicas em secas reais (2015 e 2023) e projeções climáticas calibradas — para afirmar algo que a Amazônia já começou a sentir: o futuro não será apenas mais quente;...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Um artigo recém-publicado na Nature cruza três camadas de evidência — décadas de monitoramento florestal, medições ecofisiológicas em secas reais (2015 e 2023) e projeções climáticas calibradas — para afirmar algo que a Amazônia já começou a sentir: o futuro não será apenas mais quente; será mais extremo. Em Manaus, o estudo projeta crescimento de dias de secura atmosférica extrema, concentrados no fim da estação seca. O resultado é inequívoco: logística inteligente deixou de ser eficiência; virou política de vida.</em></p>
<p>07/01/2026 15:55</p>
<p><strong><em>“O artigo afirma, sem ornamentação: as secas quentes de hoje são precursoras do clima emergente. O presente funciona como laboratório do futuro. E esse futuro, se confirmado em trajetória de altas emissões, eleva o risco de declínio florestal em larga escala — porque os limiares críticos seriam cruzados com mais frequência durante meses típicos da estação seca”</em></strong></p>
<p><em><strong>Um <a href="https://www.nature.com/articles/s41586-025-09728-y" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo recém-publicado na Nature</a> cruza três camadas de evidência </strong>— décadas de monitoramento florestal, medições ecofisiológicas em secas reais (2015 e 2023) e projeções climáticas calibradas — para afirmar algo que a <strong><a href="https://brasilamazoniaagora.com.br/assuntos/amazonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Amazônia </a></strong>já começou a sentir: o futuro não será apenas mais quente; será mais extremo. Em Manaus, o estudo projeta crescimento de dias de secura atmosférica extrema, concentrados no fim da estação seca. O resultado é inequívoco: logística inteligente deixou de ser eficiência; virou política de vida.</em></p>
<h3><strong>O estudo é diferente: ele não “opina”, ele demonstra</strong></h3>
<p>Sejam sempre bem-vindos os textos científicos que informam e sejam lidos e debatidos os textos científicos que mudam o estatuto do risco. Este é do segundo tipo.</p>
<p>O trabalho parte de um diagnóstico direto: secas nos trópicos já estão se tornando mais intensas e, sobretudo, ocorrendo sob temperaturas mais altas. A combinação — seca + calor — é chamada de hot droughts: secas “quentes”, que empurram a floresta para condições sem paralelo no presente. </p>
<p>O peso do artigo não está na retórica: está no método. Ele costura o passado (registro longo), o presente (mecanismo medido durante a crise) e o futuro (projeção calibrada para extremos). É assim que a ciência deixa de ser “alerta” e vira evidência operacional.</p>
<h3><strong>Três camadas de rigor: do tronco ao satélite, do sensor ao modelo</strong></h3>
<h4><strong>1) Décadas de floresta observada em campo</strong></h4>
<p>O estudo se apoia em um registro de longo prazo com acompanhamento anual de dinâmica florestal — crescimento e mortalidade — permitindo identificar como eventos de seca intensa se traduzem em mortalidade, com ênfase em grupos funcionais mais vulneráveis. Essa camada é o antídoto contra conclusões apressadas: ela diz o que muda quando o extremo deixa de ser exceção. </p>
<h4><strong>2) O mecanismo do colapso, medido durante as secas de 2015 e 2023</strong></h4>
<p>A segunda camada é a mais decisiva: o estudo mede, durante secas reais, o ponto em que a floresta “muda de marcha”. As medições ecofisiológicas identificam um limiar de umidade do solo a partir do qual a transpiração cai rapidamente — e, a partir daí, cada dia sem chuva não é apenas incômodo: é aceleração de risco, com aumento do potencial de mortalidade por falha hidráulica e por “fome de carbono” (carbon starvation). </p>
<h4><strong>3) Projeções climáticas que olham para extremos, não só para médias</strong></h4>
<p><strong><em></em></strong>A terceira camada é onde a previsão ganha gravidade institucional: o estudo usa projeções climáticas (incluindo ensembles) para mostrar que, sob cenários de altas emissões, grandes áreas de floresta podem migrar para um estado climático mais quente — descrito como “hipertropical” — e que, nesse regime, condições típicas da estação seca excederiam com mais frequência os limiares associados à mortalidade na seca. </p>
<h3><strong>O indicador que transforma clima em risco logístico: a “sede do ar”</strong></h3>
<p>O mapa do futuro – a Figura 5 do estudo (imagem a seguir) – é preocupante para Manaus — e, por extensão, para a engrenagem logística do Amazonas.</p>
<p>Ela projeta o aumento, até 2100, do número de dias extremos de VPD (déficit de pressão de vapor). Em linguagem simples: VPD é a sede do ar. Quando o VPD sobe, o ar exige água — do solo, das plantas, dos sistemas. É o tipo de estresse que não “atrapalha”; ele cobra. </p>
<p>A figura 5 traz dois golpes de realidade:</p>
<ul>
<li>o total anual de dias extremos tende a crescer ao longo do século em diferentes cenários;</li>
<li>e o gráfico mensal (inserido) mostra concentração desses extremos no fim da estação seca.</li>
</ul>
<p> A <strong><a href="https://brasilamazoniaagora.com.br/assuntos/amazonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Amazônia </a></strong>sempre conviveu com vazante. O que o estudo sugere é outra coisa: uma vazante sob um ar mais seco e mais quente — isto é, uma vazante com menos margem de erro. </p>
<h3><strong>A gravidade da previsão: a “janela do futuro” já abriu</strong></h3>
<p>O artigo afirma, sem ornamentação: as secas quentes de hoje são precursoras do clima emergente. O presente funciona como laboratório do futuro. E esse futuro, se confirmado em trajetória de altas emissões, eleva o risco de “dieback” — declínio florestal em larga escala — porque os limiares críticos seriam cruzados com mais frequência durante meses típicos da estação seca. </p>
<p><strong>Esta é a frase que deveria orientar governos e cadeias produtivas:</strong> <strong>não se trata de um evento isolado; trata-se de repetição.</strong></p>
<p>Repetição é o nome operacional do desastre.</p>
<h3><strong>A ponte que o Estado precisa fazer: floresta, cidade e abastecimento são o mesmo sistema</strong></h3>
<p>Na Amazônia, o rio é estrada. Quando a estrada falha, falha junto o que mantém a vida em pé: remédio, alimento, combustível, insumos hospitalares, mobilidade do trabalho, presença do poder público no interior.</p>
<p>A ciência está dizendo que os extremos que ampliam o estresse do sistema biofísico tendem a se tornar mais frequentes. A política precisa dizer o seguinte, com coragem:</p>
<p><strong>logística não é custo. Logística é proteção.</strong></p>
<h3><strong>Recomendações de providências: um pacote mínimo para não governar o colapso</strong></h3>
<p>O estudo não é um plano de governo — mas ele obriga a existência de um plano de governo. Se o risco climático ganha assinatura estatística e fisiológica, a resposta deve virar infraestrutura, protocolo e comando.</p>
<p><strong>Calendário oficial de risco (set–nov)</strong></p>
<p>Instituir o “trimestre crítico” como temporada de risco logístico-climático, com gatilhos de ação (estoque, transporte, saúde, defesa civil).</p>
<p><strong>Centro de inteligência hidroclimática com boletim operacional</strong></p>
<p>Unir níveis de rios, previsões, seca atmosférica (VPD) e risco de interrupção logística em boletins acionáveis, não acadêmicos.</p>
<p><strong>Estoques-pulmão regionais de itens vitais</strong></p>
<p>Medicamentos essenciais, oxigênio, alimentos básicos, combustível e insumos hospitalares: estoque antes da janela fechar, não depois do desabastecimento estourar.</p>
<p><strong>Hierarquia pública de cargas em crise</strong></p>
<p>Protocolos transparentes: vida (saúde/alimento/água/energia) primeiro; o resto depois. Em crise, “mercado” sem regra vira seletor de sofrimento.</p>
<p><strong>Portos e transbordos preparados para vazante dura</strong></p>
<p>Modularidade, transbordo, gestão de calado e retroárea para evitar o colapso por concentração de demanda.</p>
<p><strong>Rotas multimodais de contingência para carga crítica</strong></p>
<p>Hidrovia + rodovia + aviação regional, com contratos e planos definidos antes do pico.</p>
<p><strong>Logística humanitária permanente para comunidades isoladas</strong></p>
<p>Mapeamento de vulnerabilidade, rotas, responsáveis, kits e tempo de resposta padronizado — para não depender do improviso.</p>
<p><strong>Painel público de navegabilidade, prazos e gargalos</strong></p>
<p>Transparência reduz especulação e permite coordenação social. Em crise, informação é infraestrutura.</p>
<p><strong>Simulações anuais do trimestre crítico</strong></p>
<p>Exercícios de mesa e de campo: abastecimento, saúde, energia, comunicação e transporte. Uma região que vive de rio precisa treinar o “dia em que o rio não responde”.</p>
<p><strong>Comando integrado de crise com decisão rápida</strong></p>
<p>Semitom não serve: é preciso governança com atribuições claras e capacidade de executar.</p>
<h3><strong>Em suma: ou planejamos, ou naturalizamos o colapso</strong></h3>
<p>O artigo da Nature não oferece conforto. Ele oferece a coisa mais rara: responsabilidade com prova.</p>
<p>Ele reúne registro de longo prazo, identifica mecanismos durante secas reais e projeta aumento de extremos climáticos que podem empurrar a floresta e as cidades para um regime de risco mais frequente. </p>
<p>A Amazônia não pode virar um território intermitente — “ligado” na cheia e “desligado” na vazante. Se o ar endurece e a estrada some, a resposta tem de ser do tamanho do problema.</p>
<p><strong></strong><strong>Logística inteligente é o nome técnico da sobrevivência.</p>
<p><em>(*) Coluna Follow Up é publicada pelo Jornal do Comércio às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação o editorial do Alfredo Lopes, editor do BrasilAmazoniaAgora</em><span class="redactor-invisible-space"></span></strong></p>
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		<item>
		<title>Amazônia sob ataque: a retórica fiscal e a cegueira estratégica de quem finge não ver o Brasil que trabalha</title>
		<link>https://cieam1.websiteseguro.com/amazonia-sob-ataque-a-retorica-fiscal-e-a-cegueira-estrategica-de-quem-finge-nao-ver-o-brasil-que-trabalha/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Jul 2025 11:47:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna do Cieam]]></category>
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					<description><![CDATA[“A narrativa do “ventilador no meio da selva” é uma construção simbólica colonial que visa nos manter no papel de fornecedor de recursos brutos, sem voz, sem valor e sem soberania”. 09/07/2025 07:47 “A narrativa do “ventilador no meio da selva” é uma construção simbólica...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>“A narrativa do “ventilador no meio da selva” é uma construção simbólica colonial que visa nos manter no papel de fornecedor de recursos brutos, sem voz, sem valor e sem soberania”.</em></p>
<p>09/07/2025 07:47</p>
<p><strong></strong><em><strong>“A narrativa do “ventilador no meio da selva” é uma construção simbólica colonial que visa nos manter no papel de fornecedor de recursos brutos, sem voz, sem valor e sem soberania”.</strong></em></p>
<p>Enquanto a <a href="https://brasilamazoniaagora.com.br/assuntos/amazonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Amazônia </a>real respira à base de suor, <a href="https://brasilamazoniaagora.com.br/assuntos/inovacao-2/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">inovação </a>e resistência, a elite fiscal do asfalto — empoleirada em gabinetes climatizados e colunas de opinião no eixo Sul-Sudeste — lança seus veredictos sobre a <a href="https://brasilamazoniaagora.com.br/assuntos/zfm/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Zona Franca de Manaus</a> sem jamais pisar no chão da floresta ou no asfalto quente do Distrito Industrial.</p>
<p>A mais recente manifestação partiu da colunista Maria Carolina Gontijo, que se autodenomina Duquesa de Tax, em programa do Estadão no qual, com ironia e aparente autoridade, rotulou o Polo Industrial de Manaus como um <a href="https://www.estadao.com.br/tv/economia/quais-sao-os-cinco-principais-incentivos-fiscais-do-brasil-a-duquesa-de-tax-explica/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“oásis fiscal cercado por floresta, logística cara e lobby fortíssimo”.</a></p>
<p><em><strong></strong></em>É importante deixar claro: não se trata aqui de confrontar a colunista em sua condição ou estilo. Toda voz merece respeito. Mas o que se impugna é o conteúdo — frágil, desinformado e perigoso — de uma crítica que perpetua preconceitos históricos contra a Amazônia produtiva. Quando a sátira fiscal escorrega para a caricatura da ignorância, resta-nos responder com dados, Constituição e compromisso com a verdade.</p>
<h3>Amazonas arrecada, sim — e muito</h3>
<p>Segundo dados públicos, o <a href="https://brasilamazoniaagora.com.br/assuntos/amazonas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Amazonas </a>é o estado que mais arrecada tributos federais per capita entre todos os do Norte e Nordeste. Supera Bahia, Ceará, Pernambuco e Maranhão. Arrecada mais por habitante. Como pode, então, ser tratado como parasita fiscal?</p>
<p>A Zona Franca de Manaus não é uma ilha de isenções, mas um arranjo produtivo constitucional que responde por mais de 500 mil empregos diretos e indiretos, financia a maior universidade multicampi do Brasil (UEA), evita o desmatamento e representa uma das poucas iniciativas brasileiras eficazes de descentralização econômica.</p>
<h3>O truque da planilha rasa: o falso custo da ZFM</h3>
<p>A Constituição de 1988, em seu artigo 165, §6º, determina que o projeto de lei orçamentária venha acompanhado de um demonstrativo regionalizado dos efeitos de incentivos e isenções. Mas em nenhum momento afirma que esses efeitos devam ser negativos, ou mesmo vinculados ao mesmo imposto isentado.</p>
<p>Mesmo assim, a Receita Federal utiliza uma estimativa de “gasto tributário” baseada em um cálculo fictício — uma “conta gráfica” que imagina quanto se arrecadaria se a ZFM não existisse, ignorando:</p>
<ul>
<li>o efeito cruzado, em que a redução de um tributo aumenta a arrecadação de outros;</li>
<li>e o aumento de base, que ocorre quando há mais circulação de bens, mais empregos e mais atividade econômica.</li>
</ul>
<p>O autor do gráfico que descreve os gastos fiscais talvez seja o mesmo servidor da Receita que criou a DIRB — uma declaração obrigatória que transfere ao contribuinte a responsabilidade de estimar sua renúncia fiscal, invertendo perversamente o ônus da prova. E muitos a preenchem de boa-fé, sem perceber que estão ajudando a alimentar uma ficção que é usada nos ataques injustos e maledicentes. </p>
<h3>Custo real? Vamos falar dele com seriedade</h3>
<p>A crítica que acusa a <a href="https://brasilamazoniaagora.com.br/assuntos/zfm/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ZFM </a>de ser “onerosa” não considera que o Simples Nacional consome R$ 128 bilhões em renúncia fiscal, cinco vezes mais que os R$ 26 bilhões estimados para o modelo amazônico. Também se esquece dos subsídios dados a latifúndios improdutivos, fundos especulativos e grandes corporações do centro do país.</p>
<p>O verdadeiro custo para o Brasil está em negligenciar o modelo que protege a floresta, evita migrações em massa, combate o narcogarimpo e garante dignidade à população do Norte. A narrativa do “ventilador no meio da selva” é uma construção simbólica colonial que visa nos manter no papel de fornecedor de recursos brutos, sem voz, sem valor e sem soberania.</p>
<h3>A blindagem não é política — é resistência histórica</h3>
<p>A colunista sugere que a Zona Franca sobrevive por blindagem política. Na realidade, o modelo resiste apesar da negligência federal desde sempre, da insegurança jurídica, das tentativas recorrentes de esvaziamento e da incompreensão institucional sobre seu valor geoestratégico. O que mantém a <a href="https://brasilamazoniaagora.com.br/assuntos/zfm/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ZFM </a>viva é a resiliência das pessoas, das empresas e das instituições que nela acreditam.</p>
<h3>À Duquesa, nossa deferência. À crítica sem base, nossa resposta firme.</h3>
<p>Maria Carolina Gontijo merece o respeito de todo o debate público. Mas sua crítica, neste caso, é menos um exercício de jornalismo investigativo e mais um ato de reprodução acrítica dos mitos de planilha. A narrativa do “ventilador no meio da selva” é uma construção simbólica colonial que visa nos manter no papel de fornecedor de recursos brutos, sem voz, sem valor e sem soberania.</p>
<p>Mitos que alimentam a desigualdade histórica entre o Brasil “bacana” e o Brasil que sua a camisa — e ainda por cima sustenta a arrecadação.</p>
<p>Por isso, resistimos.</p>
<p>Não com ressentimento, mas com trabalho. Com produção <a href="https://brasilamazoniaagora.com.br/assuntos/industria/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">industrial </a>de base limpa, com floresta em pé, com universidades em expansão e com arrecadação digna. Nosso compromisso é com um Brasil inteiro — e não apenas com suas coberturas editoriais.</p>
<p>Que venham as críticas, mas que venham com coragem, com verdade e com o mínimo de justiça fiscal. </p>
<p><em>(*) Coluna Follow Up é publicada pelo Jornal do Comércio às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação o editorial do Alfredo Lopes, editor do BrasilAmazoniaAgora</em></p>
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		<title>Ciência, Inovação e Empreendedorismo para uma Amazônia Sustentável &#8211; A Universidade como arquiteta da prosperidade</title>
		<link>https://cieam1.websiteseguro.com/ciencia-inovacao-e-empreendedorismo-para-uma-amazonia-sustentavel-a-universidade-como-arquiteta-da-prosperidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Jul 2025 12:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna do Cieam]]></category>
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					<description><![CDATA[(*) Coluna Follow Up é publicada pelo Jornal do Comércio às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação o editorial do Alfredo Lopes, editor do BrasilAmazoniaAgora 02/07/2025 08:44 Do financiamento industrial à vocação regional: o papel da universidade pública na...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>(*) Coluna Follow Up é publicada pelo Jornal do Comércio às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação o editorial do Alfredo Lopes, editor do BrasilAmazoniaAgora</em></p>
<p>02/07/2025 08:44</p>
<p>Do financiamento industrial à vocação regional: o papel da universidade pública na formação de empreendedores da floresta, articulando conhecimento, território e futuro.</p>
<p>A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) é muito mais que uma instituição de ensino: é uma engenharia social viva. Sua capilaridade territorial, com presença em todos os municípios do Amazonas, e sua base de financiamento vinculada à indústria da Zona Franca de Manaus a colocam como eixo central de um projeto realista e transformador de desenvolvimento regional. O que está em jogo é a reintegração produtiva da juventude amazônica — das margens urbanas às calhas dos rios — num processo de afirmação cidadã, emancipação econômica e enraizamento cultural.</p>
<p><strong>Reintegrar juventudes, reconstruir futuros</strong></p>
<p>A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) é muito mais que uma instituição de ensino: é uma engenharia social viva. Sua capilaridade territorial, com presença em todos os municípios do Amazonas, e sua base de financiamento vinculada à indústria da Zona Franca de Manaus a colocam como eixo central de um projeto realista e transformador de desenvolvimento regional. O que está em jogo é a reintegração produtiva da juventude amazônica — das margens urbanas às calhas dos rios — num processo de afirmação cidadã, emancipação econômica e enraizamento cultural.</p>
<p><strong>A indústria financia. A universidade transforma.</strong></p>
<p>A UEA é sustentada pelos recursos oriundos do Polo Industrial de Manaus, que responde por cerca de 30% do PIB da Região Norte. Este elo financeiro não é apenas contábil, mas ético. “O pacto social que financia a universidade exige, em contrapartida, uma atuação propositiva que devolva à sociedade soluções de pertencimento, geração de renda, inovação local e cuidado ambiental aos nossos jovens”, insiste o reitor da UEA, André Zogahib. É nesse sentido que a universidade se torna também uma arquitetura de prosperidade — onde o saber gera sentido, oportunidade e cidadania.</p>
<p><strong>Empreendedorismo de propósito: o futuro como vocação</strong></p>
<p>A parceria com o SEBRAE, materializada no Workshop Empretec Urbano, representa uma virada de chave. Trata-se da maior metodologia de formação de empreendedores do mundo, implantada no Brasil sob exclusividade do SEBRAE e com forte presença na UEA em 2025. O programa é uma imersão comportamental de 60 horas, com critérios seletivos rigorosos e entrevistas realizadas por inteligência artificial, voltado à formação de jovens com perfil empreendedor, identidade regional e responsabilidade socioambiental.</p>
<p>Mais do que capacitar tecnicamente, o Empretec desperta três dimensões fundamentais:</p>
<ul>
<li>Autoidentificação — resgate da autoestima e da vocação interior;</li>
<li>Ancestralidade — conexão com a cultura dos saberes da floresta;</li>
<li>Inserção produtiva — aproximação com cadeias sustentáveis e oportunidades reais de negócios.</li>
</ul>
<p><strong>Das calhas dos rios aos bairros das periferias: o desafio da acessibilidade</strong></p>
<p>Que propostas temos para os jovens das calhas dos rios, onde a renda é escassa e a logística é um desafio cotidiano? E para a juventude da periferia de Manaus, onde quem multa contra o relógio do transporte precário no bairro do Brasileirinho sonha com uma qualificação que permita emprego digno ou, melhor ainda, um negócio enraizado na ética amazônica?</p>
<p>É com esse horizonte que a UEA, por meio da AGIN, e o SEBRAE estruturam novas estratégias:</p>
<ul>
<li>Interiorização das tecnologias sociais, com formação presencial nos campi e oficinas em comunidades;</li>
</ul>
<ul>
<li>Adensamento das cadeias produtivas regionais, com estímulo ao empreendedorismo em alimentos regionais, turismo de base comunitária, fitoterápicos, biojoias, resíduos recicláveis e soluções de energia limpa;</li>
<li>Criação de redes de apoio e mentoria, com grupos no WhatsApp, entrevistas guiadas por IA e certificação nacional emitida pelo Sistema Empretec.</li>
</ul>
<p><strong>A universidade como ponte entre saberes e setores</strong></p>
<p>A UEA precisa ser o elo de confiança entre o mundo ancestral e o mundo que virá. Um elo entre o saber ribeirinho e a propriedade intelectual global. Entre a oralidade da floresta e os algoritmos da inteligência artificial. Entre a biodiversidade amazônica e os bioativos do mercado cosmético, farmacêutico e alimentar.</p>
<p><strong>Prosperidade é um verbo coletivo</strong></p>
<p>A universidade não pode ser uma torre de marfim. Ela precisa ser um pé na lama e outro no laboratório. Uma mão no teclado e outra na canoa. Um projeto coletivo de reencantamento da Amazônia com base no conhecimento, na inclusão e na sustentabilidade.</p>
<p>A Agência de Inovação da UEA está pronta para esse chamado. Queremos formar empreendedores que não apenas abram negócios, mas abram caminhos. Queremos que a ciência fale a língua da floresta. E que o empreendedorismo se curve diante da ética da sustentabilidade</p>
<p><em>(*) Coluna Follow Up é publicada pelo Jornal do Comércio às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação o editorial do Alfredo Lopes, editor do BrasilAmazoniaAgora</em></p>
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		<title>Série: De costas para a Amazônia</title>
		<link>https://cieam1.websiteseguro.com/serie-de-costas-para-a-amazonia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Jun 2025 19:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna do Cieam]]></category>
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					<description><![CDATA[“O Brasil nasceu de costas para o interior”. 26/06/2025 15:28 “O Brasil nasceu de costas para o interior”. Sérgio Buarque de HolandaPor Alfredo Lopes e Maurício Loureiro, articulistas do portal Brasil Amazônia Agora – Follow Up Especial &#8211; Série: De costas para a Amazônia EPISÓDIO...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>“O Brasil nasceu de costas para o interior”.</em></p>
<p>26/06/2025 15:28</p>
<p><em>“O Brasil nasceu de costas para o interior”.</em> Sérgio Buarque de Holanda<br /><strong>Por Alfredo Lopes e Maurício Loureiro, articulistas do portal Brasil Amazônia Agora –<br />
Follow Up Especial &#8211; Série: De costas para a Amazônia<br /></strong></p>
<p>EPISÓDIO 1 — A OMISSÃO COMO MÉTODO</p>
<p>Uma política de contenção disfarçada de austeridade: esta é uma descrição adequada ao modo como o Brasil olha para a Amazônia desde a Cabanagem, na primeira metade do Século XIX. Nas últimas décadas, em virtude de um ambientalismo estéril e da ausência de propostas focadas na sustentabilidade, a Amazônia é tratada como um território que deve ser “preservado” — não por quem a vive e estuda, mas por quem a teme. </p>
<p>A política de contenção da região não se apresenta como tal. Ela se esconde por trás de argumentos técnicos, estudos de impacto, ajustes fiscais, cortes orçamentários. Mas no fundo, é um pacto de silêncio e paralisia orquestrado em Brasília, e devidamente nutrida pela mídia bancada pelo rentismo. E o projeto é impedir que a Amazônia cresça com autonomia, tecnologia e cidadania econômica.</p>
<p><strong>Ciência como resistência, não como prioridade</strong></p>
<p>Nas instituições de pesquisa e desenvolvimento da região, como a UFAM, UEA e em redes como o Bionorte, ou de pesquisas temáticas, como INPA, Emilio Goeldi e Embrapa, o que se vê é um esforço heroico de resistência. Temos caso de doutorandos ensinando inovação tecnológica para mais de 160 alunos da Amazônia Legal. São startups como a Elevar Amazônia, desenvolvendo vinagre de cupuaçu em meio à precariedade estrutural. É ciência feita à unha, com paixão, criatividade — e quase nenhum suporte ou articulação com um projeto de médio ou longo prazo. E tudo isso à margem de uma infraestrutura que não contribui com a Amazônia com programas ou modelagens que adotem sustentabilidade como paradigma.</p>
<p><strong>A boca e o trombone</strong></p>
<p>Na última reunião do CODAM, o Conselho de Desenvolvimento do Amazonas, o secretário de Ciência e Tecnologia, Serafim Corrêa, denunciou o destrato. Ele tem sido um dos poucos a desnudar os mecanismos perversos dessa engrenagem sem nexo. Por exemplo, denuncia a cobrança em duplicidade do IPI — uma manobra indecente que infla artificialmente o custo dos produtos fabricados no Polo Industrial de Manaus – com dupla cobrança – e sustenta a narrativa falaciosa de que a ZFM representa um ‘rombo fiscal’. </p>
<p>“A renúncia fiscal da ZFM nunca ultrapassou 7% da arrecadação bruta”. Os gastos tributários da Receita são hilários para não dizer descabidos quando nos atribui o rombo fiscal. Os 93% restantes voltam ao Tesouro Nacional. Ainda assim, acusam-nos de onerar o país. Falácias baseadas em narrativas moralistas para camuflar outros propósitos de remover equipamentos da residência. Posturas assumidas as vezes por quem deveria defender o processo urgente da desigualdade regional.</p>
<p><strong>O método: sufocar para desacreditar</strong></p>
<p>Cortam verbas da ciência. Congelam investimentos em infraestrutura. Subestimam a inovação regional. Criminalizam os incentivos fiscais. E por fim, culpam a própria Amazônia por não ‘decolar’. Não é descaso. É método. Não é ignorância. É veto calculado. É o pacto cínico contra a Amazônia que dá certo — para eles. </p>
<p><strong>A contradição do momento: boas intenções, mãos atadas</strong></p>
<p>Desde a Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus tornou-se uma política de Estado — um compromisso federativo com a redução das desigualdades regionais. E, é justo reconhecer que o atual governo tem reiterado esse compromisso em fóruns estratégicos, reformas sensíveis e na retórica pública. No entanto, o que se impõe é um paradoxo cruel: falta base no Congresso, faltam recursos no orçamento, e falta força para transformar sinalizações em ações concretas. A consequência é clara: uma Amazônia com direito garantido, mas acesso bloqueado. E não é de hoje.<br /><strong><br />A separação necessária</strong></p>
<p>É hora de fazer uma distinção fundamental: o interesse da Amazônia transcende governos, partidos e ciclos eleitorais. A floresta em pé, produtiva e soberana, não é pauta de ocasião. É projeto de país. Precisamos tratá-la com essa grandeza. É preciso brasilidade no sentido da despolarização civil. Na interlocução sadia e na partilha das oportunidades. Aqui habitam as terras raras, não aquelas dos conflitos geopolíticos, mas mas da farmacologia integral, da nutracêutica da longevidade e na dermocosmética persistente. </p>
<p><strong>Mídia, lobby e invisibilidade induzida</strong></p>
<p>Enquanto isso, a mídia patrocinada pelos interesses do rentismo e do agronegócio expansionista e conservador — segue operando para silenciar a Amazônia pensante e produtiva. Não por acaso, foi justamente o setor agroexportador que, em governo recente, ensaiou transformar a floresta num roçadão — uma mega fazenda a serviço do latifúndio climático. </p>
<p>Urge dar nome aos bois do Brasil que nos quer calar. Este é um país que teme nosso êxito. Porque uma Amazônia bem-sucedida expõe o fracasso ético de um projeto de país que exclui para acumular e usufuir sem distribuir.</p>
<p><strong>Os dados falam por si.</strong></p>
<p>O Brasil centralizado quer permanecer de cócoras e de costas para a Amazônia porque não tem projeto de sustentabilidade e gestão inteligente. Aqui seguimos de pé e altivos. Olhamos para o futuro enquanto ousamos enfrentar a interlocução capenga do presente. Está na hora de virar a insensatez deste jogo de cartas viciadas.</p>
<p><em>(*) Coluna Follow Up é publicada pelo Jornal do Comércio às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação o editorial do Alfredo Lopes, editor do BrasilAmazoniaAgora</em></p>
<p></p>
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		<title>Uma janela para o futuro do Brasil, vista do coração da Amazônia</title>
		<link>https://cieam1.websiteseguro.com/uma-janela-para-o-futuro-do-brasil-vista-do-coracao-da-amazonia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jun 2025 12:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna do Cieam]]></category>
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					<description><![CDATA[(*) Coluna Follow Up é publicada pelo Jornal do Comércio às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação o editorial do Alfredo Lopes, editor do BrasilAmazoniaAgora 24/06/2025 08:40 Um convite para que o Brasil volte a olhar para si mesmo...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>(*) Coluna Follow Up é publicada pelo Jornal do Comércio às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação o editorial do Alfredo Lopes, editor do BrasilAmazoniaAgora</em></p>
<p>24/06/2025 08:40</p>
<p>Um convite para que o Brasil volte a olhar para si mesmo com mais confiança e menos preconceito.</p>
<p>Recentemente recebemos uma Press Trip, <a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/06/aqui-tudo-e-mais-caro-manauaras-pagam-mais-por-produtos-feitos-na-zona-franca.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">iniciativa do CIEAM que traz jornalistas nacionais à Manaus com o objetivo de apresentar o modelo Zona Franca de Manaus (ZFM</a>) e suas vantagens concretas para a região e para todo o país. Nesta oportunidade, os veículos Forbes, Exame, UOL, Folha de S. Paulo, O Globo, CBN e Correio Braziliense visitaram o Polo Industrial de Manaus a convite do CIEAM e registraram um ecossistema complexo, com tecnologia, pesquisa, trabalho duro e, com soluções — reais e urgentes — para os dilemas nacionais da industrialização, da inclusão e da transição energética.</p>
<p>O Polo Industrial de Manaus mostrou ser, aos olhos de quem aqui esteve, uma usina de resistência verde. Produzindo sem desmatar, gerando emprego onde a ausência do Estado ainda grita, e segurando a pressão migratória que incha periferias do Sul e Sudeste do país. Porque onde há indústria certificada. há dignidade, e onde há dignidade, há paz.</p>
<h3>Clima, propósito e reconexão</h3>
<p>A existência da indústria na <a href="https://brasilamazoniaagora.com.br/assuntos/amazonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Amazonia </a>desmonta narrativas fáceis, onde floresta é só contemplação e indústria é sinônimo de devastação. Não é. Na Amazônia, existe uma economia de baixíssimo <a href="https://brasilamazoniaagora.com.br/assuntos/carbono/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">carbono </a>funcionando. E precisamos falar disso com seriedade. A crise climática não nos dá tempo para ilusões. A temperatura sobe, os rios secam, o alimento encarece. Não se trata mais de “salvar a floresta” — trata-se de salvar a nós mesmos. E o Brasil tem, no coração verde do seu território, uma chave concreta para liderar uma nova economia planetária: aquela baseada na floresta em pé, na <a href="https://brasilamazoniaagora.com.br/assuntos/biodiversidade/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">biodiversidade</a>, no conhecimento e na engenharia da paz.</p>
<h3>Mais do que um polo: um projeto de Nação</h3>
<p>O Polo Industrial de Manaus não é um fim em si mesmo. É um laboratório de políticas públicas que funcionam. É o teste de que é possível conjugar soberania, inovação, floresta e inclusão. É a expressão de uma brasilidade que ainda acredita na industrialização como vetor de transformação social — não como repetição de um passado predatório, mas como ensaio de um futuro reconciliado com a natureza. Não se trata de defender privilégios. Trata-se de sustentar promessas. A promessa de que o Brasil pode ser um país desenvolvido sem renunciar à sua maior riqueza: sua natureza viva e o seu povo criativo.</p>
<h3>Convocação</h3>
<p>O que vimos nestes novos olhares externos foi um verdadeiro espelho. Um convite para que o Brasil volte a olhar para si mesmo com mais confiança e menos preconceito. Um chamado à reconexão com a <a href="https://brasilamazoniaagora.com.br/assuntos/amazonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Amazônia </a>— não como um enigma distante, mas como o lugar onde o futuro já começou. Precisamos de aliados. E precisamos, sobretudo, acreditar que a reconstrução do Brasil passa, necessariamente, por uma nova política industrial com consciência climática, com justiça regional e com visão de longo prazo. E isso já está sendo realizado na indústria da <a href="https://brasilamazoniaagora.com.br/assuntos/zfm/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Zona Franca de Manaus</a>.</p>
<p><em>(*) Coluna Follow Up é publicada pelo Jornal do Comércio às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação o editorial do Alfredo Lopes, editor do BrasilAmazoniaAgora</em></p>
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