Setor de bebidas sem data nobre



10/02/2021

Fonte: Jornal do Commercio

Por Andréia Leite

Osegmento de bebidas
no Estado apresentou queda em janeiro. O ritmo de
retração deve se manter em um
dos eventos importantes para
o setor, o Carnaval, suspenso
em decorrência da pandemia
do novo coronavírus. É o que
avalia o Sindicato da Indústria
de Bebidas do Amazonas.

Apesar de não mensurar o
percentual da retração, o representante do setor e presidente
do Sindicato da Indústria de
Bebidas do Amazonas, Luiz
Cruz, diz que a queda vem de
uma sequência de redução na
demanda que afeta o segmento
como um todo. “O que é óbvio.
E mesmo em queda, estamos
sobrevivendo”.

Um dos fatores associados à
queda é o isolamento social com
a limitação do funcionamento de supermercados, bares,
lanches e restaurantes, setores
que movimentam o mercado
de bebidas. “Os nossos clientes
são esses. Como vão comprar
se não tem faturamento, estão
fechados e alguns só delivery?”
Além disso, ele conta que o consumo individual teve menor
demanda e o comportamento
do consumo familiar também
sofreu uma alteração. O presidente do Sindicato lembra que
os meses de janeiro, fevereiro
e março historicamente, reforçam a retração no crescimento
do setor em relação ao último
trimestre do ano. “Abala muito
a situação. Esperamos reverter
o quadro em dois a três meses.
Estamos otimistas porque a vacina é a única esperança e ela
já chegou”.

Ele acredita que a ausência do Carnaval em 2021 vai
atingir vários nichos do setor,
principalmente os que atuam
no ramo de bebidas alcoólicas.
A percepção do representante
é reforçada por empresários
do ramo que estimam queda.

Volume menor
O cancelamento da folia de
Carnaval este ano, representa
prejuízos para o empresário
Jander Mota, dono de uma
distribuidora de bebidas, isso
porque no ano passado, com
as festas e blocos de rua a empresa teve um incremento de
20%. Segundo o empresário,
a procura é alta por todos os
tipos de bebidas. “Nós sabemos que nessa época o que movimenta o mercado é a cerveja,
principalmente para turma que
vai brincar o Carnaval nesses
espaços. Sem a festa o nosso
faturamento vai reduzir bastante. Mas entendemos que a
prioridade é a vida”, enfatiza
o empresário.

A festa é tida como um
dos pontos mais altos para o
movimento na distribuidora
do empresário Júnior Lima
que tem entre a clientela os
vendedores ambulantes que
adquirem os produtos para
revenda. “Vai ser bem difícil.
Todos os anos a nossa base de
lucro no Carnaval ultrapassa
os 20%. Muita gente aproveita
a época para ganhar um dinheiro extra com essa venda.
Mas a gente entende que o
cenário é outro, embora reconheçamos que as perdas serão
inevitáveis”.

Na mesma linha Rosilene
Martins e o esposo, sócios
de uma empresa de bebidas,
afirmam que o Carnaval eleva o consumo e incentiva o
mercado. “Queríamos ter uma
expectativa positiva, mas precisamos ser realistas. O que
a gente prevê é uma queda
expressiva de 100%”.

POR DENTRO

A Ambev explicou que assim
como diversos outros setores da
economia, o setor cervejeiro sofreu e vem sofrendo os impactos das medidas de isolamento
social e restrição do comércio.
A empresa informou que nesse
momento o foco deve ser na saúde
e segurança da população. “O
consumidor tende a ficar em casa,
mas consumindo, e é nosso papel
disponibilizar canais e conveniência para estimular esse consumo
em casa. Um exemplo bom disso é
o Zé Delivery, que teve um grande
ano e mais que dobrou de tamanho nos últimos meses. Vamos
continuar acelerando o app, e outros canais de venda, para garantir
que nossos produtos cheguem
aos consumidores mesmo sem
as festas de Carnaval”, diz a nota.

Iniciativa de doação

Sem Carnaval, a empresa convoca 20 mil ambulantes de todo
o Brasil para dar auxílio e oferece
oportunidade de renda extra.
Pela plataforma “Ajude um
Ambulante” e pelo aplicativo de
entrega de bebidas Zé Delivery,
ambulantes podem se cadastrar e
receber até R$ 255.
Em 2021 o Carnaval será diferente, sem festas, multidões e
blocos de rua, mas com muita
esperança.

A Ambev vai ajudar os
parceiros que sempre estiveram
nas ruas para matar a nossa sede
e ter uma folia mais alegre: os
ambulantes.
Sem poder contar com a renda
dos dias de Carnaval, a companhia
criou para eles, junto com o app Zé
Delivery, a plataforma “Ajude um
Ambulante”, um movimento para
apoiar os vendedores com um auxílio financeiro, diminuindo o impacto
das festas que não vão acontecer.
A expectativa é ajudar cerca
de 20 mil trabalhadores em todo
o Brasil, com um auxílio de até
R$ 255 para cada. Para isso, os
vendedores devem se cadastrar
na plataforma pelo site www.ajudeumambulante.com.br.

Com a aprovação do cadastro,
o ambulante recebe o valor de
R$ 150 e, também, um código
para distribuir a consumidores,
podendo receber R$ 5 a cada vez
que o código for utilizado no Zé
Delivery, com máximo de 20 usos
por ambulante.
Por fim, aqueles que fizerem
um curso profissionalizante sobre
consumo responsável de álcool
disponível na própria plataforma
vão receber R$ 5 extras
“Os ambulantes sempre estiveram com a gente e com os nossos consumidores nos Carnavais e
esse ano não podia ser diferente.

Estamos muito felizes de poder
ajudar quem sempre fez parte do
nosso ecossistema”, comenta Jean
Jereissati.

Carnaval sem folia, mas com
esperança

E, mesmo sem folia, não vai
faltar esperança. Na semana
passada a Ambev anunciou
outro destino para as caixas
térmicas usadas pelos vendedores ambulantes durante
os bloquinhos. 5 mil unidades
vão ser doadas para postos
de saúde do Brasil inteiro para
armazenar e transportar vacinas contra Covid-19.

As caixas
térmicas têm capacidade para
armazenar 3 milhões de doses
simultaneamente.

Nota

Na outra direção, o Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja), por meio
de nota, comunicou que a produção não foi afetada, presumindo que o mercado segue
normal.

“O Sindicato Nacional
da Indústria da Cerveja reafirma
o compromisso do setor com
iniciativas que, neste momento,
garantam a segurança da população. Diante das dificuldades impostas pela pandemia,
o setor vem se adequando às
novas demandas e modelos de
consumo. E, atenta às medidas
estabelecidas pelas autoridades sanitárias. A indústria cervejeira não teve comprometidas
suas atividades de produção,
distribuição ou comercialização
de produtos”.
Vale destacar que a indústria da cerveja, que representa
quase 2% do PIB nacional, é o
principal patrocinador das festas de Carnaval do país.






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