Projeto da LG passa tranquilo na reunião do Codam



30/04/2021

Fonte: Jornal do Commercio

Um dia depois do mal-estar
causado pela retirada do projeto da LG Eletronics da pauta do
CAS (Conselho de Administração da Suframa) – em função da
relação investimento/empregos
–, foi a vez da indústria incentivada se reunir em torno do Codam (Conselho de Desenvolvimento do Amazonas). Mas,
o evento da Sedecti (Secretaria
de Estado de Desenvolvimento
Econômico, Ciência, Tecnologia
e Inovação) ocorreu sem maiores incidentes, com a aprovação
da íntegra da pauta –inclusive
a proposta da multinacional
coreana.
Todos os 69 projetos apresentados passaram pelo crivo
dos conselheiros, com investimentos previstos próximos
aos R$ 15 bilhões –uma cifra
histórica, conforme avaliação
da própria Sedecti.

As propostas trazem também a perspectiva de abertura de 3.875 novos
postos de trabalho, nos próximos anos –além de outras 2.736
vagas que serão geradas pelo
reaproveitamento dentro das
próprias indústrias. O órgão salienta que os dados não levam
em consideração os efeitos indiretos em toda a cadeia de suprimento dos novos produtos.
Os destaques da pauta vieram das duas grandes multinacionais coreanas instaladas no
PIM: Samsung e LG, que responderam por 85% dos aportes. A primeira apresentou três
projetos de atualização para
produção de notebook, home
theater e smartphones, com
investimento total previsto em
R$ 8 bilhões (59,4% da pauta),
geração de 731 novos postos
de trabalho e remanejamento de outros 1.852.

A segunda
apresentou três projetos: dois
de diversificação (notebook,
microcomputador, monitor
LCD e projetor de vídeo) e um
de atualização (telas para TVs
e monitores de vídeo). O capital previsto é de R$ 3,8 bilhões
(25,8% da pauta), com previsão
de 240 novos empregos e o reaproveitamento de outros 230.
A pauta também incluiu
investimentos para o interior
do Estado. Em Iranduba, a
Juruá Estaleiro teve seu projeto
aprovado Ad Referendum, em
fevereiro de 2021. O empreendimento prevê R$ 24 milhões
para a produção de embarcações de transporte de pessoas e
de mercadorias, com 19 novos
postos de trabalho e o aproveitamento de outros 118 já existentes em outro parque fabril.
Humaitá vai contar com a Brazil Nuts, empresa que investe
na produção de castanha-do-
-Brasil desidratada.

A empresa
separou R$ 300 mil para injetar
no empreendimento, nos próximos três anos.
“Temos interesse que os
projetos que visam investimentos e, principalmente, empregos e renda, sejam aprovados.
A reunião é uma demonstração
de comprometimento do governo do Estado com o modelo
ZFM e com o desenvolvimento
dos municípios, uma vez que
temos projetos aprovados não
só para a capital, mas também
para o interior”, enfatizou o
governador Wilson Lima, em
texto distribuído pela Secom
(Secretaria de Comunicação
Social).

Decisão regimental

A aprovação do projeto
da LG veio acompanhada por
considerações em torno do incidente envolvendo a retirada
da mesma proposta da multinacional da pauta do CAS, no
dia anterior, por iniciativa do
titular da Secretaria Especial
de Produtividade, Emprego e
Competitividade do Ministério
da Economia, Carlos da Costa.

A justificativa apresentada pelo
representante de Brasília foi
que o número de empregos era
“desproporcionalmente baixo”
para o “volume de investimentos públicos realizados nele”.
“Embora tenhamos sido
pegos de surpresa com a retirada de pauta de um dos projetos, sabemos que a decisão
é regimental e que qualquer
conselheiro pode pedir vistas.
Entretanto, da maneira como
foi feita, nos surpreendeu. Não
esperávamos, uma vez que o
projeto já havia sido aprovado
em instâncias anteriores. É um
projeto de alta importância e
muito bem-vindo para o Estado do Amazonas”, enfatizou o
titular da Sedecti e vice-presidente do Codam, Jório Veiga.

O secretário estadual destacou ainda que o modelo proposto para a apresentação dos
projetos é “antigo” e precisa ser
atualizado, já que foca apenas
nos empregos criados no âmbito da fábrica, sem levar em
conta as vagas criadas ao longo de suas cadeias produtivas.
“Cada fábrica busca reduzir
custos, aproveitando sinergias
e oportunidades. O volume de
produção das nossas fábricas
não permite mais, queiramos
ou não, a produção manual da
maioria de seus produtos”, enfatizou, acrescentando que não
viu na decisão do titular da Sepec a intenção de brecar investimentos no Amazonas.

O superintendente da Suframa, Algacir Polsin, não pode
ir à reunião do Codam. Em
seu lugar, representando a autarquia federal, compareceu o
chefe de gabinete, coronel Rui
Pontes, que preferiu não se manifestar sobre a questão.
Procurado pela reportagem do Jornal do Commercio,
o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do
Amazonas), Wilson Périco, comemorou o saldo do encontro.

“Diferentemente da reunião do
CAS, a do Codam transcorreu
dentro da normalidade, com a
aprovação das regras estabelecidas pela legislação. Pela parte
do governo do Estado, os projetos foram aprovados e estão
aptos a serem iniciados pelas
empresas, gerando empregos
aqui”, asseverou.
Para o titular da Semtepi
(Secretaria Municipal do Trabalho, Empreendedorismo
e Inovação), Radyr Júnior, a
reunião foi uma “grande oportunidade” em um momento
de dificuldades e incertezas.
“Isso significa a manutenção e
a geração de milhares de novos
postos de trabalho, como almeja o prefeito de Manaus, David
Almeida”, afiançou.

Interiorização reforçada

Para o presidente da Faea
(Federação de Agricultura e
Pecuária do Estado do Amazonas), Muni Lourenço, a constante presença de projetos de
investimento que visam o interior do Estado nas pautas do
Codam, mostram que o governo estadual vem dando mais
importância para a agropecuária da região. O dirigente avalia que o Amazonas precisa ser
“mais igual” e os empreendimentos vêm nessa direção.

“Esses dois exemplos de
projetos de investimento aprovados hoje e que utilizam matéria- prima regional, como no
caso da castanha-do-Brasil,
mostra que nunca é demais
ressaltar essa busca de atividade econômica no interior. Temos um contingente significativo da população no interior
e precisamos diminuir esse
fosso, que é a distância econômico-social com a capital”,
reforçou.

Jório Veiga revelou que o
planejamento da Sepror (Secretaria de Estado de Produção
Rural) considera crescimento
de 6% para 12% da participação do setor agropecuário no
PIB, em dez anos. “Não se trata
de diminuir os outros segmentos, mas de crescer a agropecuária de maneira que possamos fazer crescer a riqueza do
Estado, com base nas ações do
governo, e usando esse bioma
da região que temos no Sul do
Estado, que é totalmente compatível e não desmata uma árvore sequer”, concluiu.