Produção de respiradores made in ZFM

10/04/2020

Fonte: Jornal do Commercio

Marco Dassori

A meta da Fieam (Federação das Indústrias
do Estado do Amazonas) é concluir,
até sábado (11), o protótipo de
respirador pneumáticos desenvolvido pelo Senai, com a parceria de fundações e empresas
privadas. A entidade informa
que já está contatando as empresas interessadas em adquirir
material e fazer a produção em
massa do aparelho no PIM.

A meta inicial é fabricar pelo
menos 1.000 respiradores para
abastecimento do Amazonas e,
mais adiante, expandir a escala
de fabricação para suprir outras
unidades federativas do país.
O vice-presidente da Fieam,
Nelson Azevedo informou ao
Jornal do Commercio que os
testes continuam, em trabalhos
ininterruptos –inclusive na Sexta-Feira Santa. A maior dificuldade é a falta de alguns insumos,
mas o dirigente estima que as
peças devem chegar a Manaus
neste fim de semana.

“Isso demonstra a importância do Polo Industrial de Manaus. É a nossa Zona Franca
contribuindo para o bem de nosso país. Estamos desenvolvendo
uma coisa que está faltando no
mundo inteiro e que só tem na
China. A equipe do Senai, juntamente com os técnicos da Transire, com o hospital da Sammel,
e com a FPF (Fundação Paula
Feitoza), estão participando desse esforço”, comemorou.

O protótipo de ventilador
mecânico hospitalar está sendo
desenvolvido por uma equipe
multidisciplinar de médicos
e pesquisadores que incluem
ainda o apoio do Cieam (Centro da Indústria do Estado do
Amazonas) e a colaboração direta da Jabil do Brasil Indústria
Eletroeletrônica Ltda e do INDT
(Instituto de Desenvolvimento
Tecnológico).

Segundo o vice-presidente
da Fieam, não deve ser difícil
conseguir empresas interessadas na montagem do aparelho,
dado que o nível de sofisticação
do projeto não será um impeditivo para os esforços. De baixo-custo e funcional, o protótipo
está sendo projetado com componentes acessíveis e fáceis de
serem encontrados e, conforme
Azevedo, “de uso industrial”.

“São principalmente componentes utilizados para refrigeração e ar-condicionado. Isso
tudo, junto com a parte plástica
também. Estamos pedindo apenas que, quando tudo estiver
pronto, o projeto não caia naquela malha burocrática governamental de certificações que
fazem você se perguntar se vai
dar tempo”, ponderou.

Salvando vidas
Em torno de 5% das pessoas
infectadas pela Covid-19 apresentam sintomas mais graves e
necessitam de internação hospitalar para cuidados intensivos. O ventilador mecânico é
um elemento fundamental na
estruturação de uma UTI, pois
auxilia as pessoas a respirarem
artificialmente, através do bombeamento de oxigênio.

Os protótipos desenvolvidos
complementam os modelos presentes nos hospitais de Manaus,
em quantidade limitada, garantindo amplo atendimento, caso
o número de pessoas infectadas
pelo Coronavírus continue
aumentando
nas próximas
semanas.

“ Nossos
melhores engenheiros e
pesquisadores estão integrados a uma
equipe médica
especializada.
(…) Somos focados na responsabilidade
social e acreditamos que é papel de todos encontrar meios de
ajudar a vencer essa crise, bem
como, salvar vidas. Sendo assim, queremos e faremos a nossa
parte, através desse projeto”,
reforçou o diretor-executivo da
FPF Tech, Luís Braga, em texto
divulgado pela assessoria de
imprensa da Fundação.

“Estamos todos empenhados, Senai, FPF Tech, UEA, para
termos o ventilador do Amazonas em totais condições de
funcionamento, para que possa ser produzido. A sociedade
reconhece e agradece a todas
as instituições envolvidas pelo
espírito solidário, pelo envolvimento e colaboração. Vai dar
certo”, emendou o presidente
do Cieam, Wilson Périco, no
mesmo texto.

Cooperação técnica
Outras fábricas do PIM também se somaram a esse esforço. Na semana passada, a Moto
Honda da Amazônia assinou
um termo de cooperação técnica
para o desenvolvimento do
protótipo de
respiradores
artificiais com
o Governo do
Amazonas e
a UEA (Universidade do
Estado do
Amazonas).

“ É uma
grande honra
poder contribuir positivamente com a
sociedade nesse período extremamente desafiador. A equipe
de trabalho está engajada em
absorver todo o conhecimento
técnico sobre esses equipamentos e, claro, poder agregar o conhecimento da Moto Honda no
desenvolvimento e fabricação,
para gerar uma contribuição
efetiva à sociedade”, pontuou
o vice-presidente Industrial da
Moto Honda da Amazônia, Julio Koga, em texto veiculado
pela assessoria de imprensa do
Cieam.

De acordo com Nelson Azevedo, todo o esforço está sendo
feito para que o Amazonas e
o Brasil consigam sair da crise
da Covid-19 o quanto antes. A
maior preocupação, segundo o
dirigente, é com a escalada do
desemprego e “’as dificuldades
que a população está passando”,
a despeito das iniciativas do governo federal para enfrentar a
crise.

“Sabemos que as arrecadações vão cair muito e temos
medo do que pode acontecer
em nosso Estado. Hoje, passei
a manhã toda em reunião para
saber como podemos colaborar.
Porque este não é um problema
meu, nem seu. Este é um momento em que temos que estar
juntos, procurando vencer essa
guerra contra esse nosso inimigo
invisível”, arrematou.

Acordo assinado

Em paralelo ao desenvolvimento do protótipo no Amazonas, e a diversos esforços
semelhantes em todo o país, o
Ministério da Saúde assinou,
na noite de terça (7), o primeiro
acordo com um fabricante nacional de respiradores hospitalares,
desde que a pandemia chegou
ao país. Numa força conjunta,
a Magnamed, responsável pelo
projeto, utilizará a capacidade
de produção em larga escala da
Flextronics, montadora internacional que normalmente atende
o mercado de telecomunicações
e tecnologia, para entregar 6.500
aparelhos até agosto, com expectativa de 2.000 unidades no
primeiro mês.

O valor do contrato não foi
revelado, mas calcula-se no mercado que cada respirador destes
fique entre R$ 50 mil e R$ 60
mil. Ambas as empresas têm
sede no Estado de São Paulo. O
ministério já havia comunicado
os principais fornecedores de
respiradores do país, em torno
de quatro empresas, segundo
informado pelo site de notícias
UOL.






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