Preparativos de uma queda anunciada

09/04/2020

Fonte: Jornal do Commercio

Marco Dassori

Em sintonia com o impacto da Covid-19 na
cadeia de suprimentos
global, a produção industrial do Amazonas voltou
a cair na passagem de janeiro
para fevereiro, após a elevação
da virada do ano. A manufatura
amazonense perdeu para a brasileira em praticamente todas as
comparações, a despeito de a
indústria nacional ter crescido
apenas na variação mensal. Os
dados estão na pesquisa mensal
do IBGE para o setor, divulgada
nesta quarta (8).

A atividade industrial amazonense recuou 2,2% em relação
a janeiro, comprometendo o ganho de um mês antes (+1,2%). A
queda registrada no confronto
com fevereiro de 2019 foi de 3%
e veio na contramão do desempenho do levantamento anterior (+4,4%). A manufatura do
Amazonas, contudo, seguiu no
azul na variação acumulada do
bimestre (+0,8%) e de 12 meses
(+4,7%).

O decréscimo mensal fez o
Estado despencar do 11º para
o penúltimo lugar entre as 14
unidades federativas pesquisadas mensalmente pelo IBGE,
em um mês em que a média
nacional apontou para uma alta
de 0,5%. O Amazonas ficou à
frente apenas da Bahia (-3,2%)
neste tipo de comparação e logo
atrás do Rio de Janeiro (-1%). Na
outra ponta, Pará (+7,2%), Espírito Santo (+5,9%) e Pernambuco
(+4,5%) encabeçaram a lista.

O tombo em relação a fevereiro de 2019 fez a indústria
amazonense cair da quarta para
a 11ª posição do ranking mensal do IBGE e em um patamar
bem aquém da média brasileira (-0,4%). Pernambuco (+6,7%),
Rio de Janeiro (+9,8%) e Pará
(-6,6%) alcançaram os melhores
resultados. Em contraste, os desempenhos mais baixos ficaram
em Minas Gerais (-6,3%), Espírito Santo (-4,5%) e São Paulo
(-3,1%), em um panorama de
cinco números negativos.

No acumulado do bimestre,
o Amazonas ficou em sétimo
lugar e bem à frente da média
nacional (-0,6%). Rio de Janeiro
(+9,7%), Pernambuco (+7,6%) e
Bahia (+5,8%) lideraram as estatísticas neste tipo de comparação, enquanto Espírito Santo
(-13,5%), Minas Gerais (-10,4%)
e Mato Grosso (-1,4%) ficaram
no rodapé de uma lista com seis
números negativos.

Condicionadores e bebidas
Apenas três das nove atividades da indústria local levantadas pelo IBGE tiveram bom
desempenho em relação ao mês
anterior. O maior número veio
de máquinas e equipamentos
(condicionadores de ar, com
+64,1%), seguido por bebidas
(+9,9%) e coque, de produtos
derivados do petróleo e de biocombustíveis (gás natural, com
+3,7%).

Os desempenhos negativos
se deram principalmente no subsetor de produtos de borracha
e de material plástico (-19,3%).
Na sequência, vieram indústria
extrativa (óleo bruto de petróleo,
com -13,6%), equipamentos de
informática, eletrônicos e ópticos
(celulares e computadores com
-12,5%), produtos de metal (lâminas, aparelhos de barbear e
estruturas de ferro, com -12,1%),
máquinas, aparelhos e materiais
elétricos (conversores, alarmes,
condutores e baterias, com
-11,7%), outros equipamentos de transporte (motocicletas, com
-9,1%) e impressão e reprodução
de gravações (DVDs e discos,
com -0,4%).

Coronavírus e base
Em sua análise para o Jornal
do Commercio, o supervisor de
disseminação de informações do
IBGE-AM, Adjalma Nogueira
Jaques, considerou que a retração registrada na passagem de
janeiro para fevereiro era algo
que já era esperado, dada a falta
de insumos em algumas atividades, em decorrência do estrangulamento logístico gerado pela crise da Covid-19. O recuo em
relação a fevereiro de 2019, por
outro lado, seria praticamente
inescapável dada a base de comparação mais forte (+7%).

“Em fevereiro, algumas indústrias estavam passando por
contingenciamento de matériaprima devido, as ocorrências do
coronavírus na Ásia. O impacto
no PIM pode se refletir em todas
as atividades, embora também
possa ser diferenciado, uma vez
que cada atividade tem sua característica de produção, venda
e distribuição. A indústria local
passa por um momento único e
não é possível fazer previsões. É
certo apenas que a pandemia vai
afetar a produção”, ponderou.

“Nova realidade”

O presidente do Cieam
(Centro da Indústria do Estado
do Amazonas), Wilson Périco,
lembrou a Jornal do Commercio
que o primeiro trimestre é um
período em que as empresas
tradicionalmente restabelecem
seus níveis de estoque para, a
partir de março, começarem a
trabalhar com mais intensidade
para atender a demanda do Dia
das Mães.

“Em março deste ano já estávamos sentindo os efeitos do
coronavírus na atividade. Um
mês antes, as empresas sinalizavam ficar sem insumos da China.
Logo depois, tivemos medidas
restritivas de fechamento do
comércio e isolamento social,
o que afetou o setor. Vamos
acompanhar, pois os resultados do setor neste ano devem
ser bem afetados pela Covid-19.
Mas, também será um ano de
aprendizado e estaremos mais
fortalecidos quando a pandemia passar, dentro de uma nova
realidade de fazer negócios”,
finalizou.






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