Postado em 17/04/2020 PIM renova agora paralisações
17/04/2020
Fonte: Marco Dassori
Sem luz no fim do túnel
da crise da Covid-19, as
indústrias do PIM que
aguardavam retomar as
atividades nesta semana resolveram estender suas paralisações. A lista inclui gigantes do
polo de duas rodas, como Honda, Yamaha, BMW e Harley
Davidson. Fabricantes do segmento eletroeletrônico, como
Samsung, LG, Technicolor e
TPV, retomaram os trabalhos,
mas não está excluída a hipótese de novas interrupções.
Não há levantamento oficial
sobre o número de empresas
que concederam férias coletivas e licenças. O Cieam (Centro da Indústria do Estado do
Amazonas) calcula que entre
16 e 20 estejam total ou parcialmente paradas. Já a Fieam
(Federação das Indústrias do
Estado do Amazonas) arrisca
dizer que o número é maior,
pois a lista incluiria também
todos os oito fabricantes do
polo relojoeiro e a maioria absoluta dos 20 componentistas
de material elétrico e metalurgia, entre outros.
As férias e licenças começaram na última semana de
março. Mantidas as condições
de fechamento do comércio e
bloqueio logístico a bens não
essenciais –em sintonia com a
curva de propagação da pandemia –, passados 30 dias,
as indústrias não terão outra
opção a não ser negociar com
os sindicatos laborais. Estarão
na mesa opções de prazo mais
estendido, como suspensão de
contrato de trabalho e redução
da carga horária com diminuição de salário, entre outros.
Nesta quarta (15), por meio
de nota à imprensa, a Moto
Honda da Amazônia anunciou
que vai estender a suspensão
das atividades até 4 de maio.
Os trabalhadores devem retornar das férias coletivas em 20
de abril e as horas não trabalhadas entre essa data e 3 de maio
serão acumuladas em banco de
horas. A empresa adotou home
office para seu setor administrativo, mas a fábrica mantém
contingente mínimo para “atividades imprescindíveis que
não podem ser realizadas a
distância”, com “medidas de
prevenção recomendadas pelas
autoridades de saúde”.
No mesmo dia, e também
por meio de comunicado à
imprensa, a Yamaha informou
que só retoma a produção a
partir de 30 de abril, “em
atendimento às medidas de
isolamento social em todo o
país, em virtude da pandemia
da Covid-19”. A montadora
acrescentou que novas medidas “serão informadas oportunamente”, assim que forem
definidas.
Já a BMW estima, também
por texto distribuído por sua
assessoria, retornar a suas linhas de produção a partir de 4 de maio, e informa que a
medida é “uma ação extra na
contingência contra o avanço
da Covid-19”.
Em Manaus, os
feriados de Sete de Setembro
e do Dia da
Consciência
Negra devem
ser antecipados para 23
e 24 de abril
e novas férias coletivas
serão concedidas entre
27 e 30 do
mesmo mês,
antecedendo
o feriado de
1º de Maio.
Mais lacônica e sem
mencionar
datas, a Harley Davidson
anunciou ,
igualmente por texto oficial
distribuído por sua assessoria,
que a produção da fábrica de
Manaus segue “suspensa temporariamente” e que a empresa
continuará monitorando a situação de perto, “com ajustes adicionais conforme necessário,
de acordo com as recomendações da OMS
(Organização
Mundial da
Saúde) e autoridades locais
de saúde”.
“Nova normalidade”
“Isso está
dentro daquilo que já falei.
Falta material,
h á excesso de estoques
e aumento
de casos de
contaminação . Tudo
isso, somado
ao isolamento
social, e com o comércio ainda fechado em praticamente
todo o país, não dá motivos
para retomar a atividade.
A Technicolor retornou, mas não
sei se manterá a atividade, por
essas razões. Vamos acompanhar”, lamentou o presidente
do Cieam, Wilson Périco, ao
Jornal do Commercio.
Na avaliação do dirigente,
o problema não é o período de
“parada”, uma vez que existem
ferramentas que “flexibilizam”
a relação da empresa com o
trabalhador, a exemplo da suspensão de contrato de trabalho,
da redução da carga horária
com redução do salário, da licença remunerada e do banco
de horas. “Isso vai depender
de empresa para empresa. O
problema é, qual o ‘tamanho’
do mercado quando a ‘nova
normalidade’ retornar?”, questionou.
Componentistas e perdas
Em sintonia, o vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, disse ao Jornal do Commercio que, dificilmente, os
efeitos econômicos negativos
das necessárias medidas para conter o contágio da Covid-19
nas cidades brasileiras pouparão os empregos do setor.
De acordo com o dirigente,
a interrupção das atividades
está sendo sentida com mais
força pelo polo componentista
do PIM.
“Desconheço que haja alguma fábrica de componentes
produzindo. Nunca passamos
por uma crise tão aguda e generalizada. Não é mais por falta
de insumos, mas por excesso
de produtos e comércios fechados. E abril será ainda pior, já
que ninguém sabe quando o
país atingirá o pico da curva
de propagação de novos casos
da pandemia, nem se haverá
uma ‘segunda onda’.
Desse
jeito, arrisco dizer que o PIM
vai perder entre 10% e 20% de
seu faturamento, no final do
ano”, lamentou.
Ajuste de estoques
Na mesma linha, o presidente da Eletros (Associação
Nacional de Fabricantes de
Produtos Eletroeletrônicos),
José Jorge do Nascimento,
informou ao Jornal do Commercio que as empresas que
retomaram a atividade fizeram
isso apenas para ajustar e reequilibrar estoques, uma vez
que as vendas para o varejo
já contabilizam 80% de queda, em um cenário volátil e
imprevisível.
“O comércio de bens não
essenciais está fechado em todo
o país e algumas cidades não
permitem nem entregas. No
caso dos produtos eletroportáteis, como liquidificadores,
ainda há uma saída pela venda
pelo e-commerce. O mesmo
não pode se dizer de produtos
de linha branca e linha marrom, como os da Zona Franca.
E as estatísticas de novos casos
em Manaus trazem a possibilidade de um lockdown na
cidade. Ninguém sabe o que
vai acontecer”, concluiu.