Postado em 30/01/2022 Pequenos salvam novamente

30/01/2022
Marco Dassori
Os pequenos negócios voltaram
a carregar as contratações com carteira assinada, no Amazonas, em
novembro. O saldo de empregos
acelerou ante o mês anterior e fi –
cou acima da marca registrada em
igual intervalo de 2020. Comércio
e serviços ainda respondem pela
maior parte da oferta, com nova
perda de fôlego na indústria. É o
que aponta o boletim mensal do
Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio
à Micro e Pequena Empresa), embasado nos dados do ‘Novo Caged’
(Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados).
O saldo mensal das MPEs foi de
3.310 vagas formais, em desempenho mais forte do que o de outubro
(+2.187) e setembro (+2.772). Com
isso, os pequenos negócios responderam por 68,71% do total de empregos criados no Estado (+4.817).
As micros e pequenas empresas
amazonenses apresentaram média
de 21,53 novos postos de trabalho
a cada mil já existentes, situando
o Estado na primeira posição do
ranking nacional. No mês anterior,
essa proporção foi de 14,23 por mil e
o Amazonas ficou em quarto lugar.
De janeiro a novembro de 2021,
o saldo das pessoas jurídicas amazonenses de pequeno porte (+27.500)
respondeu por 72,96% dos postos
de trabalho celetistas do Amazonas (+37.691). Em um cenário ainda de refluxo da pandemia, mas já
de inflação, juros e dólar em alta,
a média de 178,89 empregos por
milhar fez o Estado se manter na
terceira posição, em todo o Brasil.
No confronto dos acumulados do
ano, 2021 apresentou resultado três
vezes superior ao de 2020 (+9.089),
para as MPEs do Estado.
Na média nacional, os pequenos
negócios (+245.568) responderam por
uma parcela ainda maior (75,77%) do
total dos postos de trabalho gerados
(+324.112), em número igualmente melhor do que os capturados
em setembro (+318.051) e outubro
(+241.766) de 2021. Mas, ao contrário
do Amazonas, ficou devendo em relação a novembro de 2020 (+248.218).
O acumulado (+2.196.761), por sua
vez, ficou bem acima do dado do
mesmo período de 2020 (+88.971),
representando 73,40% de todos os
empregos criados no Brasil.
Médias e grandes
As MGEs (médias e grandes
empresas) do Amazonas, por outro
lado, subiram com menos a metade
da força das MPEs, tanto em novembro (+1.495), quanto no somatório
de 11 meses (+10.123) – respondendo
por 31,03% e 26,86% do saldo do
Estado, respectivamente. A comparação do aglutinado de 2021 com
igual intervalo de 2020 – quando as
companhias de maior porte geraram
apenas 2.151 ocupações –também
mostra melhora substancial. A administração pública, por sua vez,
amargou corte de 4 empregos, na
variação mensal, e criação de 23
vagas, entre janeiro e novembro.
Na média brasileira, enquanto as micros e pequenas empresas
encabeçam a geração de empregos
até novembro, as médias e grandes (+84.203) colheram números
positivos pelo 11º mês consecutivo, ao contribuir com 33,27% do
total (+253.083). Em contraste, a
administração pública eliminou
115 empregos no penúltimo mês
do ano passado.
No acumulado,
os números respectivos por rubrica corresponderam a ingressos de
664.308 e de 20.708 trabalhadores.
Comércio e serviços
Em sintonia com os preparativos e contratações para as
festas de fi m de ano, o comércio
(+1.966) ultrapassou o setor de
serviços (+1.176) e passou a ser o
motor de abertura de empregos
nas micros e pequenas empresas
do Amazonas, em novembro. Já a
indústria de transformação (+85)
voltou a desacelerar e caiu do terceiro para o quarto lugar, ficando
atrás da construção (+97) e à frente
da indústria extrativa mineral (+9).
SIUP (Serviços de utilidade pública
e agropecuária eliminaram 9 e 14
vagas, na ordem.
Mas os respectivos resultados foram +488, +75,
+987, -175, +12, +35 e +73.
Em relação ao saldo total dos
11 primeiros meses de 2021, as contratações das micros e pequenas
empresas amazonenses seguiram
sendo impulsionadas pelos serviços
(+12.840).
O comércio (+7.557) se manteve na segunda posição, seguido pela indústria de transformação (+4.685). Construção (+2.219),
indústria extrativa mineral (+94), agropecuária (+84) e SIUP (+21)
ocuparam as demais colocações.
As MGEs, por sua vez, pontuaram saldos de +2.692, +699, +4.961,
+1.100, +107, +421 e +143, na ordem.
“Peso da importância”
Em todo o país, o comércio
(+116.701) também carreou as contratações de novembro nos pequenos negócios, superando os serviços
(+98.710), sendo que as posições
também se invertem na variação
acumulada (+575.122 e +919.667).
“Esse bom desempenho do comércio pode sinalizar uma boa expectativa dos empreendedores para as
vendas de final de ano. Há alguns
meses, os serviços eram o setor
que vinha apresentando melhor
desempenho, mas em novembro,
esse resultado mudou”, reforçou o
presidente do Sebrae, Carlos Melles, em matéria divulgada no site
do Sebrae nacional.
O dirigente ressalta que há 15
meses seguidos os pequenos negócios têm gerado a maioria das vagas
de emprego no país, com média
mensal superior aos 70%. “Sem esse
segmento, o Brasil não estaria reduzindo o nível de desemprego”, enfatizou. Melles destaca que o peso da
importância dos pequenos negócios
fi ca mais evidente quando se analisa
o acumulado de 2021. “No total,
foram criados cerca de 3 milhões de
novos postos no país, e 2,2 milhões
foram oriundos dos pequenos negócios, o que corresponde a 73,4% do
total de vagas”, ressaltou.
“Perspectiva de tempo”
Na mesma linha, a gerente da
unidade de Gestão e Estratégia
do Sebrae-AM, Socorro Correa,
destacou à reportagem do Jornal
do Commercio que a pesquisa confi rma a relevância dos pequenos
negócios em termos de geração de
empregos, tanto no Brasil, quanto
no Amazonas. No entendimento
da executiva, a participação das
MPEs em praticamente três a cada
empregos gerados no Amazonas se
deve também à relativa melhora
no panorama econômico nacional,
a partir da vacinação em massa, a
despeito da conjunção macroeconômica adversa.
“O empresário trabalha com
perspectivas. Em 2020, em meio
ao furacão, não era possível fazer
planos, e a questão era sobreviver.
No ano passado, vivemos o pior
momento da pandemia [durante
a segunda onda], mas a vacinação
trouxe uma perspectiva de tempo.
Ou seja, à medida que o percentual
da população vacinada aumentava,
o empresário começou a fazer planos para recuperar o prejuízo da
crise”, analisou.
Fonte: JCAM