‘Nossos laços estão mais fortes’ – Entrevista com Cônsul Geral do Japão



07/03/2022

Por Marcelo Peres

O cônsul-geral do Japão em Manaus,
Masahiro Ogino, ressalta que o seu
país compartilha dos mesmos ideais
de Estado de direito, da plena democracia e do respeito aos direitos humanos.
Segundo ele, a aproximação entre os dois países
fica mais forte a cada dia.

A marca japonesa está presente fortemente
na indústria incentivada de Manaus (são pelo
menos 40 unidades em atuação na ZFM), na
gastronomia e na intensa migração de japoneses
para o Amazonas, que se concentraram principalmente no município de Parintins, onde, hoje,
são realizados diversos projetos de alto alcance
social na região, segundo o cônsul.
Agora, o Consulado Geral do Japão promove
a exposição ‘A Beleza do Artesanato de Tohoku’,
região do nordeste japonês, que foi assolada, há
11 anos, por um terremoto seguido de tsunami. O
evento começou no dia 17 de fevereiro, no Palácio
da Justiça, e será encerrado nesta segunda-feira (8).


“Brasil e Japão são parceiros globais estratégicos. Manaus é uma cidade muito importante
para os japoneses, onde vive uma comunidade
nipônica muito ampla. Nossos laços estão mais
fortes”, diz o cônsul-geral. Ele também destaca
o compartilhamento da cultura entre os dois
países, gerando mais oportunidades de iniciativas para fortalecer o intercâmbio comercial,
econômico e social.
Além de prestar ajuda ao Amazonas, que
hoje tem uma forte influência japonesa em vários
segmentos da sociedade local, o Japão também
presta auxílio a outros Estados brasileiros. Recentemente, enviou barracas e outros utensílios
de emergência para as vítimas de inundações na
Bahia, Minas Gerais e na cidade de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, segundo o cônsul.

Outra grande iniciativa é o intercâmbio estudantil. Brasileiros podem estudar no Japão como
também os japoneses no Brasil, uma iniciativa
que permite a troca de experiência tecnológicas
em atividades de ensino avançado. “Nossos países sempre se dispuseram a estreitar mais esses
laços”, acrescenta Masahiro Ogino.
O cônsul participou da live ‘JC às 15h’, comandada pelos jornalistas Caubi Cerquinho e
Fred Novaes, diretor de redação do Jornal do
Commercio.

Japão e o Brasil têm uma relação
muito forte que se consolida cada vez mais. Como o
sr. avalia a importância de
Manaus para fortalecer essa
aproximação?

Masahiro Ogino – Brasil
e Japão são parceiros globais
estratégicos. E compartilham
valores fundamentais como
o Estado de direito, a democracia, e os direitos humanos.
E Manaus também é uma cidade muito importante para
nós. Temos aqui uma grande
comunidade nipo-brasileira.
Reunimos em torno de 40
empresas japonesas que estão desenvolvendo suas atividades econômicas na Zona
Franca. Portanto, queremos
demonstrar um intercâmbio
cultural, comercial e econômico ainda mais forte.
Quando o Japão sofreu
o grande desastre natural
com tsunami, há 11 anos, em
Tohoku, no nordeste japonês,
o país recebeu apoio de todo
o mundo, inclusive do Brasil
e de Manaus. Manaus organizou uma série de eventos para
ajudar o Japão.
Nós, japoneses, nunca esqueceremos essa ajuda que
Manaus e o Brasil ofereceram
a Tohoku como parceiros que
são. Tohoku é uma região que
possui uma riqueza de culturas, rodeada de montanhas e
mares.
Produz muitos artesanatos,
em madeira e cerâmica. Espero
que essa exposição reforce ainda mais o vínculo especial com
Manaus. Para conhecerem a
beleza de Tohoku.
E espero que, quando acabar essa pandemia, muitos
viajem para conhecer pessoalmente essa cultura no Japão.

JC – Cônsul, uma boa
quantidade da colônia japonesa vive em Manaus. E mantém várias tradições, como
o jogo de beisebol, atuando
na área de cultura também.
Os japoneses se adaptaram
facilmente às características
do Amazonas? Tiveram uma
boa receptividade?


MO – As autoridades brasileiras vêm com muita importância a sociedade nipônica
brasileira, compartilhamos os
valores de moradia, honestidade e cultura.
A sociedade japonesa goza
de muita confiança. E, com
base nessa confiança, as empresas japonesas estão tocando
as suas atividades. E agradecemos muito essa adaptação
feita com muito carinho em
Manaus e no Amazonas.

JC – A exposição no Palácio da Justiça mostra a beleza
do artesanato de Tohoku. É
uma região que foi afetada
pelo terremoto e o tsunami.
Ela também comemora uma
data especial. Até quando
acontece o evento?

MO – Inauguramos a exposição no dia 17 de fevereiro no
Palácio da Justiça. E vai até o
dia 8 de março, na terça-feira.
O evento marca também as
comemorações do aniversário
do imperador do Japão.
Mas devido à pandemia,
este ano não pudemos celebrar
o aniversário, apenas produzir um vídeo comemorativo,
que vamos publicar na nossa
página na internet. Mostramos também a importância
das migrações japonesas, que
têm um vínculo muito grande
com o Brasil.

JC – A migração japonesa
se concentra mais no interior
do Amazonas, como na Vila
Amazônia, no município de
Parintins. Os imigrantes têm
muita resiliência em se adaptar às regiões. E inclusive desenvolvem projetos. Pode nos
falar quais dessas iniciativas
o consulado tem apoiado?


MO – Em outubro passado, visitei Parintins. É uma
cidade muito agradável, pois
a migração japonesa começou
por lá, há exatamente 90 anos.
Encontrei muitas comunidades relacionadas à migração
japonesa. Fazendo cultivos naquelas áreas. Temos projetos
de assistência comunitária. Estamos apoiando ações básicas
como educação, saúde e para
diminuição da pobreza.
Ajudamos na construção
de uma quadra esportiva. Há
15 anos, fazemos uma cooperação no Amazonas para o
desenvolvimento de 21 projetos com investimentos de
aproximadamente US$ 200
mil dólares americanos.
Recentemente, o governo
japonês deu uma assistência
de emergência para os Estados
da Bahia e de Minas Gerais
para atender pessoas vítimas
das inundações por causa das
fortes chuvas. Também estamos ajudando a cidade de
Petrópolis, no Rio de Janeiro.
Como falei, o Brasil é um país
especial para nós, e será sempre um parceiro.


JC – Essa parceria entre o
Brasil e o Japão não é recente,
principalmente em Manaus.
Isso decorre por termos uma
população descendente de japoneses muito grande? Ajuda
a consolidar a presença japonesa na capital?

MO – Exatamente. Hoje,
Manaus é a cidade mais ativa
do Brasil, do ponto de vista do
ensino da língua japonesa. Há
11 anos, a Ufam estabeleceu
um departamento de literatura e língua japonesa, dando
oportunidades para professores graduados de outras instituições educacionais.
Várias escolas como Djalma da Cunha Batista e Jacimar
da Silva se converteram em
unidades bilíngues de idiomas
japonês e português.
E também uma escola privada está oferecendo o ensino
de idioma japonês. Temos ainda uma escola japonesa em
Manaus que atende filhos de
japoneses, como também de
brasileiros, com formação desde o ensino fundamental até
o superior.

JC – Durante anos, muitos amazonenses, filhos de
japoneses, se lançaram ao Japão para trabalhar. Teve esse
forte intercâmbio. Ainda está
acontecendo? Precisa do visto
para viajar?

MO – O consulado dá todas
as orientações. A nossa página
na internet explica quais são os
procedimentos. Mas é preciso
checar todos esses dados antes
de solicitar o intercâmbio.
Hoje, muitos brasileiros estão no Japão, como também
muitos filhos de japoneses
estão no Brasil. Há um intercâmbio muito forte entre
os dois países. Agora, a Associação Nipônica-Brasileira
está organizando um evento
na Amazônia Ocidental, que
representa a comunidade daqui, para reforçar ainda mais
a cultura entre os dois países.
O evento deve acontecer em
setembro.

JC – A presença da gastronomia japonesa é muito
forte aqui. O sr. chegou a experimentar esses pratos? Eles
diferem do que é preparado
no Japão?

MO – Felizmente, podemos desfrutar da comida japonesa em Manaus. A nossa
gastronomia está cada vez
mais globalizada. Mas os ingredientes daqui e os do Japão
são distintos.
E os restaurantes procuram
se adaptar aos gostos dos brasileiros. A comida de Manaus
e a do Japão são um pouco
diferentes. Mas os pratos são
saborosos.

JC – A guerra entre Rússia
e Ucrânia também preocupa
o Japão?

MO – Tomamos uma posição com o Brasil, os Estados
Unidos e os países da Otan. E
compartilhamos dos mesmos
valores do Estado de direito,
da democracia e queremos
trabalhar juntos.

JC – O sr. pode apontar
alguma novidade do consulado em Manaus?

MO – Quero ressaltar os
esforços da cidade de Manaus
para a realização da exposição que mostra as belezas do
artesanato do Japão. E nos
solidarizamos à questão da
pandemia. O Japão também
enfrenta uma situação difícil.
Mas todos reunimos esforços
para superar as dificuldades.

Fonte: JCAM