Postado em 07/01/2022 Mais empresas fecharam no fim do ano

07/01/2022
O Amazonas registrou uma
nova aceleração na mortalidade
de empresas, entre setembro e
outubro. Em sintonia, o ritmo de
constituições de pessoas jurídicas
foi na direção contrária. Da mesma
forma, os números do acumulado
mantiveram saldo positivo para as
aberturas, mas o crescimento foi
maior para os encerramentos, enquanto a rotatividade nos registros
de MEIs voltou a aumentar.
Os
dados estão no mais recente relatório do SRM (Sistema Mercantil de
Registro) –vinculado ao Ministério
da Economia –, disponibilizado
pela Jucea (Junta Comercial do
Estado do Amazonas).
O Estado registrou o encerramento das atividades de 311 pessoas jurídicas, no mês passado,
configurando um avanço de 9,12%,
na comparação com o desempenho
de novembro de 2021 (285), além
de um acréscimo de 47,39% sobre
o patamar de dezembro de 2020
(211). Já os dados de constituições
de novos empreendimentos (490)
ficaram 24,28% abaixo da marca do
levantamento anterior (609), além
de recuar 13,88%, no confronto
com igual intervalo de 2020 (569).
De acordo com o levantamento mensal da autarquia, entre as
311 pessoas jurídicas amazonenses
que formalizaram encerramento
no mês passado, a maioria (178)
estava na categoria de empresário
individual –número 2,20% mais
elevado do que o de novembro
do mesmo ano (182).
As sociedades empresariais limitadas (92)
vieram na segunda posição, seguidas pelas empresas individuais de responsabilidade limitada
(e de natureza empresarial), com
38 registros – contra 76 e 26, respectivamente, no levantamento
anterior.
A lista se completa com
duas cooperativas e um consórcio
de sociedades.
O movimento em torno da formalização de abertura de novos
negócios no Amazonas (490), por
outro lado, voltou a priorizar, pelo
quarto mês seguido, as sociedades
empresariais limitadas (292), em
detrimento da demanda pela modalidade de empresário individual
(192) –que vêm declinando mês a
mês. Na sequência, vieram três
consórcios de sociedades, uma
sociedade anônima fechada, uma
cooperativa e uma empresa individual de responsabilidade limitada
(e de natureza empresarial).
A título de comparação, em novembro
deste ano, os respectivos números
foram 366, 240, 1, 2, zero e zero.
O saldo do acumulado dos 12
meses iniciais deste ano ainda se
manteve positivo para o mercado
do Amazonas, embora mais uma
vez cadente. De janeiro a dezembro
de 2021, o Estado somou o registro
de 7.895 novos empreendimentos, 19,75% a mais do que o dado
apresentado em igual intervalo do
exercício anterior (6.593).
A mesma comparação ainda indicou, no
entanto, uma nova aceleração nos
encerramentos. Houve uma elevação de 10,33% no confronto dos
registros de baixas de empresas
locais, entre os aglutinados de 2020
(2.823) e de 2021 (3.126).
A Jucea ressalta que os dados
citados não incluem os MEIs (microempreendedores individuais)
–constituídos de forma virtual, por
meio do portal do Empreendedor,
do governo federal. Mesmo assim,
informa que as constituições nessa
modalidade recuaram 22,86%, entre novembro (2.677) e dezembro
(2.065) de 2021 –em tombo mais
forte do que o anterior (-5,44%) e
apontaram para um virtual empate
(+0,24%) ante o dado de 12 meses
atrás (2.070). As extinções caíram
12,67% na variação mensal (de 655
para 572), mas seguiram 45,18%
mais fortes do que as de dezembro
de 2020 (394).
A análise do acumulado de
janeiro a dezembro, no entanto,
aponta um panorama menos
promissor e ainda volátil para os
microempreendedores individuais amazonenses, com tendência
de maior rotatividade de pessoas
jurídicas no mercado local. O número de abertura de novos MEIs
no Estado aumentou 14,39%, entre
2020 (31.841) e 2021 (36.119). Mas
a quantidade de encerramentos
voltou a manter ritmo ainda
maior, com 7.269 (2021) contra
4.935 (2020), o que configura um
aumento de 47,29%.
“Trabalho pela frente”
A Jucea ainda não se pronunciou oficialmente sobre a nova estatística do SRM (Sistema Mercantil
de Registro), por isso não há informações sobre o desempenho por
segmentação por CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) –que vinha apontando a
primazia do setor de serviços, nos
últimos meses –e por município
–que confirmava invariavelmente a primazia de investimentos
de novos negócios para Manaus,
com destaques periódicos para
Manacapuru, Itacoatiara, Humaitá
e Parintins.
No texto mais recente divulgado por sua assessoria de imprensa,
a Junta Comercial do Estado do
Amazonas não entrou em detalhes sobre os números de baixas
de empresas, mas destacou que
segue trabalhando para reduzir
o prazo médio para abertura de
novas empresas no Amazonas.
Em novembro, conforme dados
da RedeSim-AM, o tempo levado
para a abertura de uma empresa
no Estado foi de quatro horas, em
média.
No mesmo material, a presidente da Jucea, Maria de Jesus
Lins, diz que costuma ser esperado em todo fim de ano uma
desaceleração nas constituições
de empresas. Mas, salientou que
isso não aconteceu já em novembro, a despeito de “todas as
adversidades” enfrentadas pela
economia amazonense. “Desde o
início da pandemia, o Estado conseguiu manter bons resultados nas
constituições de novas empresas.
E temos trabalho pela frente, para
darmos continuidade a esses bons
resultados”, amenizou.
“Investimentos menos atraentes”
Na análise do conselheiro do
Corecon-AM (Conselho Regional
de Economia do Estado do Amazonas), professor universitário e
consultor empresarial, Francisco
de Assis Mourão Júnior, os recuos
nas constituições e avanço nos encerramentos de empresas mostrados no levantamento mais recente
da Jucea refletem o atual contexto
econômico brasileiro, materializado por uma inflação alta e um dólar
disparado, ao mesmo tempo em
que a taxa Selic já vai caminhando
para a casa dos dois dígitos. O
economista lembra também que
mesmo o PIB do já encerrado 2021
está sendo corrigido para baixo,
em razão da desaceleração de fim
de ano, que tenderia a se refletir
no começo de 2022.
“Estamos vendo uma certa
cautela no comportamento do
consumidor, em meio a uma
economia que já vai caminhando
a passos mais lentos. Para mim,
esses números da Jucea já mostram
como vai ser o primeiro trimestre
de 2022.
Ainda temos a questão
do advento da nova variante da
pandemia e precisamos esperar
como vai se comportar a atividade
econômica. Dados do Ministério
da Economia indicam que devemos ter um PIB de 1% a 2%, neste
ano. Isso já demonstra também
como deve ser o movimento de
abertura e fechamento de empresas, em 2022”, lamentou.
Francisco de Assis Mourão Júnior ressalta ainda que, para quem
dispõe de dinheiro sobrando para
investir, a escalada dos juros vai
tornando as aplicações no mercado
financeiro “cada vez mais atraentes” do que arriscar a alocação
de capital no setor produtivo.
É
um fator que tenderia, em tese,
a reduzir a oferta e potencializar,
paradoxalmente, novos aumentos de inflação. “Além de inibir o
consumo, na tentativa de domar
a inflação, o aumento da Selic tem
o outro lado negativo de fazer o
empresário ser mais atraído pelo
mercado de capitais do que pelo
setor produtivo”, finalizou.
Fonte: JCAM