Faturamento do PIM em alta



28/01/2022

Marco Dassori

O faturamento PIM
em dólares e em
reais voltou a desacelerar, entre outubro e novembro. Em ambos
os casos, contudo, as vendas
da indústria incentivada de
Manaus mantiveram trajetória ascendente de dois dígitos no acumulado do ano, na
comparação com igual intervalo do ano
passado. É o
que revelam
os dados dos
Indicadores
de Desempenho do Polo
Industrial
de Manaus,
divulgados
pela Suframa,
nesta quinta
(27).

Segundo
a autarquia, o
resultado em
moeda nacional foi recorde. Já a média de
empregos também perdeu velocidade, mas voltou a romper
a marca de 100 mil vagas.
As vendas do PIM em moeda americana desaceleraram
4,94% em relação a outubro,
de US$ 2.63 bilhões para US$
2.50 bilhões, mas superaram a
marca atingida 12 meses antes
(US$ 2.47 bilhões), em 1,21%.
Convertido na divisa nacional
(R$ 14,07 bilhões), o resultado
apontou para decréscimo de
5,12%, ante o mês anterior (R$
14,83 bilhões), e uma expansão
de 6,51% em relação ao mesmo
intervalo de 2020 (R$ 13,21
bilhões). O acumulado do ano
segue positivo em ambos os
casos. Houve uma escalada de
28,93% em dólares (US$ 27,06
bilhões) e uma decolagem de
32,13%, em reais (R$ 145,59
bilhões).

Em divulgação anterior, a
Suframa estimou que o fechamento de 2021, deve superar
os R$ 151 bilhões, embora não
tenha projetado o resultado
em dólares. A Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), por outro
lado, calculou que o PIM deve
fechar o ano com faturamento de US$ 30,68 bilhões (ou
R$ 162,99 bilhões), o que indicaria elevação de 34,03%,
em dólares, e incremento de
35,26%, em reais, quando comparado aos números de 2020
(US$ 22,89 bilhões e R$ 120,5
bilhões, respectivamente). A
previsão da entidade empresarial é manter o crescimento na escala de dois dígitos
(+35,77%), em 2022.

No texto de divulgação do
levantamento, a Suframa destaca que os
Indicadores
de Desempenho do Polo
Industrial de
Manaus revelam também que as
exportações
atingiram o
volume de
R$ 2,2 bilhões
(U$ 415.93
milhões) ,
significando
aumento de
22,47% em moeda nacional e
de 18,84% em dólar, na comparação do aglutinado dos 11
meses iniciais do ano passado
com igual período de 2020.
Couros, borracha e têxteis
Na análise em reais, 24 dos
26 subsetores encerraram o
acumulado no azul –contra
13, em outubro.

As maiores
altas proporcionais se deram
nos segmentos minoritários
do PIM, a exemplo de couros e
similares (+112,30% e R$ 51,40
milhões), têxtil (+80,08% e R$
264,24 milhões) e beneficiamento de borracha (+61,86%
e R$ 468,92 milhões). Majoritários, os polos de bens de
informática (+37,48% e R$
39,9 bilhões), eletroeletrônicos
(+15,28% e R$ 31,4 bilhões) e
de duas rodas (+38,12% e R$
18,5 bilhões) também avançaram.

Na medida em dólares, por
outro lado, 23 subsetores do
parque fabril de Manaus fecharam o aglutinado no terreno positivo. Responsáveis
por quase metade das vendas
do PIM, os polos de bens de
informática (US$ 5.84 bilhões
e 27,44% do total) e eletroeletrônico (US$ 7.42 bilhões
e 21,60% de participação)
cresceram 34,95% e 12,43%,
respectivamente. Já o polo de
duas rodas (US$ 3.45 bilhões)
subiu 33,55% em 11 meses,
mantendo praticamente a
mesma fatia no faturamento
global do PIM, entre outubro
(12,78%) e novembro (12,76%).

Os principais resultados
nas linhas de produção se deram em bens de informática
e eletrônicos, até novembro.
Os maiores aumentos proporcionais de produção vieram
de microcomputadores portáteis (+587,29% e 4.161.331
unidades), tocadores de DVD
e Blu-ray (+126,06% e 323.414),
tablets (98,69% e 1.781.217)
e home theaters (76,99% e
97.972).
Em volume de faturamento, os melhores números vieram das linhas de produção
de TVs com tela de cristal
líquido (US$ 4.05 bilhões e
R$ 21,8 bilhões), motocicletas, motonetas e ciclomotores
(US$ 2.61 bilhões e R$ 14,029
bilhões), celulares (US$ 2.60
bilhões e R$ 14,028 bilhões),
placas de circuito montadas
para uso em informática (US$
2.01 bilhões e R$ 10,8 bilhões),
condicionadores de ar do tipo
split system (US$ 1.48 bilhão
e R$ 8,02 bilhões), fornos micro-ondas (US$ 370.6 milhões
e R$ 1,99 bilhão), relógios de
pulso e de bolso (US$ 197.4
milhões e R$ 1,06 bilhão), bicicletas (US$ 194.8 milhões e
R$ 1,04 bilhão), auto rádios
e aparelhos reprodutores de
áudio (US$ 183.3 milhões e R$
985,9 milhões), e receptores de
sinal de televisão (US$ 101.9
milhões e R$ 546.5 milhões).

Empregos desaceleram

A despeito da nova desaceleração mensal no ritmo
das contratações, os empregos
seguem acima dos 100 mil,
a despeito do cenário econômico adverso e da crise
da Covid-19. Em novembro,
o PIM registrou média de
101.877 postos de trabalho,
entre trabalhadores efetivos,
temporários e terceirizados.
O desempenho ficou 1,49%
aquém da marca do mesmo
mês de 2020 (103.423) e 2,20%
abaixo do dado de outubro
de 2021 (104.173) –em dado
já revisado pela Suframa. Foi
o segundo pior número do
ano, perdendo apenas para
maio (101.815) e ficando muito
aquém do pico apresentado
em agosto (104.369).
A média mensal de mão
de obra segue ascendente no
acumulado do ano.

No total,
foram 103.232 postos de trabalho, 9,05% a mais do que
o combalido dado do “ano
cheio” de 2020 (94.663) –em
dado também revisado. Foi
o melhor número desde 2016
(86.161), embora ainda tenha
ficado distante do patamar de
2015 (105.015) –ano inicial da
crise anterior.
Levando em conta só a
mão de obra efetiva, o saldo
no aglutinado até novembro de
2021 foi de 7.381 vagas, dado
o predomínio das contratações
(31.327) sobre os desligamentos
(23.946).

Também foi o melhor
desempenho da série histórica
fornecida pela Suframa, iniciada em 2016 (-6.123). No material
de divulgação da pesquisa, a
autarquia informa que as ocupações diretas em mão de obra
representam 81% da geração e
manutenção dos empregos na
indústria do Estado.

“Ano desafiador”


Em texto divulgado por
sua assessoria de imprensa,
a Suframa avalia que o desempenho positivo registrado
pela indústria incentivada de
Manaus no penúltimo mês do
ano passado é reflexo da mudança de hábitos da população
no período de pandemia “da
força da indústria da ZFM” em
atender a demanda nacional
aquecida. “Especialmente o
comércio varejista ampliado
que, por sua vez, é fruto das
medidas do governo federal,
como o auxílio emergencial e
o Pronampe em 2021”, completou.

No mesmo texto, o superintendente da Suframa,
Algacir Polsin, avalia que os
valores recordes apurados
nos indicadores de janeiro a
novembro, demonstrariam o
êxito do esforço coletivo empreendido por trabalhadores,
empresários e agentes públicos no propósito de superar
obstáculos impostos pela pandemia na atuação da indústria,
como a necessidade de períodos de interrupção de produção e o desabastecimento
de insumos.

“Atingir números
recordes em um ano tão desafiador quanto 2021 mostra,
mais uma vez, a resiliência
e a capacidade de superação
do modelo Zona Franca de
Manaus”, comemorou.
Na mesma linha, o presidente da Fieam, Antonio Silva,
que os números apresentados
pelos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de
Manaus demonstram a pujança e solidez do modelo Zona
Franca, frente a um “ano
desafiador”.

“É importante
destacar que os Indicadores
refletem uma retomada para
os números anteriores à crise
sanitária e econômica. Existe
uma nítida mudança no hábito
do consumidor e uma clara
demanda represada em razão
dos dois anos de pandemia.


Ainda neste sentido, as linhas
de auxílios emergenciais dos
governos federal, estadual
e municipal também foram
fundamentais para a sustentação dos bons indicadores
industriais”, concluiu.