Postado em 29/12/2021 Emprego no interior volta a crescer em outubro, aponta Caged

29/12/2021
Marco Dassori
O saldo de empregos formais
no interior do Amazonas retomou
o campo positivo, em novembro,
após o recuo de outubro. Na série
com ajuste, o número de contratações (+1.271) superou o de demissões (-891), gerando acréscimo de
380 postos de trabalho com carteira
assinada. Foi um resultado melhor
do que o de outubro (-66), mas
ainda ficou devendo em relação
a setembro (+409) e agosto (+384
vagas).
O desempenho ficou ainda
mais distante do que o registrado
por Manaus (+4.437), que voltou
sustentar o crescimento do mercado de trabalho do Estado (+4.817).
O número de cidades amazonenses com mais admissões do que
desligamentos na variação mensal
chegou a 32, patamar significativamente inferior à estatística apresentada em outubro deste ano (+22). O
volume de vagas formais geradas
por cada um ainda foi irrisório,
mas dez localidades tiveram resultados de dois dígitos – e uma de três
dígitos. Ao menos 14 eliminaram
empregos, enquanto as 15 restantes
estagnaram –contra 24 e 15 no mês
anterior, respectivamente. É o que
revelam os mais recentes dados do
‘Novo’ Caged (Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados).
No acumulado do ano, o desempenho do interior na geração
de vagas celetistas se manteve no
campo positivo, em sintonia com
o Estado e a capital. Enquanto
Manaus conseguia gerar 35.127
vagas com carteira assinada entre janeiro e novembro de 2021,
correspondendo a 93,20% do
total do Amazonas (37.691), os
demais municípios amazonenses
responderam pela fatia restante,
ao criar 2.564 postos de trabalho
formais, dada o novo predomínio
das admissões (+13.159) sobre os
desligamentos (-10.595).
Em 12 meses, os municípios do
interior do Amazonas apresentam
acréscimo de 1.940 empregos com
carteira assinada, graças a um total
de contratações (+13.871) também
acima das demissões (-11.931) –
mas com uma folga menor do que
a registrada no acumulado do ano.
Em paralelo, a capital amazonense também aglutinou postos de
trabalho formais a mais (+32.933),
embora ainda tenha correspondido
a 94,44% do total gerado pelo Estado (34.873), no mesmo período.
Estoques dos municípios
Entre as 32 localidades amazonenses que conseguiram contratar
mais do que demitir, dez tiveram
saldo de dois dígitos no número
de vagas registradas na variação
mensal e uma chegou a três dígitos, na série sem ajustes –contra
seis e zero, em outubro, respectivamente. Os melhores resultados
vieram de Presidente Figueiredo
(101 vagas e alta de 3,04%), Parintins (+87 e +3,52%), Manacapuru
(+38 e +1,19%), Itacoatiara (+35 e
+0,73%) e Humaitá (+33 e +1,42%).
Em contraste os piores números
saíram de Tefé (-20 e -1,09%), Autazes (-12 e-1,14%) e Boca do Acre
(-10 e -0,67%).
Em 11 meses, 44 municípios
do interior amazonense seguiram
no azul, 13 ficaram no vermelho
e quatro estagnaram. Presidente
Figueiredo (+589 e +20,77%), Humaitá (+351 e +17,49%), Iranduba
(+288 e +14,93%), Manacapuru
(+235 e +7,82%), Itacoatiara (+192
e +4,13%), Parintins (+153 e +6,35%)
e Careiro (+102 e +42,50%) lideraram com folga a lista de criação
de empregos formais. No outro
extremo, os maiores cortes vieram de Santo Antonio do Içá (-30 e
-21,13%) e Codajás (-23 e -31,08%),
entre outros.
Em termos de estoque de empregos com carteira assinada na
totalidade do Amazonas (451.051),
excluída a capital (412.883), o somatório dos seis maiores municípios do Amazonas responde por
quase metade de todo o volume
de empregos com carteira assinada contabilizados no interior
(38.168). A lista inclui Itacoatiara (4.878), Presidente Figueiredo
(3.424), Manacapuru (3.234), Tabatinga (2.755), Parintins (2.544)
e Humaitá (2.259).
Comércio em alta
Quatro dos cinco setores econômicos listados no Amazonas
pelo “Novo Caged” conseguiram
saldos positivos no Amazonas,
entre outubro e novembro –contra três, no mês anterior. serviços,
comércio, indústria e agropecuária.
O único senão veio da construção.
O interior conseguiu resultados
positivos em apenas três deles, embora tenha melhorado em relação
ao levantamento anterior –quando
cresceu apenas em um. Houve,
contudo, uma perda de força nos
serviços (+56), em detrimento do
comércio (+341) e da agropecuária
(+62), enquanto construção (-39) e
indústria (-40) voltaram a amargar
extinção de vagas.
Os municípios líderes de crescimento voltaram a ter dinâmicas
econômicas diferentes entre si.
Na
variação mensal, Presidente Figueiredo (+101) teve sua geração
de empregos com carteira assinada
sustentada pela produção de lavouras agrícolas temporárias (+73),
além de serviços especializados em
construção (+22) e indústrias extrativas de minerais metálicos (+15%).
Parintins (+87) e Manacapuru (+38)
foram alavancados basicamente
pelo comércio varejista (+59 e +70,
na ordem).
No acumulado dos 11 meses
iniciais deste ano, o setor de serviços (+1.015) continuou sendo o
maior gerador de oferta de postos
de trabalho celetistas no interior
do Estado, sendo seguido de perto
pelo comércio (+967). Na sequência estão a agropecuária (+497) e
indústria (+82).
Em contrapartida,
a construção (+3) voltou ao campo
positivo. Entre os municípios com
maiores saldos na base aglutinada,
Humaitá (+351) se sobressaiu em
comércio (+148) e serviços (+142),
enquanto Iranduba (+288) obteve
seus melhores resultados na nos
serviços (+92), na indústria (+90)
e na construção (+63).
“Resultados marginais”.
Em entrevistas anteriores à
reportagem do Jornal do Commercio, o presidente do Sindecon-AM
(Sindicato dos Economistas do
Estado do Amazonas) e consultor empresarial, Marcus Evangelista, apontou que a dinâmica
de geração de empregos no interior não consegue acompanhar o
crescimento vegetativo de suas
populações. Segundo o economista, os municípios com melhores resultados estão na Região
Metropolitana de Manaus –com
exceção de Humaitá e seu agronegócio –, sendo alavancados por
micros e pequenas empresas de
comércio e serviços.
Já as localidades mais isoladas e distantes seguiriam dependentes dos
“contracheques das prefeituras”.
Em sintonia, o consultor empresarial, professor universitário
e conselheiro do Corecon-AM
(Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas),
Leonardo Marcelo Braule Pinto,
observou, também em entrevistas anteriores à reportagem do
Jornal do Commercio, que o arrefecimento da pandemia está
sendo acompanhando por um
crescimento “lento, gradual e
insuficiente”, em razão da política de contração monetária e
de “uma inflação que não cede”.
“Estamos até tendo algum crescimento na criação de empregos,
mas é muito tímido. Em algumas cidades mais distantes, nem
tivemos isso. Podemos até ter
alguma melhora, mas ela virá
no longo prazo. No curto, teremos resultados apenas factíveis
e marginais”, concluiu.
Fonte: JCAM