Economista diz que modelo atual de arrecadação de impostos afeta estrutura das empresas brasileiras

Notícia publicada pela Agência Rádio Mais

16/03/2018

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O modelo de arrecadação de impostos no Brasil é oneroso e afeta diretamente a estrutura
das empresas no país. A afirmação é do especialista em Macroeconomia da Universidade
de Brasília (UnB), Roberto Ellery Júnior. Ele explica que número excessivo de impostos
federais, estaduais e municipais, e as formas como são cobrados causam interferências
econômicas significantes na cadeia produtiva das indústrias.

Impostos como o PIS/COFINS e o IPI são cobrados sobre o faturamento das empresas e de forma
antecipada. Ou seja, a firma paga imposto de um determinado produto que ela nem sabe se vai
vender, tornando o sistema quase inviável para os empresários. “Hoje, o sistema tributário brasileiro
tem uma série de problemas. É muito difícil pagar imposto no Brasil. Além de complicado nós
estamos fincados em impostos ruins. Impostos que, ao invés de atingir o valor agregado, atinge o
faturamento”, explica Ellery Júnior.

A Reforma Tributária, que está em discussão no Congresso Nacional, pode corrigir as
distorções do modelo de arrecadação e tornar o sistema mais moderno. O texto da
matéria prevê a criação de dois tributos: o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e o
Imposto Seletivo (IS). A ideia é que as novas taxas substituam os impostos federais,
estaduais e municipais cobrados atualmente, como o IPI, IOF, CSLL, PIS/PASEP,
Cofins, Salário-Educação, Cide-Combustíveis, ICMS e ISS.

O novo modelo de cobranças de impostos, que está pronto para ser votado na Câmara
dos Deputados, tem relatoria do deputado federal Luiz Carlos Hauly, do PSDB
paranaense. O parlamentar tem trabalhado para convencer os colegas a votarem a favor
do projeto. No entanto, o relator da reforma corre contra o tempo.

Recentemente, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, do DEM
fluminense, disse que talvez não haja tempo suficiente para aprovar todos os temas do
texto antes das eleições deste ano.

A estimativa de um provável engavetamento da Reforma Tributária no Congresso
Nacional seria ruim para a produção industrial, para a economia e trabalhadores, pois o
modelo atual de arrecadação é antigo e não atende mais as necessidades do mundo
globalizado e moderno. “Então, a gente pode melhorar muito. Facilitar a vida do
empresário, facilitar a vida do trabalhador. De repente, desonerar, no sentindo amplo, a
folha de trabalho. O Brasil paga muito imposto em cima do trabalho e criar um modelo
mais leve, um modelo mais compatível com a necessidade de agilidade de uma empresa
moderna”, ressalta o macroeconomista Ellery Júnior.

Para não deixar a Reforma Tributária de lado, o governo federal estuda a possibilidade
de mandar ao Congresso Nacional um texto alternativo para mudar, em partes, o projeto
apresentado pelo deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB/PR).

A proposta seria de simplificar o modelo de arrecadação de impostos sem acabar com o
ICMS, imposto estadual cobrado na circulação de mercadorias e serviços. A tática seria
de não mexer com a arrecadação dos estados para diminuir a resistência dos
parlamentares, criada em torno do texto original da reforma no Congresso Nacional.






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