Postado em 11/02/2021 COVID-19 – Os dados dos últimos dias apontam para uma melhoria dos indicadores
11/02/2021 09:51
Wilson Périco (*)
wilson.perico@wlbp-consulting.com
O pico da contaminação
na pandemia, atribuído à cepa
supostamente detectada no
Amazonas, começa a refluir.
Os dados oficiais apontam
índices mais baixos de transmissão desde o dia 26/12/2020.
Lembremos que o Amazonas
estava há 45 dias em 1° lugar
no ranking nacional e hoje é o
10°, muito próximo a cair abaixo
de 1,0 índice com o qual os órgãos de controle trabalham. Isso
nos alivia e alegra e confirma
o acerto de algumas medidas.
Chega de perder tantas pessoas
próximas e muito queridas. No
momento, precisamos apenas
apurar objetivamente as razões
dessa tragédia, entre tantas que
a população do Amazonas tem
sofrido historicamente. Imposta
enfatizar que a investigação é
da cidadania, não dos órgãos
oficiais de auditoria, controle
ou condenação.
Comícios, festas e férias
É lugar comum recordar
que o aumento do número de
casos não se deu por atitudes
tomadas por este ou aquele ator
público. A transmissão se deu,
basicamente, por conta das aglomerações em comícios, festas e férias do final do ano. As pessoas
foram alertadas, talvez sem a
veemência necessária, ou quem
sabe faltou rigor e eficiência
nessa comunicação. Da mesma
forma, as ações para conter esse
nível descontrolado de transmissão, tomadas no começo de
janeiro, não foram tão ousadas
como deveriam. Outra hipótese
é sobre o número de pessoas que
criaram imunidades, depois de
serem contaminadas e tratadas.
O fato é que essa redução de
casos é uma excelente notícia.
Infraestrutura precária
É preciso, porém, ter presente que a questão não é a contaminação, todos nós teremos
contato com esse vírus, mais
cedo ou mais tarde. O maior
problema é a infraestrutura para
prestar o devido atendimento
ambulatorial e hospitalar às pessoas que precisaram e precisarão. A vacina trará, da mesma
forma, esse alívio na demanda
hospitalar. Mas não podemos
nos acomodar às estatísticas dos
óbitos. Até aqui foi discreta a
redução de mortes indicada no
relatório da Fundação de Vigilância Sanitária-FVS. As mortes estão estabilizadas em um
patamar elevado.Foi atingido
um patamar de 79,9% dos leitos clínicos. Esta leitura está entre as
melhores do ano 2021. Quanto
aos leitos de UTI, ainda estão
pressionados por uma ocupação acima de 90%. Espera-se,
ainda bem, que nos próximos
dias se confirme a tendência de
melhoria neste cenário.
Retomada da Economia
E qual é o significado desses dados para a retomada da
economia? Temos consciência
de que não é no ambiente de
trabalho que as pessoas se
contaminam. Temos protocolos reconhecidamente rigorosos,
tanto na indústria quanto no
comércio. A indústria tinha uma
média de absenteísmo de 2.2%
antes da pandemia; de setembro
a novembro de 2020, essa média
subiu para 3.6% . Então, as pessoas que trabalham na indústria
se contaminaram? Sim, e por
uma razão muito simples: elas
tem suas vidas, social e familiar onde todos podemos ficar
expostos a diversas formas de
contágio. Um dado elucidativo
pode confirmar, porém, a defesa
de nossos protocolos de segurança e prevenção. Depois das
férias e/ou festas no recesso do
final do ano, na primeira semana
de janeiro, esse número subiu
para 16%. Ou seja, é extrema mente seguro o ambiente fabril.
Ali, o vírus está sob controle.
Precisamos perenizar as
melhorias na saúde!
Já faz tempo que o FTI, fundo
de turismo e interiorização do
desenvolvimento – um repasse
da indústria de R$900 milhões/
na, para nossos irmãos ribeirinhos – é fatiado para diversas
despesas que não os propósitos da Lei. E o que compete ao
setor privado, como instância
geradora de riquezas, para aplicação dessa riqueza na saúde e
educação do Amazonas? Essas
instâncias são responsáveis pela
qualidade de vida e realização
pessoal e profissional de nossos jovens. Essa pergunta nos
fazemos em todas as reuniões
de avaliação deste paradoxo: o
Amazonas é um dos 5 Estados
que mais recolhe tributos ao setor público. E é, hoje, segundo
o IBGE, o Estado em que 2,7
milhões de pessoas estão em
vulnerabilidade social. Ou seja,
a fome aumentou assustadoramente com a pandemia. E afinal,
como garantir a melhoria perene
da Saúde, sendo que a nova Lei
do FTI determina 50% para a
Saúde? Além de recolher um
baú abarrotado de recursos ao
poder público, ainda temos que escutar a maledicência contra o
programa ZFM, tentando insinuar que somos responsáveis
por este cenário de inaceitável
exclusão social.
Sofrimento da população
Por que a saúde pública, desde sempre, é extremamente deficiente? Todos assistimos, várias
vezes, a notícias e imagens de
hospitais lotados, pacientes nos
corredores, falta de insumos, espera de meses por uma cirurgia
ou um exame mais delicado.
Assistimos, há vários anos, a
denúncias com relação aos desvios criminosos de recursos da
saúde. Como interferir nessas
distorções? Deixamos à justiça
e à polícia essa atribuição. À
nós do setor produtivo compete
continuar gerando empregos e
pagando os impostos para que
os serviços públicos seja dignamente prestadia a população.
No entanto, temos nos mobilizado para ajudar as equipes
de saúde e as pessoas que hoje
estão vivendo essa angústia da
fome causada pela pandemia.
Isso se deve ao compromisso
solidário das empresas, pois
nossa responsabilidade social
na geração de empregos e coleta
de impostos cumprimos com
denodo e rigor.
Desigualdades regionais
Seguiremos, cabe insistir,
na reclamação sistemática de
que a riqueza aqui gerada é
destinada, fundamentalmente,
à redução das desigualdades
regionais, por mandamento
constitucional. E este é o critério de avaliação dos gastos
públicos. Em suma, estamos
fortalecendo a Ação Social Integrada. Fazer o bem faz bem,
tanto a quem precisa, mas
principalmente para aquele
que estende as mãos solidárias
para o seu irmão. E não mediremos esforços para continuar
prestando essa ajuda. Quanto
à aplicação dos recursos gerados pelas empresas através
de impostos, temos todos que
exigir que sejam devidamente
utilizado em prol da população. Vamos cobrar mais transparência e eficiência na gestão
desses recursos, especialmente
na direção da saúde pública,
com a oferta decente do número de leitos e com o devido
abastecimento de insumos para
prestar serviços dignos ao cidadão e sua família.
(*) Wilson é economista, empresário, presidente do CIEAM,
e coordenador da Convergência
Empresarial da Zona Franca de
Manaus.