Conta de luz volta à bandeira verde em dezembro

Notícia publicada pelo site Valor Econômico

30/11/2018

Notícia publicada pelo site Valor Econômico

Após oito meses, a bandeira tarifária deverá voltar à cor verde, ou seja, sem
cobrança adicional na conta de luz dos consumidores brasileiros, em
dezembro. A expectativa é de executivos, especialistas e autoridades do setor
elétrico ouvidos pelo Valor, baseados principalmente no intenso volume de
chuvas observado em novembro e previsto para dezembro, o primeiro mês do
período chuvoso.

A estimativa mais atual do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)
para o volume de chuvas para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste – que
concentra 70% da capacidade de armazenamento de água para geração de
energia do país – em novembro é de 29% acima da média histórica para o
período. O número final de novembro e a primeira projeção oficial para
dezembro serão divulgados hoje.

Pelo modelo computacional utilizado
pelo órgão, o volume de chuvas das
últimas semanas influencia as previsões
para as semanas seguintes. Por esse
motivo, algumas comercializadoras de
energia já trabalham com a possibilidade
de o preço de liquidação das diferenças
(PLD), o preço spot de energia, chegar ao
piso regulatório, de R$ 40,16 por
megawatt-hora (MWh), na próxima semana, pela primeira vez desde março
de 2016. Naquele ano, o piso regulatório do PLD era de 30,25/MWh. O valor
atual do PLD é de R$ 101,71/MWh.

De acordo com projeções da comercializadora Comerc, a média do custo
marginal de operação (CMO), indicador que baliza o cálculo do PLD, previsto
para dezembro no Sudeste é de R$ 84/ MWh. Para janeiro, a previsão é de
R$ 65/MWh, com trajetória de queda até maio, no fim do período chuvoso,
com R$ 38/MWh.

A companhia prevê que o nível dos reservatórios do Sudeste/ Centro-Oeste
alcance 22,8% no início de dezembro, assumindo trajetória de alta até maio,
com expectativa de encerrar o período chuvoso com 79,5% de estoque. A
previsão de chuvas da Comerc para dezembro é que fique 8% acima da média
histórica para o mês no Sudeste/Centro-Oeste.

As projeções da comercializadora Máxima Energia vão na mesma linha.
“Também projetamos bandeira verde em dezembro. O cenário hidrológico
melhorou muito. O mês de novembro foi decisivo. E as chuvas devem ficar
dentro da normalidade em dezembro”, afirmou o presidente-executivo da
empresa, Rafael Bispo.

Para a comercializadora Safira Energia, o volume de chuvas previsto para
dezembro também deve influenciar a bandeira verde. O único ponto de
preocupação para os próximos meses é o aumento da temperatura, que pode
provocar um crescimento mais acentuado do consumo de energia. “Os
reservatórios não estão mais deplecionando [perdendo volume] e o solo está
mais úmido. Mas o aumento da temperatura pode prejudicar esse cenário”,
explicou Gabriella Sales, analista da Safira Energia.

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz
Eduardo Barata, também afirmou, em recente evento do setor elétrico, no
Rio, que não descartava a possibilidade de bandeira verde em dezembro, mas
que a definição da cor é uma atribuição da Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel) e leva em consideração outros fatores além do CMO, como o
GSF (sigla em inglês para o fator de ajuste da garantia física das
hidrelétricas).

Segundo o executivo, o período de chuvas começa “bastante promissor”. Para
o operador, os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste podem chegar ao fim
de abril com 50% a 60% de armazenamento.

A comercializadora Ecom Energia também prevê que o cenário positivo para
dezembro se estenda para os próximos meses. “Temos expectativa de
bandeira verde em dezembro e no início do ano que vem. Enxergamos
bandeira verde permanecendo por uns três, quatro meses. Já vemos PLD a
R$ 100/ MWh em dezembro e temos também uma expectativa de melhora do
GSF com a recuperação das chuvas”, disse Rafael Bozo, analista regulatório
da Ecom Energia.

A consultoria Thymos Energia também projeta um GSF próximo de 100% em
dezembro. “O GSF deve ficar em 93% em dezembro. Então, isso projeta uma
bandeira verde sem muitas surpresas”, disse Daniela Souza, consultora da
Thymos.


Um pouco mais cautelosa, a comercializadora Delta Energia projeta um mês
de dezembro favorável, mas indica que ainda não é possível saber se o
cenário permanecerá neste nível nos próximos meses do período úmido.
“Temos uma visão para o início de dezembro, mas não sabemos se vai se
manter. A média de longo prazo de janeiro da hidrologia é muito alta, se as
afluências ficarem um pouco menores, pode ser que o preço suba”, afirmou
Débora Mota, gerente de gestão de clientes da Delta.






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