Codam na luta pela ZFM



21/06/2022

MARCO DASSORI

O foco da 296ª Reunião
Ordinária do Codam, ocorrida nesta
segunda (20), esteve
na necessidade de garantir a
sobrevivência da ZFM e ampliar
o leque de matrizes econômicas do Estado, complementando o PIM. Em meio à luta da
Zona Franca de Manaus no STF
para garantir o cumprimento
dos preceitos constitucionais
que amparam sua segurança
jurídica, diversos conselheiros
pediram a palavra para enfatizar a necessidade de combater
a desinformação em torno do
modelo e da união dos setores
econômicos nesse esforço.

Em paralelo, o Conselho de
Desenvolvimento do Estado do
Amazonas também deu sinal
verde aos 40 projetos industriais
de implantação (20), diversificação (16) e atualização (3)
listados na pauta do encontro,
que preveem R$ 1,54 bilhão em
novos investimentos industriais
para o Estado e 1.373 postos
de trabalho para o Amazonas,
nos próximos três anos. Um dos
destaques vem da Oben Brasil
Ltda, que está investindo R$
761,64 milhões, para produzir
componentes do polo termoplástico, abrindo 308 novas
vagas no PIM no processo. A
aprovação da pauta se deu nos
minutos iniciais do encontro,
sem objeções.

Ao encerramento da reunião
do Codam, foi lançado o Fórum
Permanente de Desenvolvimento Sustentável, que se encerra
nesta terça (21). O evento reuniu
empresários e autoridades, sob
a coordenação da Sedecti (Secretaria de Desenvolvimento
Econômico, Ciência, Tecnologia
e Inovação), para discutir os
rumos dos investimentos em
novas matrizes econômicas e na
economia verde no Amazonas.
O local é o Salão Rio Solimões,
do Centro Cultural Palácio Rio
Negro, Centro, zona Sul.

“Partido único”

O titular da FTIAM (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Estado do Amazonas),
Ricardo Alvarez Miranda, usou
seu tempo de microfone para
cobrar a presença do governador Wilson Lima –que chegou
a tempo da abertura do Fórum
–e do prefeito David Almeida na
reunião, em face da atual crise
pela qual passa a ZFM, e disse
que não dá para a cidade voltar a ser um “porto de lenha”.
“Este conselho merece explicações deles, para sabermos os
rumos que vamos tomar daqui
adiante. Não adianta só uma,
duas ou três pessoas defenderem
esse modelo. Está todo mundo
calado, e é lamentável. Os empresários estão fazendo milagre para
segurar empregos no Distrito”,
desabafou.

O vice-presidente da Fieam,
Nelson Azevedo, pediu a palavra
para apontar gargalos do setor.
“Tentamos acompanhar a evolução tecnológica, mas temos tido
muita dificuldade, primeiro com
a pandemia, e depois com essa
guerra. Principalmente porque
estamos isolados. Um de nossos
principais entraves é a infraestrutura. Reclamamos da rodovia
BR-319 (Manaus – Porto Velho),
mas a AM-010 (Manaus – Itacoatiara) está impraticável. E é muito
importante que ele esteja bem. A
empresa de energia Eneva tem,
diariamente, 120 carretas tanques
indo e vindo entre Boa Vista e
Silves”, exemplificou.

Azevedo defendeu que o
Amazonas não deve buscar alternativas ao modelo, mas enfatizar
novas matrizes econômicas para
complementar o PIM. Segundo o
dirigente, seria difícil desenvolver alguma atividade econômica
em dez ou 15 anos, “em razão das
dificuldades que temos aqui”.
Na oportunidade, o vice-presidente da Fieam também apelou
às pessoas presentes em favor
de união e de todos “falarem a
mesma língua” e assinalou que
ainda falta conhecimento a respeito da ZFM, mesmo entre os moradores da ZFM.

“Quando você pergunta o
que é, respondem que é ‘um paraíso fiscal cercado de miséria’.
O superintendente da Suframa general
Algacir Polsin
está fazendo
um trabalho
de ‘Zona Franca de Portas
Abertas’, que
está ajudando as crianças
das escolas
nesse sentido.
Tenho visto
união entre as
instituições.
Temos de esquecer as colorações partidárias e defender um
partido chamado Amazonas,
com o candidato único na Zona
Franca de Manaus”, declarou,
sendo aplaudido pela plateia,
em seguida.

O presidente em exercício da
Fecomércio-AM, Aderson Frota,
fez um paralelo, ao lembrar que
os setores terciários da economia amazonense são os maiores
empregadores
e geradores de
tributos. Mas,
também destacou que os
mesmos foram
os que mais
sofreram com
as políticas de
isolamento social implementadas durante
a pandemia.

“Por que
essas cifras não
são reconhecidas? Porque nos comunicamos
mal. Esse é um desafio que temos
de enfrentar. Vejo que a indústria
sofre um problema muito sério
de agressão, e digo que muita
gente não conhece a história da
Zona Franca de Manaus e que ela
começou justamente pela ameaça
da soberania nacional do Brasil.
Acham que a ZFM é um paraíso
fiscal, onde os comerciantes e
industriais gozam de uma série
de isenções. Não é só isso, mas
o esforço. Temos a infraestrutura
mais cara do mundo”, afiançou.

Esforço de interiorização

O presidente da Faea, Muni
Lourenço, comemorou os três
projetos da pauta envolvendo
o setor primário no interior do
Amazonas. Um deles vem da
Portela Comércio de Produtos
Alimentícios Eireli, que vai produzir castanha beneficiada, em
Lábrea, com investimento total
de R$ 581.120 e previsão de gerar sete vagas no mercado de
trabalho local. Em Humaitá, o
projeto aprovado é da empresa
Pleno Indústria e Comércio de
Ferragens (R$ 4,01 milhões e 28
empregos) e consiste na produção de estruturas de ferro para
construção civil, telhas metálicas e perfis de ferro. Já a J.M.
de Souza Comércio de Pescados
Ltda (R$ 1,20 milhão e 54 postos
de trabalho) pretende beneficiar
peixes, em Parintins.

“São empresas que vão empregar matérias-primas regionais. Isso tem sido recorrente no
Codam, e esperamos que possa
ser potencializado. Têm sido palavras de ordem deste conselho
duas máximas a primeira delas é a defesa intransigente da
ZFM, modelo fundamental para
todos nós, amazonenses. Tão importante quanto isso, é o viés
da interiorização. O Amazonas
é muito maior do que Manaus
e o Codam é um instrumento
fundamental nisso. Segmentos
como o da mineração, manejo
florestal, pesca esportiva, turismo
e agropecuária sustentável não
podem ser colocados de lado”,
afiançou.

“Trabalho unido”
Durante seu pronunciamento, o titular da Suframa, Algacir
Polsin, destacou o trabalho realizado pelo “tripé” entre indústria,
comércio e setor primário, para a criação de “um bom ambiente
de negócios”. Para o superintendente, os setores têm conseguido superar as dificuldades
impostas pela pandemia, “pelas
situações macroeconômicas do
país”, e pelos “problemas logísticos internacionais agravados pela
crise entre Rússia e Ucrânia”,
conseguindo se manter “mais
fortes e integradas”. O superintendente ressaltou o esforço da
Sedecti em manter agilidade na
aprovação dos projetos e frisou
que a parceria com o Estado é
“fundamental” na luta por mais
investimentos para a região.

Polsin deu ênfase também
a outras pautas positivas como
a reunião do CAS (Conselho
de Administração da Suframa),
que ocorre esta semana, à Expo
Amazônia Biotic, programada
para a semana que vem, e a eventos “relevantes no processo de
“guinada” econômica e social.
“Para que a gente continue tendo
pautas positivas, temos oportunidade de criar novos vetores
econômicos, reforçar cada vez
mais o PIM e, ao mesmo tempo,
buscar reduzir essa dependência
do mesmo. Não é, de forma alguma, substituí-lo, mas sim, buscar
a complementaridade, por meio
de vários vetores econômicos”,
ponderou.

O titular da Sedecti, Angelus
Figueira, disse que as próximas
edições do Codam ocorrerão em
intervalo menor. “A despeito das
dificuldades, acabamos de aprovar 30 projetos e teremos pelo
menos mais 1.500 empregos gerados no PIM. O Codam, a Sedecti
e governo do Estado, dentro do
que falou o general Polsin, estará
diminuindo o prazo das reuniões
e aprovar mais projetos. E há
a interiorização, com o disse o
conselheiro Muni. Já temos inúmeros projetos em curso, sendo
analisados. E é impressionante a
participação de todos os setores.
Nosso Distrito é nosso oxigênio.
Nosso comércio é nosso sangue,
nossa vida. E o setor primário, da
mesma forma. Vamos trabalhar
unidos”, concluiu.

Saiba mais sobre o Fórum

Em texto veiculado pela Secom (Secretaria de Comunicação
Social), o governador do Amazonas, Wilson Lima, lembrou que o
objetivo do Fórum Permanente de
Desenvolvimento Sustentável é
promover discussões em torno do
desenvolvimento econômico do
Amazonas para se complementar às atividades desenvolvidas
na ZFM. “Elencamos 21 cadeias
produtivas no setor primário, inclusive piscicultura. A gente tem o
turismo também como um desses
vetores, além de gás e mineração”, declarou, acrescentando que
a instalação de novos projetos é
importante, mas o foco “é a questão social”.
O evento conta com apoio
da Fapeam e da GIZ (Agência
de Cooperação Técnica Alemã),
além da participação de diversas
instituições públicas e privadas
e empresas com potencial investidor. O Fórum foi desenhado
para discutir e criar alternativas
que gerem ocupação e renda para
o interior, fortalecendo e complementando a economia do PIM.
A ideia é trabalhar a expansão
de lavouras industriais (cacau,
café, açaí e outras culturas), assim
como, incentivar o uso sustentável
dos recursos naturais, a exemplo
do manejo florestal sustentável.

Fonte: JCAM