Postado em 07/12/2018 Uma nova bússola para o Brasil e para o Amazonas
Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. cieam@cieam.com.br
07/12/2018 13:49
*Jaime Benchimol
Temos razões para alimentar otimismo com a escolha de
Jair Bolsonaro como presidente do Brasil, não apenas
pelo que ele representa para a economia brasileira,
mas, de certa forma, também, para a economia do
Amazonas. Para nós que nos envergonhávamos do
capitalismo e padecemos de uma herança da burocracia,
com uma máquina pública lenta, pesada e perdulária,
parece quase um milagre que alguém com uma retórica de liberalismo econômico, redução do tamanho do
estado, privatizações e desregulamentação da
economia, chegasse à presidência da república. Por
uma rara combinação de fatores políticos, econômicos e
legais, isso foi possível.
Reconciliação com o capitalismo
Temos insistido na necessidade de reconciliação com o
capitalismo, onde o estado cumpra o papel institucional
de facilitador para a geração de riquezas através da
liberdade para empreender e consumir. A presença de
Paulo Guedes, uma referência acadêmica e
administrativa da visão liberal, deve comandar a
economia, na função de superministro, atento a
promover a competição, reduzir as barreiras para
investimentos, flexibilizar as importações e colocar os
interesses dos consumidores no centro da equação
econômica.
Combate à pobreza
Precisamos de menos impostos e menos gastos
públicos. Quem arrecada menos aprende a gastar
melhor prestando melhores serviços ao público, nas
áreas que não puderem ser privatizadas. Devemos
deixar mais recursos na mãos dos consumidores para
que eles tomem, com liberdade, as suas próprias
escolhas através de preços livres que promovam a
alocação correta de investimentos onde eles são
desejados e necessários, sem dirigismo governamental.
Esse é o princípio da eficiência econômica que levou
tantos países à riqueza e à prosperidade. A prioridade
deve ser combater a pobreza e o desemprego que
causam sofrimento humano, e não a desigualdade,
resultado da diferença de talentos para aprender,
inovar, trabalhar e tomar riscos.
Alento para o Amazonas
Para o Amazonas vejo também mudanças positivas na
nova era Bolsonaro. O asfaltamento prometido da BR-319 que nos liga a Porto Velho e ao restante do Brasil
encerrará um longo período de isolamento do
Amazonas com o país, por via terrestre, criando muitas oportunidades na agricultura, pecuária, mineração e
redução nos custos de transporte, facilitando inclusive a
logística de grãos do Centro-Oeste para o exterior.
Adicionalmente acredito que a Amazônia ganha
renovada prioridade na nova geopolítica do governo
federal que dará mais atenção à proteção de fronteiras,
combate ao narcotráfico e a instituições como o
Comando Militar da Amazônia, a Base aérea de
Manaus, estação Naval e órgãos de monitoramento
regional como SIVAM, SIPAM etc. Vejo ainda vantagens
na posição do futuro governo no enfrentamento da
regulamentação ambiental excessiva, que ao
desconsiderar os interesses do homem amazônico de
hoje, nos tem impedido de dar utilização e
aproveitamento aos nossos recursos naturais
dificultando a criação de alternativas econômicas para o
estado.
Novas modulações econômicas
Dentre os desafios que iremos nos defrontar estão a
provável abertura da economia brasileira para o
exterior com menos impostos sobre as importações e
consequente impacto sobre a competitividade da
indústria da ZFM, porém espero que esse movimento
seja gradual e a longo prazo benéco para promover
maior eciência da indústria e também para obrigar o
Amazonas a diversicar a sua economia, hoje
excessivamente dependente do modelo ZFM. O atual
modelo, que precisa ser preservado, nos trouxe cinco
décadas de relativa prosperidade, mas nos manteve
reféns de incentivos scais que nos distanciaram de
nossas verdadeiras vocações para atividades como a
mineração, o turismo, a extração orestal, a
fruticultura, a piscicultura, a bioindústria, a construção
naval,etc
Assim, uma nova era se iniciará cabendo a nós
assumirmos o controle do nosso destino e do nosso
futuro.
(*) Jaime Benchimol é empresário.
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Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. cieam@cieam.com.br
Publicada no Jornal do Commercio do dia 07.12.2018