Postado em 18/01/2023 Faturamento, massa salarial e rendimento médio da indústria avançam em novembro, diz CNI

18/01/2023
Por Valor — São Paulo
18/01/2023 10h39
A pesquisa Indicadores Industriais, realizada pela Confederação Nacional da
Indústria (CNI) e divulgada nesta quarta-feira (18), mostra que os resultados do
mês de novembro de 2022 não sugerem novos impulsos da indústria de
transformação — considerando a pequena variação da utilização da capacidade
instalada e das horas trabalhadas e a acomodação do emprego.
No entanto, houve espaço e uma relativa estabilidade de preços para o avanço dos
indicadores financeiros como faturamento, massa salarial e rendimento médio
do trabalhador. Neste cenário, o faturamento avançou pelo segundo mês
consecutivo e atingiu o ponto mais alto desde 2015.
O levantamento mensal, que teve início em 1992, identifica a evolução de curto
prazo da atividade industrial, mais especificamente da indústria de transformação,
por meio de variáveis como faturamento, emprego, remuneração e utilização da
capacidade instalada.
O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, ressalta a relevância
do levantamento para o setor industrial. “Essa pesquisa é muito importante porque
acompanha variáveis fundamentais para a compreensão do cenário no qual a
indústria de transformação se encontra. Com os resultados de novembro, já
compreendemos o que houve em boa parte de 2022 e identificamos uma perda do
ritmo de atividade nesse fim de ano, com relativa estabilidade do emprego, das
horas trabalhadas na produção e da utilização da capacidade instalada. Ainda assim,
apenas em dezembro poderemos completar esse quebra-cabeça”, explica Azevedo.
Ainda de acordo com o gerente de Análise Econômica da CNI, a atual edição dos
Indicadores Industriais, referente a novembro, apresenta um quadro em que a
indústria mostra a falta de certos impulsos para continuar a atividade com
crescimento.
“Por outro lado, as variáveis ligadas ao rendimento do trabalhador e ao rendimento
da própria indústria seguem bastante positivas”, avalia Marcelo Azevedo.
De acordo com o levantamento do mês de novembro, o faturamento real da
indústria de transformação cresceu 1,4% em relação ao resultado de outubro, na
série livre de efeitos sazonais. E na comparação com novembro de 2021, o
faturamento teve crescimento de 9,9%.
Além disso, com relação ao mercado de trabalho, as variáveis associadas à
remuneração do trabalhador – massa salarial e rendimento médio – também
avançaram e atingiram o ponto mais alto desde 2020.
A massa salarial real da indústria de transformação cresceu 1,0% na comparação
com outubro, na série livre de efeitos sazonais, e o resultado do mês reverteu a
queda de outubro (-0,5%). Na comparação com novembro de 2021, o crescimento
da variável é de 6,8%. Já o rendimento médio real dos trabalhadores da indústria
teve avanço de 1,0% em novembro de 2022, na comparação com outubro, na série
livre de efeitos sazonais. Na comparação com novembro de 2021, o rendimento
apresenta avanço de 6,0%.
O indicador Utilização da Capacidade Instalada (UCI) registrou estabilidade em
novembro de 2022, com variação de 0,1 ponto percentual (p.p.), na comparação
com outubro, para 80,3%, na série livre de efeitos sazonais.
O indicador mede o percentual ocupado do parque industrial, e o avanço acontece
após uma leve tendência de queda observada desde o fim de 2021.
Apesar dessa tendência da UCI, o indicador está acima dos 80% desde março de
2021. E na comparação com novembro do mesmo ano, apresenta recuo de 1,0 p.p.
As horas trabalhadas na produção ficaram praticamente estáveis em novembro de
2022, na comparação com outubro, ao registrar alta de apenas 0,1% na série livre de
efeitos sazonais.
A pesquisa destaca que, em setembro de 2022, o índice interrompeu a tendência de
crescimento que seguia desde meados de 2021. Na comparação com novembro
daquele ano, houve um crescimento de 1,3%.
O emprego industrial também permaneceu estável em novembro, após variação de
0,1% na comparação com outubro, na série dessazonalizada.
O comportamento recente reforça a acomodação do ritmo de crescimento do
emprego, que registrou sucessivas altas entre o segundo semestre de 2020 e o
segundo semestre de 2022. Na comparação com novembro de 2021, a alta foi de
0,8%.
Fonte: Valor Econômico