[Artigo]: A Zona Franca de Manaus é o termômetro do Brasil



07/01/2022

Juarez Baldoino*

Os produtos fabricados no
Polo Industrial da ZFM (Zona
Franca de Manaus) não são bens
de primeira necessidade, e quando o faturamento de suas indústrias totalizou R$ 131 bilhões até
outubro de 2021 como anunciado
pela Suframa (Superintendência
da Zona Franca de Manaus), e
mesmo com os dados de que o
desemprego de 14 milhões de
pessoas esteja elevado e os juros
também estejam altos, a indicação é de que parece que o Brasil
vai bem melhor do que se tem
tido de notícias em geral.

O otimismo de que há melhora vem ainda dos 36 milhões
de empregos informais porque
também geram renda e movimentam a economia, ainda que
sem proteções sociais completas
e sem programas de garantia de
renda mínima.

Como a informalidade é ainda uma das portas para o empreendedorismo, é também um
perfil positivo para a economia
em geral, e que numa segunda
fase se consolida na regularização e formalização legal.

Televisores, motocicletas,
tablets, celulares, brinquedos e
uma série de outros artigos da
ZFM não essenciais, ao serem
procurados pelos brasileiros, denota que há renda circulando
para consumo depois de consumidos os produtos de primeira
necessidade, ou seja, embora não
haja necessariamente sobra de
renda, há renda suficiente para
superar o básico.

A ZFM, por não depender
de si, é demandada pelo mercado consumidor e se modula
de acordo com este mercado,
nele não tendo capacidade de
interferência relevante. Pela categoria de seus produtos é um
termômetro que pode indicar até
o grau de confiança do consumidor na expectativa de resposta
positiva da economia em cenário
de curto prazo e médio prazo.

Em ambiente de crise mais
severa o consumidor estaria mais
cauteloso e selecionaria os desembolsos domésticos.
Há que se considerar também que a crise de 2020 e 2021
não foi causada por falha no
funcionamento da estrutura da
economia como ocorrera em 2018
e nas crises anteriores, mas por
lockdown generalizado para
prevenção da saúde, mesmo que
tenha havido manipulação para
provocar estes eventos sobre o
vírus segundo teorias que circulam pelo mundo.

Com o arrefecimento do
mecanismo de lockdown, independentemente de ser medida
adequada ou não na questão da
saúde pública, o consumo se expande de forma acelerada, dado
que houvera um represamento
forçado de sua dinâmica.
Quando o Brasil vai bem,
a ZFM vai bem, e os seus R$
131 bilhões são um termômetro
indicando que o Brasil tende a
seguir bem.

*é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós- Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM

Publicado em https://brasilamazoniaagora.com.br/a-zona-franca-d…

Fonte: JCAM