Postado em 21/05/2021 Aço continua caro

21/05/2021
Fonte: Jornal do Commercio
A avaliação da construção civil e da indústria
do Amazonas é que o
custo do aço –um dos
principais insumos para ambos
os setores –seguirá em alta, no
curto prazo, pressionando os
preços finais nas empresas. A
despeito das recentes notícias de
aumento na oferta do metal, o
entendimento do Sinduscon-AM
(Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas) e da
Fieam (Federação das Indústrias
do Estado do Amazonas) é que a
demanda seguirá com mais força
e que o retorno ao equilíbrio de
mercado vai
demorar.
emorar.
Junta –
m e n t e c o m
combustíveis,
alimentos e
produtos químicos, a metalurgia foi uma
das principais
influências da
alta do IPP (Índice de Preços
ao Produtor),
que mede a
“inflação de
porta de fábrica”. O segmento contribuiu
com uma alta
de 0,41 pontos percentuais para
o aumento de 4,78% no indicador
do IBGE, na passagem de fevereiro para março. Foi o segundo
maior aumento desde 2014, superando de longe a inflação oficial
do IPCA (+0,93%), no mesmo
período.
induscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do
Amazonas) junto a construtoras
associadas, no mesmo mês, indicou uma elevação de 87,23% no
preço médio local do aço. O CUB
(Custo Unitário Básico de Construção) passou de R$ 4,70 (2020)
para R$ 8,80 (2021), no período, tomando-se como medida o metro quadrado. A entidade estima
ainda que, entre março e abril, já
tenha ocorrido um novo reajuste
de 18% no insumo metálico.
Dados fornecidos pela IABr
(Instituto Aço Brasil) mostram,
por outro lado, que a produção
brasileira de aço bruto avançou
59,3%, no confronto de abril com
o mesmo mês do ano passado,
totalizando 3,1 milhões de toneladas –o melhor número desde
outubro de 2018. O comparativo
do quadrimestre rendeu 11,8 milhões de toneladas e elevação de
15,9%. A fabricação de laminados
subiu 77,4% (2,3 milhões de toneladas), na variação anual, e 21,4%
(8,6 milhões), no acumulado. A
produção de
semiacabados
para vendas
cresceu 6,4%,
no primeiro
caso (638 mil),
mas recuou
5,6%, no segundo (2,5
milhões).
No plano global, a
ampliação da
oferta também é uma
realidade. A
produção das
siderúrgicas
chinesas bateu
novo recorde,
com alta de 15,12% na comparação dos números de abril com os
do mesmo mês do ano passado,
de 85 milhões (2020) para 97,85
milhões (2021) toneladas. Os preços do minério de ferro –matéria-
-prima, contudo, voltaram a subir
nesta semana, após o mergulho
pontual de 12% registrado pela
commodity, no final da semana
passada.
Sinal de que a demanda segue mais forte. A mesma base de
dados da IABr informa que as
importações alcançaram 1,41 milhão de toneladas nos quatro primeiros meses de 2021, escalando
99,1% sobre o mesmo período do
ano anterior. Os valores somaram
US$ 1,29 bilhão e foram 69,8%
maiores. O comparativo de abril
indicou elevações de 91,40% para
a quantidade (356 mil toneladas)
e de 85,40% para os valores (US$
343 milhões).
Escassez e importações
O presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, informou que
os dois gargalos de custos de materiais para a construção civil são
o PVC e o aço. Ele salientou que,
embora o percentual da participação do aço nos empreendimentos
do setor não seja tão grande, e
raramente ultrapasse os 5%, sem
o metal, não é possível concluir
as obras. O dirigente diz que,
caso confirmado, o aumento de
oferta será “muito bem-vindo”,
mas mostra ceticismo para o curto prazo.
“Que eu saiba, o aço só está
subindo. Ainda há escassez do
material e é difícil falar de redução de preço. Temos de entender
que esse aumento de demanda se
deu em toda a cadeia da construção. Não vejo uma explosão
de demanda e acredito que só
está faltando, porque outros segmentos começaram a consumir
mais, enquanto as siderúrgicas
desligavam seus fornos. Mas, há
uma teoria que diz que o consumo vai aumentar quando passar
a pandemia. Precisamos desse
aumento de oferta”, ponderou.
Frank Souza considera que
a solução pode vir de fora, já
que a CBIC (Câmara Brasileira
da Indústria da Construção) está
fazendo um trabalho com as cooperativas de todo o país para
fechar a importação de aço –que
sairia mais barato mercado nacional, apesar do dólar mais caro.
A entidade está pleiteando junto
ao governo federal uma redução
nas alíquotas de importação, mas
ainda há a barreira de normatização que dificulta a certificação
do produto. A expectativa do
presidente do Sinduscon-AM,
contudo, é que isso seja resolvido
até o terceiro trimestre.
Demanda reprimida
O presidente da Fieam, Antonio Silva, reforça que o peso
da importância do aço para a
indústria é diferente, conforme
o segmento. No caso das motocicletas, o insumo representa
em torno de 60% do valor do
produto final, embora esteja em
curso uma transição do aço para
o alumínio, em modo similar ao
que aconteceu com as bicicletas.
Para os eletroeletrônicos, prossegue o dirigente, a participação é
menor e perde para outros insumos, como cobre, ouro e tântalo,
além do display de cristal líquido.
“Os produtos do segmento
eletroeletrônico possuem cada
vez menos plástico e gabinete
metálico de aço. Mas, o metal
é insumo fundamental para as
nossas indústrias, especialmente nos segmentos metalúrgico,
duas rodas e metal mecânico. A
meu ver, ainda existe uma demanda reprimida muito grande,
que deve pressionar os valores
e impossibilitar essa redução
global dos preços. Assim que a
produção retomar os patamares
anteriores à crise, também devemos ter uma manutenção dos
preços em alta”, afiançou.
Estoques defensivos
Em matéria postada na Agência Brasil, o presidente executivo
do IABr, Marco Polo de Mello
Lopes, destacou que os números
foram impactados por uma base
de comparação fraca –abril foi o
mês mais grave da primeira onda.
Mas, o dirigente avalia que, ainda
assim, o levantamento mostra que
a indústria brasileira do aço continua produzindo e “colocando no
mercado interno acima do que foi
produzido e ofertado no início do
ano”, antes da crise da Covid-19.
“A maior demanda do mercado interno reflete a retomada
dos setores consumidores, mas
também a formação de estoques
defensivos de alguns segmentos
em relação à volatilidade do mercado, ocasionado pelo boom no
preço das commodities. No caso
da indústria do aço, a quase totalidade de insumos e matérias
primas e, em especial, as essenciais
como minério de ferro e sucata,
continuam com significativa elevação de preços, com forte impacto nos custos de produção do
setor”, finalizou.