Postado em 19/02/2021 Luta para preservação do PIM

19/02/2021
Fonte: Jornal do Commercio
Marco Dassori
O anúncio, oficializado em publicação
da edição do “Diário Oficial da União”
desta quinta (18), do corte escalonado da alíquota do Imposto de Importação de bicicletas
mobilizou a bancada federal do
Amazonas, que se reuniu no
mesmo dia para traçar estratégias. A meta é evitar que o corte
da alíquota de
35% para 20%
no custo da
importação
gere uma debandada no
segmento, na
ZFM e demais
partes do país.
Para isso, os
parlamentares
devem atacar
em duas frentes: decretos
legislativos e
tentativas de
convencimento junto ao ministro Paulo Guedes, e ao presidente Bolsonaro.
Em vídeo postado em suas
redes sociais e distribuído por
sua assessoria de imprensa,
o vice-presidente da Câmara
dos Deputados, Marcelo Ramos
(PL-AM), assinalou que a medida do Camex simplesmente
inviabiliza o polo de bicicletas
da Zona Franca de Manaus, ao
mesmo tempo em que “transfere
empregos para a China”. Diante
disso, o parlamentar informou
que a bancada já participou de
reunião virtual e deve apresentar um projeto de decreto legislativo. Acrescenta ainda que o
senador Omar Aziz encaminhou
uma carta a Paulo Guedes, e informou que também deve
conversar com o ministro da
Economia, na semana que vem.
“Hoje, acordamos com o
presidente comemorando em
uma rede social a decisão da
Camex, que reduziu o Imposto
de Importação sobre bicicletas,
decreto esse já publicado no
“Diário Oficial”. Vivemos, no
Amazonas, um dos momentos
mais críticos de nossa história.
Estamos em uma crise sanitária
sem precedentes, com efeitos
econômicos
gravíssimos,
na medida em
que milhares
se amazonenses não estão
podendo trabalhar, o que
torna ainda
maior a nossa
dependência
dos empregos do PIM.
(…) Precisamos agir duramente para
proteger a ZFM, porque isso
significa proteger os empregos
dos amazonenses”, asseverou.
“Briga do Amazonas”
Em sintonia, Omar Aziz (PSD-AM), também por meio de
vídeo postado em suas redes
sociais, se disse surpreso com
a postagem presidencial e concordou que, com a alíquota de
II reduzida a 20%, a indústria
nacional de bicicletas não terá
mais como competir, dado o
Custo Brasil. O senador lembra
que as indústrias do segmento
são multinacionais e suas matrizes estão em outros países
–principalmente na Ásia, que
responderia por 75% da produção global. Diante desse quadro prossegue o político, os empregos migrariam do Amazonas –e
de outras partes do país –para
a Ásia e o México, onde os encargos são menores.
“Se nós, do Amazonas, não
brigarmos por isso, ninguém
mais vai. Essa luta é nossa, da
bancada, do governo do Estado. E deve ser tratada em dois
caminhos. Um é o decreto legislativo, que está sendo proposto
pela bancada, que vamos tentar
aprovar no Senado e na Câmara.
O outro é tentar sensibilizar o
presidente para que não reduza
essa alíquota do II. Com isso,
podemos ter uma vitória. Precisamos ter muita capacidade
de negociação para conseguir
isso. E vamos tentar para manter
esses empregos aqui”, afiançou.
“Invasão chinesa”
Em sintonia, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) anunciou, nesta quinta (18), que será
apresentado um projeto de decreto legislativo para suspender
os efeitos da decisão do governo
federal de reduzir, a partir de 1º
de março, a alíquota do imposto de importação de bicicletas.
“Passaremos a ser invadidos por
bicicletas produzidas na China,
gerando empregos na China e
desempregando brasileiros,
justamente num momento em
que o Brasil precisa gerar emprego e renda para garantir a
sobrevivência do nosso povo”,
lamentou, em vídeo postado nas
redes sociais do senador.
Ainda no vídeo, Braga lamentou que a iniciativa do governo federal seja tomada justamente em meio à pandemia de
Covid-19, que já vitimou mais
de 10 mil cidadãos amazonenses. “Em um momento em que
o Amazonas vive um caos na
saúde pública, em função da
incompetência e da incapacidade do governo do Estado
em resolver questões básicas”,
desabafou.
Canetada arbitrária
Em postagens em suas redes sociais, o deputado federal
Sidney Leite (PSD-AM), reforçou que a defesa do modelo
ZFM e de seus trabalhadores e
trabalhadoras é uma bandeira
de seu mandato e concordou
que a “redução arbitrária de
impostos” vai acabar com a
indústria de bicicletas em Manaus, além de eliminar empregos e “piorar a vida de muitas
pessoas”. O parlamentar argumenta que não se faz política
sem diálogo e sem conhecer as
realidades locais.
“Iremos, agora, contestar a
medida e trabalhar para aperfeiçoar o modelo econômico da
Zona Franca, garantindo emprego e renda para os amazonenses
e permitindo que nossa floresta
seja preservada. O Amazonas é um dos Estados mais afetados
pela covid-19. Além disso, cerca
de 47% da nossa população vive
abaixo da linha de pobreza. É
lamentável que, com uma canetada, o governo, ao invés de
fomentar desenvolvimento da
região, escolha piorar a vida das
famílias”, lamentou.
“Duro momento”
Em nota distribuída por
sua assessoria de imprensa, o
deputado federal José Ricardo (PT-AM), considerou que,
além de prejudicar empresas no
Brasil, a iniciativa federal é um
atentando à ZFM, inviabilizando principalmente as fábricas
de bicicletas do PIM, além de
tirar empregos do Estado para
serem criados no exterior. O
parlamentar lembrou que foi,
paradoxalmente, o governo Dilma (2011-2016) que posicionou
a alíquota em 35% para salvaguardar a indústria nacional,
e anunciou que também iria
apresentar, ainda ontem, um
projeto de decreto legislativo
para sustar tal decisão.
“Bolsonaro, que se diz nacionalista, é um verdadeiro inimigo do Brasil e da ZFM, pois
retira vantagens do povo brasileiro para dar a outros países,
desestimulando às indústrias
brasileiras e incentivando às importações. Essa decisão é um
verdadeiro atentado à economia
local. Além disso, demonstra
a perversidade de um governo
que sequer considera o triste e
duro momento em que sua população vive, enfrentando uma
grave pandemia, que já tirou a
vida de milhares de pessoas e
vem causando graves impactos
econômicos ao Estado. Não podemos permitir esse absurdo”,
concluiu.