​Amazonas: quais são as perspectivas para 2021?

17/11/2020

Nelson Azevedo*

Somos a terra da promissão. O que nos falta para
transformar potencialidades naturais em prosperidade
para nossa gente. Ora, quando paramos para
contabilizar as riquezas naturais da Amazônia em geral
e do Amazonas muito em particular, nós nos assustamos
com tantas oportunidades de negócios. Enumerá-las
tem sempre o caráter da provocação construtiva. Ou,
para ser mais assertivo, um estímulo no modo
constrangimento para despertar o empreendedorismo
que existe em todos nós. Precisamos parar para,
primeiramente, perguntar onde cada um de nós estamos
falhando e o que pode ser feito para virar esse jogo?

“Parados, pregados na pedra do Porto…?”

Todos os dias, passam por Manaus cargueiros com
insumos naturais, seja água, galhos secos das árvores
nas terras caídas, copaíba e andiroba, etc. etc… Temos
aqui a maior província mineral do planeta, água,
petróleo, gás, ouro, nióbio etc.etc…E temos 20% do
banco genético da Terra. E, saibam todos, a propósito,
que o polo industrial de Manaus está qualificado e com
capacidade instalada, para agregar beneficiamento de
qualidade e diversificação das oportunidades. Depois do
mea culpa, convenhamos. Por que essa terra da
promissão é principalmente a terra da proibição? Será
que existe alguma outra forma de proteger o bem
natural senão dar-lhe uma finalidade econômica? É claro,
sempre, atrelado ao conceito e ao princípio da
sustentabilidade. Como fazemos há mais de meio século
no Amazonas.

Distrito Agroindustrial de Rio Preto

Qual o sentido de produzirmos menos de 20 % dos
alimentos que consumimos? Nada contra comprar
tambaqui em Roraima e Rondônia. Por que não nos
juntarmos a eles e desenharmos um ambicioso projeto
amazônico de piscicultura para gerar empregos e
oportunidades? Pois bem. Trago a notícia do Distrito
Agroindustrial de Rio Preto da Eva que topou comprar
esses desafios. Dentro da Região Metropolitana de
Manaus, com apoio da Suframa e do Governo do Estado,
o município já deu passos firmes e avançados nessa
direção. Já estamos entre os maiores produtores de
peixe em cativeiro do país e a lista de produtos
agroindustriais e silvopastoris promete surpreender o
mais otimista dos promotores de novos negócios.

Integral, integrado e transparente

Trago também a boa notícia da equipe que está tocando
em frente o programa de trabalho da Suframa. Integral,
integrado, transparente e participativo. O general
Algacir Antônio Polsin e sua tropa. E, no caso, de Rio
Preto, foi dada sequência ao legado da gestão
imediatamente anterior, do Coronel Alfredo Menezes.
Ali, num município historicamente aguerrido, um
exemplo de gestão de olho na produção, geração de
emprego e riqueza. Assim, ficará mais fácil edificar o
Distrito Agroindustrial de Rio Preto, os pilares já estão
colocados e a Suframa começa a trocar liberação de
glebas por projetos de boa qualidade, isto é, viáveis,
claros e geradores de empregos e renda.

Independência produtiva

E aqui, falando objetivamente do Polo Industrial de
Manaus, cabe recordar uma grande lição e um tremendo
desafio que nos foi colocado pela tragédia da pandemia,
que insiste em permanecer entre nós. A lição foi a de que
não temos mais direito de ficar na dependência da
cadeia asiática de suprimentos. Isso nos custou vidas
enquanto demoramos a perceber que os EPIs não iriam
chegar para salvar as vidas de quem estava na linha de
frente do combate à Covid-19. Aprendemos a fazer EPIs
e o que foi preciso, inclusive trabalhar mais de perto,
apesar do isolamento, atrás de soluções criativas. E o
desafio agora é retomar nossa vocação original de
fabricar, em caráter de substituição, os produtos
demandados pelo mercado. E aqui estão os desafios de
todos que aqui empreendem ou querem começar a
empreender. Oportunidades não nos faltam. Muitos
setores ainda estão parados na espera de insumos e
suprimentos.

Vamos eliminar o PPB…

Chegou a hora de, portanto, apesar da iminência das
festas de fim de ano, identificar e anotar em nossas
agendas as demandas de suprimentos e componentes,
batalhar com a efetiva disposição da Suframa, a abolição
da necessidade do PPB, um embargo de gaveta nocivo e
mal intencionado e, finalmente, exigir do poder público
arrecadador um basta: d que a aplicação de parte da
riqueza aqui produzida em instalação de infraestrutura
competitiva. Só assim, brecaremos a desindustrialização
que a burocracia nos impõem. Voltaremos a esta tecla…

(*) Vice-presidente da FIEAM, economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus






Warning: Trying to access array offset on value of type bool in /home/storage/a/0d/d7/cieam1/public_html/wp-content/plugins/bridge-core/modules/shortcodes/shortcode-elements/_social-share/templates/social-share.php on line 108