Inovação avança no Amazonas

22/04/2020

Fonte: Jornal do Commercio

Marco Dassori

Dono de um parque
industrial com mais
de 500 empresas incentivadas e um dos
maiores produtores de petróleo
em terra firme em todo o país,
o Amazonas é um ponto fora da
curva em termos de investimentos
em inovação tecnológica, conforme apontam os dados da Pintec
(Pesquisa de Inovação Tecnológica), do IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística).

O Estado tem a maior taxa de
inovação (46%) entre as unidades
brasileiras, dado que 417 de suas
906 indústrias implementaram
alguma medida nesse sentido em
seus produtos e processos, entre
2014 e 2017. A média nacional foi
de 33,88% –ou 34.732 em 102.514.
Em torno 241 empresas amazonenses receberam apoio de algum
programa do governo, seja por
incentivo fiscal (92) –apoio à pesquisa (60) e Lei de Informática (32)
–, seja por financiamento governamental (57) –projetos de pesquisa
e desenvolvimento (25) e compra
de máquinas e equipamentos utilizados para inovar (32).

Os aportes com atividades inovativas avançaram 124,6%
entre 2014 (R$ 1,5 bilhão) a 2017
(R$ 3,4 bilhões), situando o Estado
na melhor posição entre os demais das regiões Norte, Nordeste,
Sul e Centro-Oeste, ficando atrás
apenas de unidades federativas
do Sudeste, nos dispêndios com
inovação. Na média nacional, os
investimentos foram na direção
contrária e caíram 17,68% de R$
57,64 bilhões (2014) para R$ 47,45
bilhões (2017), no mesmo período.

Além disso, o Amazonas obteve o segundo maior crescimento
percentual (17,7%) de empresas
que realizaram dispêndios em
inovação entre 2014 a 2017, ao
passar de 322 para 379. Só perdeu
para a Bahia, que alcançou crescimento de 40,5%, com 679 (2017)
contra 483 (2014). Em sintonia com
a retração nos investimentos, a
quantidade de indústrias em todo
o país que apostaram na inovação
regrediu 15,31%, de 34.583 (2014) para 29.289 (2017).

Das 417 empresas amazonenses que implantaram inovações no
triênio 2015/2017, 295 (70,3%) foram referentes a produtos, sendo
que 90,8% deles eram novos para a
empresa, e 35% eram uma novidade para o mercado nacional. Outras 395 empresas, implantaram
inovações de processos (94,7%),
sendo 94% processos novos para a
empresa, e 12,3% processos novos
para o mercado nacional.

Entre as indústrias do Amazonas que implementaram inovações de produto, 191 fizeram isso
em algum manufaturado novo
para empresa, mas já existente
no mercado nacional. Outras 98
inovaram em algum item novo
para o mercado nacional, mas
já presente no varejo doméstico.
Seis indústrias inovaram em algo
inteiramente inédito para o mercado mundial. Um total de 347
fábricas aprimoraram processos
apenas no âmbito interno. Outras
46 inovaram em uma novidade
para o setor, mas já presente em
outros países.

As inovações organizacionais
também foram diversas e incluíram técnicas de gestão (73,4%),
gestão ambiental (59,1%), organização do trabalho (58,7%) e relações externas (23%). No grupo
das inovações de marketing, estética desenho e outras mudanças
ocorreram em 53,9% das indústrias, e conceitos e estratégias de
marketing foram mencionadas
por 45,8%.

Obstáculos à inovação

Das 461 empresas amazonenses que não implementaram
inovações e sem projetos, 16,6%
alegaram a necessidade de inovações prévias, 75,5% apontaram condições de mercado e
outras 7,9% nomearam outros
fatores, como risco econômico
excessivo, elevado custo de inovação, escassez de financiamento, falta de pessoal qualificado e
de informação sobre tecnologia
e mercados, entre outros.
As indústrias que optaram
por inovar também enfrentaram obstáculos. O principal foi
o tamanho do custo da iniciativa, percebido por 46,8% delas.
Outras 34,5% informaram a
escassez de fontes apropriadas
de financiamento como o maior
entrave.

Os riscos econômicos
excessivos foram alegados por
29,4% das empresas, enquanto
a falta de pessoal qualificado
foi apontado por outras 13,9%.
Diferencial competitivo
Em sua análise para o Jornal
do Commercio, o supervisor de
disseminação de informações
do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, considerou que
a sondagem apresenta vários
destaques positivos para o Amazonas, sendo que a liderança na
taxa de inovação não é um fato
isolado. O pesquisador ressalta, contudo, que ainda há uma
quantidade relevante de empresas que veem dificuldades
em perseguir esse diferencial
de mercado.

“Os produtos e processos
do PIM, principalmente, impõe
à indústria a necessidade constante de processos e produtos
inovativos. Apoio à inovação,
fontes de financiamento e mão
de obra adequada foram mencionados como fatores importantes. Mas, a inovação não
alcançou um bom número de
empresas, que alegaram fatores
impeditivos de mercado. Isso indica que talvez algumas necessitem de ajuda na área. É fato que,
sem inovação tecnológica, não
há como ter produtos competitivos no mercado”, concluiu.






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