Postado em 19/03/2020 Melhor resultado em seis anos
19/03/2020
Fonte: Jornal do Commercio
O PIM fechou 2019 com faturamento de US$ 26.42
bilhões, 3,61% a mais do
que em 2018 (US$ 25.50
bilhões). Vitaminado por um dólar
já acima dos R$ 4, o resultado em
reais avançou 12%, ao passar de
R$ 93,41 bilhões (2018) para 104,62
bilhões (2019). Os dados estão nos
Indicadores da
Suframa, divulgados pela
autarquia nesta
segunda (16).
O desempenho em moeda
nacional foi o
melhor da série
histórica dos últimos seis anos
–em um intervalo em que as
venda chegaram a mergulhar até os R$ 74,72 bilhões –e o
primeiro número acima da marca
dos R$ 100 bilhões. Na moeda americana, foi a melhor performance
desde 2015 (US$ 24,08 bilhões),
mas ainda não foi suficiente para
sequer encostar no patamar précrise esboçado no faturamento de
2014 (US$ 37.13 bilhões).
Os números consolidados da
Suframa superaram as estimativas das lideranças empresariais do PIM, que aguardavam um faturamento de US$ 25 bilhões, com
um virtual empate em relação ao
ano anterior. Na conversão para
reais, pelo câmbio da época, a expectativa era de chegar os R$ 101
bilhões, o que implicaria em um
crescimento de 8,36%. A projeção
foi apresentada ao final de dezembro, durante a última reunião de
diretoria do ano.
Dos seis segmentos com maior
participação no
faturamento
do PIM, cinco
a v a n ç a r a m ,
em reais: eletroeletrônicos
(R$ 27,43 bilhões e +5,32%),
bens de informática (R$
23,55 bilhões
e + 1 7 , 5 3 % ) ,
duas rodas (R$
15,14 bilhões e
+16,79%), metalúrgico (R$ 8,05 bilhões e 41,75%)
e termoplástico (R$ 6,83 bilhões
e +18,65%). O segmento químico
(R$ 9,40 bilhões), contudo, recuou
14,24%. Em dólares, as duas baixas
vieram dos polos eletroeletrônico
(US$ 6.94 bilhões e -3,53%) e químico (US$ 2.37 bilhões).
dos pela indústria incentivada
da ZFM, foram registradas altas
nas linhas de produção de televisores com tela de cristal líquido (12,84
milhões de unidades e +10,24%),
celulares (14,30 milhões e +0,84%);
motocicletas, motonetas e ciclomotores (1,10 milhão e +6,03%),
condicionadores de ar split system
(4,83 milhões e +51,52%) e bicicletas, inclusive, elétricas (921,32 mil
unidades e +18,56%), entre outros.
O mesmo não pode ser dito do
desempenho de produção de microcomputadores desktop (154.817
unidades e -17,87%) e portáteis
(377.234 e -49,44%), tablets (442.194
e -17,37%) e artigos e equipamentos para cultura física (63.717 e
-15,22%), entre outros.
Coronavírus no caminho
O vice-presidente da Fieam,
Nelson Azevedo, lembrou ao Jornal
do Commercio que, a despeito das
idas e vindas da política nacional,
e de seus efeitos na confiança e
no consumo, o Polo Industrial de
Manaus vinha de um momento de
recuperação no último trimestre do
ano, sinalizando uma retomada
neste ano. Até a eclosão do Covid
19 no caminho do setor.
“Nossas expectativas eram as
mais alvissareiras possíveis, até o
surgimento dessa pandemia. As
empresas do PIM já puseram em
ação seus planos de contingência. Procuramos sempre enxugar
custos, rever metas e ajustar estratégias. Mas, embora os próximos
dias possam ser de avanços na
disseminação do vírus, seu horizonte é curto.
O que nos assusta
ainda é o dólar e a possibilidade de
impacto inflacionário”, ponderou.
Mais empregos
Em termos de geração de
empregos, o parque industrial
da capital amazonense encerrou
2019 com média mensal de 89.252
postos de trabalho, entre trabalhadores efetivos, temporários e
terceirizados.
Foi o melhor resultado desde 2016 (86.159), mas ficou bem aquém dos desempenhos
registrados em 2015 (105.017) e,
principalmente, em 2014 (122.177).
Quando se leva em conta apenas a média apresentada em dezembro (89.480), verifica-se que o
resultado perdeu apenas para o patamar pré-crise de 2014 (118.048).
Ao longo de 2019, os picos de
mão de obra do PIM se deram
em outubro (92.890) e setembro
(92.267) e o ponto em que a curva
de contratações esteve mas baixa
ficou situado em abril (86.278).
Presidente do Sindmetal-AM
(Sindicato dos Trabalhadores nas
Indústrias Metalúrgicas do Amazonas) e da CUT-AM (Central Única dos Trabalhadores do Amazonas), Valdemir Santana, disse ao
Jornal do Commercio que o avanço da
automação e robotização na indústria está comprometendo a capacidade da indústria criar empregos
na ZFM e defende uma discussão
imediata sobre essa questão.
“Temos que ver que não é apenas o faturamento que importa
para o desenvolvimento da Zona
Franca, mas a geração de postos
de trabalho também. Infelizmente,
quando a indústria produz e vende
mais, sem aumentar os empregos,
a média salarial cai. E a tendência
e que a situação da saúde ocupacional e empregabilidade do trabalhador piore, com a pandemia
do coronavírus”, desabafou
Desburocratização e investimentos
Em material distribuído pela
assessoria de comunicação da
Suframa, o superintendente da
autarquia, Alfredo Menezes, considerou que os resultados positivos dos indicadores do PIM no
ano de 2019 devem-se às ações
tomadas pelo governo federal que
possibilitaram a recuperação da
economia nacional, uma vez que
cerca de 95% dos produtos do
Polo são destinados a abastecer
o mercado nacional.
“Foi um ano positivo no faturamento e também na geração
dos empregos, mas nossa expectativa é de alcançar resultados ainda melhores nesses indicadores à
medida em que trabalhamos em
sintonia com o Ministério da Economia na desburocratização e na
atração de investimentos, melhorando cada vez mais o ambiente
de negócios na região”, concluiu.