Postado em 22/01/2020 CBA surge como alternativa
22/01/2020
Fonte: Jornal do Commercio
Marco Dassori
Um conjunto de projetos
governamentais pode
sinalizar novos tempos
para a economia do
Amazonas e da Zona Franca de
Manaus em particular. Os planos
correm em sintonia com a declaração do ministro da Economia
de que “o pior inimigo do meio
ambiente é a pobreza”. Ocorrido nesta terça (21), no âmbito do
Fórum Econômico Mundial de
Davos (Suiça), o comentário de
Paulo Guedes tratava justamente
da relação entre indústria e meio
ambiente.
No mesmo dia, matéria da
Folhapress antecipou que a comitiva do Brasil em Davos deve
anunciar, durante o evento, a
criação de um centro de negócios
sustentáveis na Amazônia.
A quilômetros dali, em Brasília (DF), o
presidente Jair Bolsonaro revelou
que pretende criar o Conselho da
Amazônia, a ser coordenado pelo
vice-presidente da República, Hamilton Mourão.
Em publicação no Twitter, o
presidente explicou que Conselho
da Amazônia contará com a própria estrutura da vice-presidência.
Durante toda a manhã de ontem,
Bolsonaro esteve reunido com sua
equipe de ministros no Palácio da
Alvorada, em encontro do qual
participou também o vice-presidente Hamilton Mourão.
O objetivo é coordenar as diversas ações em cada ministério
voltadas para a proteção, defesa
e desenvolvimento sustentável da
Amazônia. “Dentre outras medidas determinadas, está também a
criação de uma Força Nacional
Ambiental, à semelhança da Força
Nacional de Segurança Pública,
voltada à proteção do meio ambiente da Amazônia”, escreveu
Bolsonaro.
Negócios sustentáveis
O projeto do novo centro de
negócios sustentáveis na Amazônia já foi apresentado ao professor
Klaus Schwab, criador do Fórum.
Pela agenda, deve ser oficialmente
lançado em quatro meses, dentro dos trabalhos da versão latino
americana do Fórum Econômico,
que ocorre de 28 a 30 de abril em
São Paulo.
A proposta da equipe econômica é transformar o CBA (Centro
de Biotecnologia da Amazônia)
num centro de negócios voltado
à geração de produtos e empresas
ambientalmente responsáveis. A
ambição é que a nova versão do
centro transforme a Amazônia
em referência global na geração
de negócios sustentáveis.
O CBA ocupa uma área de 12
mil quilômetros quadrados e tem
25 laboratórios dentro da área da
Zona Franca de Manaus. Nos últimos anos, vinha atuando como
centro para desenvolvimento de
biotecnologias e como prestador
de serviços nas áreas de microbiologia e segurança tóxica. É gerenciado pela Suframa, em parceria
com o governo do Amazonas.
“Nós já tínhamos orientado o
CBA para isso, mas agora ele vai
ganhar um perfil mais global. Ele
será brasileiro, mas vai contar com
iniciativas globais para negócios
sustentáveis, com a visão de preservar e, ao mesmo tempo, gerar
empregos”, declarou o titular da
Sepec (Secretaria de Produtividade, Emprego e Competitividade)
do Ministério da Economia, Carlos da Costa, à Folhapress.
Nessa repaginação, o CBA
terá incubadoras, centro de discussões e fomento de novos negócios, bem como conexão com
centros acadêmicos do Brasil e
do mundo. Costa informa que o
governo está em contato com a
Universidade de Stanford e com
o MIT (Massachusetts Institute of
Technology) para uma eventual
representação no Centro. “Haverá
um espaço para que as maiores
empresas do mundo também startups, levem para lá um centro
de desenvolvimento de produtos
sustentáveis”, acrescentou.
Biotecnologia e bioeconomia
Em dezembro, a Suframa já
havia anunciado que o principal objetivo do novo CBA será
o desenvolvimento de produtos,
a prestação de serviços e a geração de negócios voltados para a
inovação biotecnológica e da bioeconomia. Para isso, a nova gestão
está trabalhando na reativação
de áreas como os laboratórios
da Central Analítica; de Biologia
Molecular; e de Farmacologia,
além de manter as áreas já em
operação. Há também o projeto
de instalar uma incubadora de
bionegócios, para agregação de
valor aos trabalhos.
“No novo CBA estão sendo
desenvolvidos 23 projetos, com
foco no desenvolvimento de produtos e transferência de tecnologia, em fase inicial, por meio
do Programa Nacional de Apoio
ao Desenvolvimento da Metrologia, Qualidade e Tecnologia. São
projetos que abrangem as áreas
de saúde humana, cosméticos,
alimentos, agronegócios e indústria”, listou o coordenador-geral
de Planejamento e Programação Orçamentária da Suframa e membro titular da Autarquia no
Grupo de Gestão do CBA, Fábio
Calderaro.
Aposta na bioindústria
Em entrevista concedida anteriormente ao Jornal do Commercio,
o presidente da Fieam, Antonio
Silva, já havia destacado a importância da ZFM na conservação
da cobertura florestal do Amazonas e salientado a necessária
de diversificar o PIM, agregando
outros segmentos pela inovação
tecnológica.
“Quanto aos diferenciais da
nossa região, temos muita confiança que com a atuação dos
governos federal e estadual, bem
como da classe política amazonense, haveremos de viabilizar o
grande potencial da bioindústria
do nosso Estado”, arrematou o
presidente da Fieam, Antonio
Silva.
Pesquisa aplicada
As últimas medidas do governo federal para a Amazônia vêm
dividindo a bancada amazonense
no Congresso. O deputado Marcelo Ramos (PL-AM), por exemplo,
diz que a prioridade para o desenvolvimento sustentável da região
deve passar pelo investimento
em pesquisa aplicada, mas atual
estrutura do CBA o impossibilita
de atender essa meta. Para o parlamentar, o Centro foi enfraquecido
em função de “preconceito” com
“universidades e instituições de
pesquisas”.
O político considera também
que, nem a instalação do Conselho
da Amazônia, nem a criação da
Secretaria da Amazônia, anunciada dias antes, pelo ministro do
Meio Ambiente, Ricardo Salles,
vai garantir o investimento necessário em pesquisa aplicada para
fortalecer o CBA.