Sob a ótica do interesse público

07/08/2018

*Alfredo Lopes

Se formos capazes de vasculhar as entrelinhas dos assuntos
que fazem manchetes nos jornais, vamos verificar que falta
uma única atitude em todos os episódios conectado com a
contravenção. Falta o chamado espírito público, um leit motiv
de todos os juramentos que traduzem deveres e
responsabilidades no trato social. A reunião frustrada desta
segunda-feira, 23, que reuniria as entidades do setor
produtivo e a bancada parlamentar do Amazonas traduz a
ausência desse elemento vital na ordem política e social do
Brasil e do Amazonas: o espírito público.

Por que a pauta amazônica e da brasilidade, na qual seriam
debatidas as nuances das demandas legislativas e de
infraestrutura para o exercício competitivo da contrapartida fiscal, não empolga todo mundo que dela depende?. Desde
sempre a expectativa do setor produtivo tem sido a de
estreitar e alinhar as ações em movimento e que se reportam ao interesse público. Afinal, o modo de produção capitalista
padece de ordenamento por parte do poder público e de
consumidores de seus produtos na combinação criativa e
conflitiva entre patrões e empregados.

Afinal, as empresas aqui instaladas usufruem de benefícios fiscais na medida em que se dedicam a desenvolver a
economia e gerar riquezas na perspectiva da redução das
desigualdades regionais. Tratava-se pois de destacar os
direitos, os deveres e as responsabilidades de cada um a fim
de que todos pudessem fazer sua parte na medida em – cada
um que se submetem aos mandamentos legais.

Prejuízos acumulados são o fruto sombrio desse
distanciamento.
Sempre é ilustrativo ilustrar com o descaso insensato do
governo federal com a Superintendência Regional do Mapa
(Ministério da Agricultura e Pecuária). Seus fiscais, cada dia
mais escassos e assoberbados pelo acúmulo de contêineres à
espera de fiscalização, tem confirmado a indiferença crônica
do poder central com a região.

Quem perde com isso, essa fiscalização quelônio e a falta de
inovação tecnológica para modernização, além do investidor,
que fica sem estoques de insumos para trabalhar, são os
empregos que se reduzem e a arrecadação, cada vez mais pífia
e diminuída.

Um poder público inócuo e uma base parlamentar
desarticulada entre si e com o cidadão. Recentemente, o
Fórum Internacional da Água que ocorreu no mês passado em
Brasília, mostrou alguns discursos desprovidos de
esclarecimentos sobre nossa região. Reduziram nosso
aquífero a 13% da água doce do planeta. Mais ou menos,
sequer temos essa aferição precisa. E que a União faz com
isso? O aquífero Içá-Solimões, descoberto na década passada,
é parte de um acervo que, sequer, nos dispusemos a precificar.
O discurso é sempre o da importância da preservação da
Amazônia para proteção de dos ecossistemas e para a agricultura. Ninguém fala do clima nem em contrapartidas
que se impõem com este ativo.

Para onde será que estamos enxergando? De quebra, cabe
destacar que o mercado de eventos, sobretudo na discussão de
temas de interesse especial, tem movimentado fóruns,
seminários, encontros, sempre pra falar de meio ambiente ou
sustentabilidade, inovação, recursos humanos, bioeconomia,
e deveria entrar na estratégia de governo de atrair o
protagonismo e movimentar a economia com a geração de
serviços, emprego e muita renda. Como a nau dos insensatos
seguimos surdos e mudos sob a ótica do interesse público.

(*) Filósofo e consultor do Cieam






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